A cobrança de imposto de renda nas aplicações financeiras gera muitas dúvidas e confusões nos investidores. Para não se embananarem – e para terem “menos trabalho” –, muita gente acaba preferindo investimentos isentos de IR.

Porém, isenção de imposto por si só não é garantia de rentabilidade maior. Também não é garantia de não ter que declarar seus rendimentos à Receita Federal. Outra ideia equivocada é achar que o IR vai comer parte do principal investido.

A seguir, elencamos oito equívocos comuns dos investidores sobre a cobrança de imposto de renda nas aplicações financeiras, sobre o recolhimento do IR e a entrega da declaração. Veja se você faz alguma dessas confusões:

1. Imposto de renda é descontado da rentabilidade, não do valor total investido

Quando um investimento é tributado, o imposto de renda é descontado apenas dos seus rendimentos, não do principal investido. Ou seja, se você investe mil reais, a quantia rende e você resgata 1.500, a alíquota será aplicada apenas sobre esses 500 reais de rentabilidade. Se a rentabilidade for nula ou negativa, não há cobrança de IR.

É diferente do que ocorre, por exemplo, com as taxas de administração dos fundos ou a taxa de custódia do Tesouro Direto. Essas sim incidem sobre todo o valor investido, havendo ou não rendimentos. Talvez venha daí a confusão.

Uma exceção, entretanto, são os planos de previdência tipo PGBL. Como já vimos aqui no blog, no PGBL o imposto de renda é cobrado sobre o total investido, não só sobre os rendimentos.

2. Investimentos tributados podem ser mais rentáveis que investimentos isentos

Isenção de IR não é garantia de maior rentabilidade, mesmo quando comparamos aplicações com nível de risco similar.

Se um investimento for capaz de gerar uma rentabilidade bruta (antes do desconto do IR) grande o suficiente, sua rentabilidade líquida (após o desconto do IR) pode superar os rendimentos de aplicações isentas similares.

Isenta de IR, uma LCI pode ou não ser mais rentável que um CDB de mesmo prazo, que é tributado. Tudo vai depender da taxa que cada título paga.

Uma coisa que os investidores adoram fazer é comparar a poupança com outras aplicações conservadoras, como o título público Tesouro Selic (LFT), os CDBs pós-fixados e os fundos de renda fixa.

Ora, a poupança é isenta, enquanto os demais são tributados. Mas a poupança tem uma rentabilidade baixa, limitada, que frequentemente perde dos rendimentos dos demais investimentos conservadores.

Leia mais: Você gosta das aplicações sem IR pelas razões certas?

3. Investimentos tributados não necessariamente dão mais trabalho com a Receita

Muita gente evita investir em aplicações tributadas por acreditar que terão algum tipo de trabalho extra com a Receita Federal. Não querem ter de recolher o imposto de renda e prestar contas na declaração de IR. Mas há, aí, duas ideias equivocadas.

Em primeiro lugar, em boa parte dos investimentos tributados não é o investidor o responsável por recolher o imposto de renda sobre os rendimentos. No caso de aplicações como títulos de renda fixa e a maior parte dos fundos de investimento, por exemplo, o imposto é retido na fonte, e o investidor já recebe os rendimentos líquidos de IR.

Neste post explicamos direitinho em que momento é cobrado o IR de cada um dos investimentos mais comuns entre as pessoas físicas e quem é o responsável por recolhê-lo.

Em segundo lugar, não é porque um investimento é isento de imposto de renda que você será dispensado de declará-lo. E é isso que vamos ver no item seguinte.

4. Investimentos isentos também precisam ser declarados

Erra quem pensa que não precisa informar o saldo e os rendimentos da caderneta de poupança ou mesmo de uma LCI ou LCA na declaração de imposto de renda.

Quem é obrigado a entregar a declaração precisa informar o saldo e os rendimentos de todas as aplicações financeiras, mesmo aquelas que são isentas de imposto de renda. Inclusive, o mero fato de ter recebido rendimentos isentos e não tributáveis em valor superior a 40 mil reais já obrigava o contribuinte a declarar em 2017.

Você só pode deixar de declarar uma conta corrente ou aplicação isenta se seu saldo for inferior a 140 reais, ou ainda se você não for obrigado a entregar a declaração de imposto de renda.

Veja como declarar poupança no imposto de renda.

5. Nos fundos imobiliários, apenas os rendimentos são isentos de IR; a valorização da cota não

Quem já ouviu falar de fundos imobiliários provavelmente também já ouviu que seus rendimentos são isentos de imposto de renda. E de fato, para os fundos em que as pessoas físicas normalmente investem, isso é verdade.

Mas atenção: a isenção vale apenas para os rendimentos pagos pelos fundos aos seus investidores, a título de aluguel, por exemplo. Os ganhos obtidos com a venda de cotas são tributados em 20%.

Os fundos imobiliários não permitem aplicações e resgates a qualquer tempo, diferentemente de fundos mais conhecidos, como os de renda fixa ou ações. Depois que o fundo fecha para captação, a única forma de entrar ou sair do investimento é por meio da compra e venda de cotas entre os investidores. Normalmente, a negociação ocorre em bolsa de valores.

Os preços das cotas flutuam, assim como os de outras aplicações de renda variável, como as ações. Assim, se entre a compra e a venda das cotas o investidor tiver ganhos, essa valorização é tributada. E será ele o responsável por recolher o IR, como veremos no próximo item.

6. Quando o investidor é o responsável por recolher o IR, a hora certa de fazê-lo não é na época de fazer a declaração de imposto de renda

Em alguns investimentos, o responsável por recolher o imposto de renda é o próprio investidor. É o que ocorre com os investimentos em bolsa de valores, como ações e fundos imobiliários, e também com os aluguéis de imóveis.

Nesses casos, é o investidor o responsável por controlar seus ganhos, prejuízos (que podem ser compensados para reduzir o imposto a pagar) e eventuais isenções, bem como calcular o imposto a pagar, emitir a guia para pagá-lo e, finalmente, recolhê-lo.

O que confunde investidores de primeira viagem é acreditar que a hora de fazer isso é a época de entregar a declaração de imposto de renda.

Não é. Essa é a época apenas do ajuste anual, quando o contribuinte deverá informar seu patrimônio e rendimentos à Receita. Dessa forma, se tiver pago imposto em excesso no ano anterior, será restituído; se tiver pago menos imposto que o necessário, pagará o que falta.

O IR sobre os rendimentos com aluguéis imobiliários pagos por pessoas físicas deve ser recolhido mensalmente com o uso do Carnê-Leão. Já o de aplicações de renda variável deve ser recolhido até o último dia útil do mês subsequente ao recebimento dos rendimentos em questão.

Veja como declarar ações, como declarar fundo imobiliário e ETF e como recolher o IR sobre esses investimentos.

7. Alguns fundos de investimento não são tributados apenas no resgate

Quando sujeitos à cobrança de imposto de renda, os investimentos geralmente só são tributados no resgate ou na venda. Mas alguns fundos de investimento sofrem uma antecipação na cobrança de IR, o chamado come-cotas.

Esse mecanismo pode causar certo estranhamento ao investidor, pois há cobrança de imposto mesmo sem ter havido resgate. O IR é descontado sempre nos meses de maio e novembro e é pago em forma de cotas. Ou seja, a quantidade de cotas do investidor diminui.

Explicamos tudo sobre o come-cotas neste post.

8. Imposto de renda não é o único tributo que pode incidir sobre a rentabilidade dos investimentos

O imposto de renda não é o único tipo de tributo que pode ser cobrado sobre os rendimentos de aplicações financeiras. Investimentos de curtíssimo prazo, inferiores a 30 dias, estão também sujeitos à cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

As alíquotas do IOF começam em 96% para aplicações de apenas um dia e vão decrescendo até 3% para aplicações de 29 dias. A partir do 30º dia, não há mais cobrança de IOF.

Saiba mais sobre a cobrança do IOF e conheça os investimentos isentos.

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