Os mercados estão mal-humorados e vamos entrar no feriado da Páscoa fechando Março com os indicadores no vermelho. Dólar subiu, bolsa caiu, mas, se serve de consolo, tivemos pouca responsabilidade nisso.

Vêm lá de fora os ventos contra, que provocam debandada de investidores estrangeiros. Todos preocupados com o teor e a intensidade das guerras que Donald Trump é capaz de provocar.

Isto não significa que nós estejamos fazendo tudo certo. Não estamos! A confusão política segue pela rota de colisão sem freio. No front da economia, entretanto, tudo caminha bem, com pouquíssimas turbulências.

A incerteza da vez não parece ter força para abalar investidores, ou afugentá-los, ao contrário. Falo da saída do ministro Henrique Meirelles da pasta da Fazenda para encontrar seu papel de candidato – que ele busca há tantos anos e nunca deixaram que ele saísse do banco.

Troca-troca

Não é só a cadeira de Meirelles que está em jogo. O troca-troca vai se estender a outras pastas com a saída de muitos ministros para o front político. Em outros tempos este movimento seria capaz de gerar muita apreensão, mas não agora.

Para o lugar de Meirelles, deve ficar Eduardo Guardia, seu vice-ministro que, não só agrada muito ao mercado, como promete ser mais técnico e pragmático que o futuro ex-chefe. Para o Ministério do Planejamento deve ir Mansueto Almeida, hoje secretário da Fazenda. Ele deverá substituir Dyogo Oliveira, que parte para o BNDES.

Mansueto é, certamente, um dos melhores quadros da equipe econômica. E, se realmente atravessar a rua da Esplanada dos Ministérios para assumir o Planejamento, vai imprimir maior pragmatismo, assim como Guardia, na condução da pasta. Não que Dyogo Oliveira não tenha sido. Mas ele é ligado ao senador Romero Jucá e não se livra do cunho político de sua posição.

Esta credibilidade toda da equipe econômica contribuiu, e muito, para o processo de recuperação da atividade. Infelizmente ela não foi capaz de persuadir o Congresso Nacional a resolver o maior engodo do país, a reforma da previdência.

Economia

Mas tudo indica que teremos alguma gordura para queimar até 2019 e, atravessar os trancos e barrancos das eleições com um grupo coeso e responsável na condução da economia, fará muita diferença.

Ali perto da Esplanada, no Banco Central, não há risco de mudanças. O que alivia bastante qualquer apreensão que resista sobre a capacidade do Brasil em voltar a crescer este ano, mantendo os fundamentos econômicos no lugar.

A maior preocupação, se é que podemos chamar assim, é com a inflação, que insiste em ficar baixa. O suficiente para provocar nova redução dos juros até meados do ano, para um nível nunca sonhado, quanto mais esperado por ninguém, na casa dos 6% ao ano.

Mesmo que o mundo continue causando distúrbios nos mercados, o quadro mais provável ainda é de certa estabilidade no Brasil. A alta recente do dólar, que belisca agora os R$ 3,40, não assusta. Até porque pode ajudar a elevar um bocadinho a inflação, ao menos para acima do piso da meta, que é de 3%.

A Páscoa chegou mais cedo este ano e é bom a gente aproveitar para comer doces e chocolates. Ainda que a economia não cause mais enjoos, a política e as batalhas jurídicas que nossos juízes vêm travando, vão amargar a vida dos brasileiros.

Feliz Páscoa!

 

* Thais Heredia é jornalista do MyNews, primeiro canal de jornalismo feito exclusivamente no YouTube patrocinado pela GENIAL. Com pós-graduação em finanças pela FIA, Thais é especialista na cobertura de economia e política. Já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews.

Escreve todas as quintas-feiras para o blog GENIAL. Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

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