Mais uma vez todos os olhos do país se voltam para o Supremo Tribunal Federal (STF) que retoma, nesta quarta-feira, o julgamento do pedido do habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula.

Entre a última sessão plenária (antes do feriado) e a de amanhã, pedras e tiros foram disparados contra a caravana do PT no sul do país; o relator da Lava Jato no STF, Luiz Edson Fachin, revelou ter recebido ameaças de morte e ter pedido reforço da segurança de sua família.

Para tomar o ambiente ainda mais tóxico, amigos do círculo íntimo do presidente Temer foram presos, prestaram depoimento e foram liberados no âmbito da investigação de irregularidades em um decreto do setor de portos. As prisões foram determinadas pelo ministro do Supremo, Luis Roberto Barroso, que também autorizou a posterior liberação dos investigados.

Habeas corpus

É nesse cenário que a corte, contaminada pelas disputas político-partidárias, volta a se reunir com um plenário praticamente rachado ao meio. Manifestações anteriores de nossos falantes ministros – dentro e fora dos autos – indicam que cinco deverão votar contra o habeas corpus e outros cinco deverão votar a favor. O voto de Minerva caberá à ministra-esfinge Rosa Weber (examinei a posição da ministra em detalhes neste artigo).

Contudo, em se tratando do STF e do mundo das filigranas jurídicas, sempre pode haver uma surpresa, que vai de um pedido de vistas à apresentação de uma terceira via, como aquela já mencionada pelo ministro Dias Tóffoli, de que a prisão só poderia ser efetivada depois de uma condenação em terceira instância, que seria o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Se o Supremo concluir o julgamento amanhã e o resultado for desfavorável a Lula, a prisão do candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente agravará tensões latentes, sendo difícil prever a extensão desse agravamento.

Prisão de Lula

A prisão não deverá ser imediata e nesse provável intervalo de alguns dias bons advogados sempre podem achar um caminho alternativo. E o PT já tem na ponta da língua a narrativa do herói popular vítima de perseguição política.

Se, no entanto, o Supremo der o habeas corpus preventivo, Lula ganha fôlego o estica a campanha, restando, porém, outra batalha de recursos para tentar suspender os efeitos da Lei da Ficha Limpa sobre sua candidatura.

Junta-se a essas incertezas a movimentação de outras peças no tabuleiro. No próximo dia 7, termina o prazo para filiação partidária de eventuais candidatos. A grande expectativa é a filiação ao PSB do ex-presidente do STF e relator do Mensalão, Joaquim Barbosa.

A filiação por si só não garante que ele será candidato (as convenções podem ser realizadas até o começo de agosto), mas se ela for confirmada, seu nome passará a figurar nas pesquisas eleitorais e pesquisas qualitativas indicam que ele tem potencial de embaralhar completamente o jogo, tirando votos do um amplo espectro de candidatos da esquerda à direita.

Ou seja, se Joaquim Barbosa entrar para valer na disputa, o jogo vai ter que recomeçar do zero.

* Cristina Serra é comentarista do MyNews, primeiro canal de jornalismo feito exclusivamente no YouTube e patrocinado pela GENIAL. Jornalista especialista na cobertura de política e assuntos internacionais, trabalhou durante 26 anos na Rede Globo. No MyNews, participa do programa “Segunda Chamada”, apresentado por Antonio Tabet, todas as segundas-feiras, às 20h30.

Escreve todas as terças-feiras para o blog GENIAL. Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Comentarista do canal de YouTube MyNews, Cristina trabalhou durante 26 anos na Rede Globo. É especialista na cobertura de política e assuntos internacionais. No MyNews participa do programa "Segunda Chamada", apresentado por Antonio Tabet, todas as segundas-feiras, às 20h30.

Comentários

  • Até qdo vamos assistir a brincadeira do gato e rato, tá pior q Tom e Jerry! Até qdo td isso? Esses ministros também façam me o favor, o corja assustada, pq deixar o Lula a vontade dessa forma, ele tem q ser o exemplo do correto, que é ser preso, pq não?Justica tem q ser igual a todos, estamos cansados de falsidade, impunidade nesse meio tão escroto que vivemos hoje, esses políticos têm q cortar todos, criarmos nova equipe com outros princípios, para q o País não pare de tudo. Está muito errado, estamos cansados de tanta palhaçada! Está na hora de parar!

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