Não confia na própria disciplina? Perde o controle dos gastos com facilidade? Fica no vermelho com frequência? Fica enrolado com as faturas dos cartões de crédito? Tem medo de entrar em um financiamento e se embananar mais? Saiu das dívidas recentemente e tem medo de voltar àquela situação?

Seus problemas acabaram! Calma, é brincadeira, não é um informe publicitário tipo Polishop. Mas sim, você pode evitar tudo isso, e esse é o tema deste texto.

Ouvi o consultor financeiro Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro, porque ele tem umas dicas bem práticas e objetivas para quem não quer se endividar demais nem ficar inadimplente e com o nome sujo. Faça o seguinte:

1. Priorize as dívidas “boas”

Dívida dificilmente é uma coisa boa, mas quando usada para alavancar nossa vida, pode sim ser um instrumento financeiro bastante positivo.

É o caso do crédito educativo, que nos ajuda a impulsionar a carreira, dos financiamentos que nos permitem comprar instrumentos de trabalho ou investimentos que vão nos gerar renda e, em certos casos, o financiamento da casa própria.

“É importante sempre lembrar que existem outros caminhos para conquistar a casa própria. Já no caso da educação, nem sempre é possível esperar e juntar dinheiro, pois existe um momento certo para entrar no mercado de trabalho”, diferencia Mauro Calil.

Assim, se precisar se endividar, priorize as dívidas “boas”, que em geral são menos caras e voltadas para necessidades maiores, e prefira pagar outras coisas à vista.

Evite linhas de crédito com juros muito elevados, como o cheque especial (aquele limite que lhe permite continuar gastando mesmo quando sua conta já está no vermelho), e as dívidas relacionadas ao cartão de crédito (rotativo e parcelamento da fatura).

Mesmo o financiamento de veículos deve ser considerado uma dívida “ruim”, a menos que você dependa do automóvel para trabalhar. Afinal, o bem vai se depreciar enquanto você ainda está pagando juros.

2. Comprometa apenas 20% da renda com dívidas

A soma de todas as suas dívidas e parcelamentos não deve ultrapassar 20% da sua receita líquida – e isso priorizando as dívidas “boas” e emergências. Se ultrapassar esse percentual, uma luz amarela deve se acender: fique atento, mas não deixe ultrapassar 30% da sua renda.

“Passando de 30%, acende-se a luz vermelha, pois significa que você pode estar se endividando de uma forma que não vai conseguir mais reverter”, diz Calil.

3. Reduza o limite do seu cheque especial

Se você é daqueles que não consegue se conter e acaba usando o cheque especial como complementação da sua renda com frequência, reduza bruscamente o seu limite. O ideal é que ele nunca ultrapasse 10% da sua renda líquida.

Muitos bancos oferecem limites que correspondem a quase 100% da renda do cliente, ao lado de outros “benefícios” como alguns dias sem juros.

Embora possam ser vantagens quando usadas com parcimônia, essas ofertas são tentações para os menos controlados. Lembre-se de que as taxas de juros do cheque especial estão entre as mais altas do país, para todas as linhas de crédito.

“O cheque especial é para uma emergência, para você conseguir voltar para casa e pensar com mais calma na sua organização financeira”, diz Calil.

Linha de crédito Taxa ao mês Taxa ao ano
Cartão de crédito 13,59% 361,40%
Cheque especial 10,24% 222,16%
Empréstimo pessoal-financeiras 7,80% 146,28%
Juros do comércio 5,32% 86,26%
Empréstimo pessoal-bancos 4,20% 63,84%
Financiamento de carros (bancos) 2,20% 29,84%

Fonte: Anefac (set/2015)

4. Controle o seu orçamento

Se você sabe que está endividado, ainda que abaixo de 20% do rendimento, mantenha um controle disciplinado do orçamento e tome cuidado com gastos menos essenciais, como a compra de roupas, sapatos, gadgets tecnológicos ou o vinho no restaurante.

Os 80% restantes do seu orçamento devem ser empregados com sabedoria e pouca flexibilidade, uma vez que você tem consciência de que tem compromissos futuros a honrar. Se tiver comprometido 30% da renda com dívidas, seu controle deve ser ainda mais rígido.

Não sabe como montar um orçamento? Veja aqui o passo a passo.

5. Siga à risca a cartilha do cartão de crédito

Tenha no máximo dois cartões de crédito e peça às operadoras para reduzir seus limites, de forma que a soma dos dois não passe de 50% da sua renda líquida mensal.

“E por que não 100%? Porque tem muita coisa que você não paga no cartão, como aluguel, condomínio, escola dos filhos”, lembra Mauro Calil.

Caso estoure o limite, você já pode interpretar que está gastando muito. Além disso, lembre-se de sempre pagar a fatura integralmente e em dia, para não pagar juros exorbitantes e multa. O rotativo do cartão é a linha de crédito mais cara do Brasil.

“Observando essas medidas, você nunca vai se atrapalhar com o cartão”, diz o consultor.

6. Faça seguros para proteger seu patrimônio

Muitos financiamentos, como o habitacional, já contam com seguros que cobrem o pagamento das parcelas caso o principal pagador perca o emprego ou venha a falecer.

Mesmo assim, você tem outros compromissos na vida, relacionados ao seu próprio sustento.

Faça seguros para os bens de difícil reposição, como casa e carro, um seguro de vida para as pessoas responsáveis pelo sustento da família e um seguro de lucros cessantes, para continuar recebendo um rendimento em caso de perda de emprego.

Você tem alguma outra estratégia para evitar o endividamento excessivo? Divida com a gente nos comentários!

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