Com a inflação sob controle, o Banco Central dá sinais claros que colocou no seu radar a forte concentração bancária que existe no Brasil. Esta é, ao que parece, a grande trava que impede a queda nos spreads bancários, ou seja, a diferença entre a taxa básica de juro e o custo do financiamento para o tomador final que ainda é absurdamente alto no Brasil.

Entrevista com o Presidente do Banco Central

Você viu no Economia é Genial a entrevista com Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, sobre como devemos enfrentar o desafio dos altos spreads brasileiros: fazendo a concorrência funcionar. Na entrevista, Goldfajn foi bem claro e disse aos brasileiros para que peçam descontos em pagamentos à vista e pesquisem custos de financiamentos, inclusive em cooperativas de crédito e instituições menores.

Ele antecipou na entrevista ao Economia é Genial que iria intensificar a redução nos depósitos compulsórios como forma de promover condições para que os bancos aliviassem os spreads (veja mais aqui). Goldfajn cumpriu a promessa e começou a liberar o compulsório. Mas um estudo da Moody’s, uma agência global de classificação de risco, disse que a concentração bancária no Brasil é tão alta que a medida por enquanto serve mais como um sinalizador e terá pouco efeito prático.

Nos últimos anos é possível ver um movimento do Banco Central de criar instrumentos para que o consumidor financeiro tenha condições de negociar com seu banqueiro custos mais razoáveis de produtos e serviços. Foram autorizadas portabilidade de crédito e conta corrente, foi dada mais visibilidade e transparência para cooperativas de crédito e criou-se uma diretoria específica para cuidar da cidadania financeira, com um forte investimento na educação financeira.

A gestão atual não apenas reforçou essas medidas como está avançando na direção de criar um ambiente favorável a desconcentração bancária. O próximo passo deverá vir acompanhado das fintechs, as empresas de tecnologia na área financeira. Já há várias em operação no Brasil, mas quando o assunto é crédito elas esbarram na legislação brasileira e ainda precisam se associar a um banco para oferecer crédito. Mas não está longe o dia em que veremos pessoas que têm dinheiro para investir se conectando por um aplicativo com aquelas que precisam tomar recursos emprestados. Hoje esta intermediação está nas mãos dos bancos e cinco deles controlam mais de 90% desse relacionamento.

Idealizadora do MyNews, primeiro canal de jornalismo feito exclusivamente para o YouTube, Mara é jornalista especialista em economia e investimentos. Tem passagens pelos jornais Valor Econômico, Folha de S. Paulo e revista Veja, além de ter sido colunista da CBN e comentarista de jornais da Globo e GloboNews. Apresenta o programa “Economia é Genial” todas as quintas-feiras no canal MyNews, às 20h30.

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