Na mesma semana em que vimos os juros caírem para o patamar inédito de 6,5% ao ano, assistimos a mais um espetáculo de ofensas e desvios de propósito da política e da justiça brasileira.

Quem acompanha a nossa história há muito tempo, já não deveria mais se surpreender com nossos feitos. Dessa vez, o desafio cresceu.

Cresceu porque no pior momento social do país, temos um dos melhores momentos da economia, desde a estabilização da moeda, em 1994.  As perspectivas para o crescimento do PIB em 2018 estão positivas, mesmo considerando as recentes revisões sobre o ritmo da recuperação.

Dados de atividade

Janeiro não foi lá essas coisas para atividades ligadas ao consumo das famílias, como o setor de serviços. Ainda assim, tem muita água para passar debaixo desta ponte. E muitas variáveis que podem influenciar na velocidade da retomada durante o ano.

Uma dessas variáveis é a inflação – outra fonte de surpresas seguidas, vide o IPCA-15 divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (23/03). O índice ficou em 0,10%, dentro das expectativas, mas sem deixar de reforçar a percepção de que o dragão está domado.

Foi por causa dela que o Banco Central nos presenteou, não apenas com um juro de 6,50%, como também com a clara sinalização de que vai seguir reduzindo a taxa básica da economia.

E a composição demanda isso mesmo, afinal, se a atividade não engatou numa velocidade segura e a inflação continua passiva, não há porque não calibrar a taxa de juros para este patamar inédito.

Cenários econômicos

O desemprego, mesmo em queda, continua altíssimo e a ociosidade do parque produtivo permitem a ousadia do Banco Central em experimentar um juro de mundo civilizado. Com a credibilidade que a atual diretoria dispõe, esta sintonia fina não soa irresponsável nem voluntariosa.

A leitura sobre a acomodação dos indicadores tem desafiado os economistas a calibrar também seus cenários e expectativas. O Brasil nunca experimentou um momento com tamanha turbulência social e política, com rombo gigantesco nas contas públicas – não esqueci -, inflação abaixo de 3% e juros em 6,5%.

Como traçar o caminho à frente? O que será do país depois das eleições de outubro? Enquanto a resposta não vem, as pessoas seguirão tomando decisões sobre seus negócios e suas carreiras, aguardando que os efeitos mais benéficos desta mistura cheguem o quanto antes no seu dia a dia.

* Thais Heredia é jornalista do MyNews, primeiro canal de jornalismo feito exclusivamente no YouTube patrocinado pela GENIAL. Com pós-graduação em finanças pela FIA, Thais é especialista na cobertura de economia e política. Já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews.

Escreve todas as quintas-feiras para o blog GENIAL. Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

Comentários

  • Obrigada, Cesar. A Thais Heredia escreve aqui no blog Genial todas as quintas-feiras!

  • Bom artigo. Gostei mais da jornalista escrevendo do que falando. Assim é mais didático, melhor. Parabéns!

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