Escalada da propagação do coronavírus aumenta a volatilidade dos mercados

Resumo do mês anterior

Principais indicadores - Fevereiro 2020

Cenário Internacional

O mês de fevereiro foi marcado por uma forte realização das bolsas ao redor do mundo devido ao surto do coronavírus. A China apresentou crescimento significativo no número de casos confirmados entre o final de janeiro até o início da terceira semana de fevereiro. Essa rápida propagação do vírus resultou em aumento de aversão ao risco com queda nas bolsas globais e fortalecimento do dólar ao redor do mundo.

Indicadores antecedentes divulgados nos últimos dias apontam uma forte queda na produção industrial chinesa em fevereiro. O índice de atividade da indústria da China (PMI), calculado pelo Centro Informacional de Logística Chinesa (CLIC), apresentou uma queda de 50,0 para 35,7 pontos. Números abaixo de 50 indicam que a indústria chinesa entrou em forte retração em fevereiro. Ainda não temos dados agregados do setor de serviços, mas tudo indica que a queda no volume de serviços prestados será significativa. Os dados de comércio indicam também forte retração do comércio global no primeiro bimestre o que deve comprometer o crescimento econômico fora da China, inclusive em países que ainda não reportaram números significativos de casos confirmados. Como o surto do vírus ainda não se propagou no resto do mundo na mesma proporção do que na China, devemos observar uma retração na atividade econômica ao longo do mês de março nesses países que vêm apresentando número crescente de casos de contaminação, principalmente na Zona do Euro.

Segundo dados diários de tráfego portuário e volume de comércio marítimo, ao final de fevereiro o volume de comércio global caiu ao nível de 2015. Isso implica em uma queda no volume global de comércio de 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Até meados de janeiro, as estimativas de crescimento global para 2020 estavam entre 2,5% e 3%. Considerando que o setor de serviços tenha uma retração semelhante ao setor industrial, projetamos uma perda de 0,5 ponto percentual no crescimento global para 2020, o que significaria um crescimento econômico próximo a 2%.

O surto também aumentou as incertezas e a aversão ao risco nos mercados. Com isso, vimos um movimento não só de queda nas bolsas, mas também de apreciação do dólar e queda generalizada nas taxas de juros. Em fevereiro o S&P 500 e o Ibovespa recuaram 8,4%, com isso o Ibovespa encerrou fevereiro com uma perda de quase 10% no ano. O real depreciou 5,37% frente ao dólar batendo nível nominal histórico de R$ 4,48/US$ no final de fevereiro. Esses são movimentos normais em períodos de aversão ao risco na medida em que fluxos são direcionados para ativos mais seguros de economias mais avançadas, principalmente para os EUA.

índice de atividade da indústria da China (PMI)

Vale destacar que desde a última semana de fevereiro, o surto está em movimento descendente na China. Entretanto, o surto ainda está em movimento ascendente no resto do mundo, o que supõe estágio inicial intermediário do surto.

Esse ambiente de maior incerteza levou o Banco Central americano (FED) a cortar a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual em reunião extraordinária (o que não acontecia desde outubro de 2008). O corte de juros por parte do FED indica que a autoridade monetária entende que o efeito do surto de coronavírus tem chances significativas de causar efeitos mais duradouros na economia. Esse movimento rápido do FED deve ser seguido pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelas autoridades fiscais da Zona do Euro. Entendemos que ao longo de março pode haver ampliação do programa de compra de ativos por parte do BCE em conjunto com medidas adicionais para corrigir problemas pontuais de liquidez, tais como redução na exigência de recolhimento de compulsório, operações de mercado aberto (no caso de pressão sobre a meta da taxa básica), e extensão de linhas de financiamentos. Além disso, ações de política fiscal expansionista podem surgir nas próximas semanas na Zona do Euro.

Comércio global de Commodities Vs. PIB Brasil

Dada a evolução recente do vírus, acreditamos que a economia chinesa apresentará retomada da atividade a partir de abril-maio e, na Zona do Euro, a partir de maio-junho. Como resultado, veremos uma recuperação da economia mundial em formato de V: queda forte da atividade no primeiro trimestre de 2020 com recuperação a partir do segundo trimestre, com taxas acima da média do ano devido ao efeito de base baixa. Porém, o resultado líquido deve ser uma diminuição do PIB global de cerca de 0,5 ponto percentual em 2020. Essa projeção é baseada na queda do volume de comércio global até o momento e pode se alterar na medida que novos dados, principalmente sobre o setor de serviços, forem divulgados.

Portanto, avaliamos que, por enquanto, o coronavírus representa um choque pontual e com probabilidade baixa para moderada de causar efeitos de longo prazo na economia global. No caso de um choque pontual adverso, acreditamos que a adoção de uma política fiscal expansionista e instrumentos de injeção pontual de liquidez seriam medidas mais eficazes para estimular a economia do que o estímulo monetário via redução das taxas básicas de juros.

Cenário doméstico

O Brasil é um país que depende bastante da demanda externa por commodities agrícolas por isso, a queda no comércio global deve causar um impacto negativo no crescimento da economia local. Além de ser o maior destino das exportações brasileiras, a China é origem de importação de máquinas e equipamentos que servem como insumos para a indústria brasileira e embora os dados da balança comercial de fevereiro não tenham apresentado efeito claro e significativo do surto de coronavírus, ainda é cedo para avaliar o impacto. Assim como na Zona do Euro, o impacto será sentido ao longo de março e abril.

O IBGE divulgou a taxa de desemprego de janeiro, que ficou em 11,2%, representando uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo mês do ano passado (12%). Esse resultado indica uma recuperação do emprego em ritmo superior ao que foi observado em 2019. Assim nos últimos meses temos assistido a uma retomada ainda lenta, mas significativa, do emprego formal.

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Perspectivas para os próximos meses

Passado o carnaval, a agenda de reformas deve começar a apresentar evolução. Entendemos que o cenário político atual implica em incentivos para os Presidentes das duas casas legislativas evoluírem a pauta de reformas no Congresso. Ambos estão em seu último ano de mandato e não podem ser reeleitos, isto significa que, a partir do próximo ano, estarão de volta aos seus mandatos de legislativos sem cargos e sem poderes discricionários importantes. Sua influência no processo Legislativo a partir daí, vai depender, basicamente, da liderança por eles construída ao longo de seus mandatos como presidente das duas casas.

O Presidente Rodrigo Maia foi uma figura importante durante a aprovação das reformas implementadas pelo governo Temer e da Reforma da Previdência, mas precisa consolidar esta posição ao longo de 2020. O Presidente Davi Alcolumbre, por estar em primeiro mandato, precisa mostrar capacidade de liderança para seus pares. Neste sentido, o incentivo é se dedicar o máximo possível à aprovação de reformas capazes de alavancar o crescimento do país.

Nossa avaliação é que a probabilidade de aprovação, pelo menos do “núcleo” das propostas, é bastante elevada, principalmente a PEC dos fundos, a PEC emergencial e a PEC da Regra de Ouro. Essas propostas, se aprovadas, possibilitam um alívio na execução de gastos discricionários, sendo que um dos principais gastos discricionários, aproximadamente R$ 40,0 bilhões/ano, são as emendas parlamentares que são utilizados para financiar investimentos nas bases eleitorais dos parlamentares.

Após o corte de juros efetuado pelo FED, o Baco Central do Brasil (BCB) divulgou nota à imprensa afirmando que tem monitorado os impactos do surto de coronavírus na economia brasileira, deixando claro que está aberto a mudar o rumo da política monetária caso avalie necessário. Entendemos que esse comunicado indica uma mudança de postura do BCB e que o Copom do dia 18 de março deve anunciar uma queda na taxa Selic. O corte deve ser de 0,25 ponto percentual, mas não descartamos um corte até mesmo de 0,5.

Mantemos nossa projeção de recuperação da atividade econômica ao longo de 2020 em ritmo superior ao de 2019. A baixa taxa real de juros, inflação estável e o crescimento da renda, exercerão efeito positivo do consumo e investimento privados. Contudo, devido aos efeitos ainda incertos do coronavírus e da maior aversão global ao risco, reavaliamos a projeção de crescimento para 2020 de 2,5% para 2,2%.

Estratégia de alocação

Com a forte realização dos mercados em decorrência da epidemia do coronavírus, todas as nossas carteiras pela primeira vez performaram abaixo de seus respectivos benchmarks. Assim como havia acontecido no mês anterior, os grandes detratores do resultado foram as nossas posições em renda variável, fundos multimercado e fundos imobiliários. No mês passado, o real sofreu desvalorização de 5,37%, o Ibovespa despencou 8,4%, o IFIX caiu 3,7% e o S&P caiu 8,4%. Os juros de curto prazo (DI Jan/21) e de médio prazo (DI Jan/23) fecharam 28bps, o que ajudou as nossas posições em fundos multimercado a neutralizarem uma pequena parte do resultado negativo do mês (já que todos os fundos MM recomendados carregam posição aplicada em taxa).

Alocação por Perfil do Investidor

Entendemos que ainda é cedo para que possamos fazer uma avaliação mais completa do impacto que essa contaminação terá na atividade econômica mundial. Entretanto, o movimento de realização nos mercados talvez tenha sido exagerado demais. Os mercados parecem que ainda estão buscando um nível de suporte após todas as notícias negativas a respeito da epidemia que vem sendo divulgadas diariamente. Em uma reação a isso, os bancos centrais das principais economias devem seguir vigilantes e ativos para tentar estabilizar os mercados e evitar distorções e impactos diretos na economia real. O movimento de cortes iniciado pelo banco central americano foi seguido por outros países e provavelmente também será seguido pelo BC Brasileiro (mercado já precifica totalmente pelo menos mais um corte de 25bps). A combinação da atuação dos bancos centrais injetando liquidez no sistema, com o efeito deflacionário dessa crise em uma economia mundial já em níveis de inflação extremamente baixos, faz com que, salvo uma tragédia na atividade global (o que ainda não está no radar dos principais agentes), nos parece que talvez estejamos entrando em um ambiente bom para investimentos em ativos de risco (obviamente com um horizonte de longo prazo).

Apesar da alta volatilidade apresentada no mês passado, como trabalhamos com um horizonte de investimentos de longo prazo em nossas recomendações, nosso comitê de investimentos manteve o viés construtivo em relação ao desempenho dos mercados nos próximos meses. Em função dessa visão, mantivemos as alocações de todas as nossas carteiras recomendadas no limite máximo permitido para as exposições a ativos de risco (por favor, vejam a tabela de Alocações por Perfil do Investidor).


Recomendação do Mês

Prezados investidores, gostaríamos de aproveitar esse espaço para apresentar nossa principal recomendação de alocação na categoria Multimercado, o Genial Performance FIC FIM. Esse produto é um fundo de fundos, ou seja, uma carteira composta de investimentos em outros fundos multimercados. Hoje, oito fundos multimercado, geridos pelo que consideramos serem as sete melhores gestoras do Brasil, compõem a carteira do Genial. Isso permite uma diversificação importante já que não estamos “colocando todos os ovos na mesma cesta”, trazendo uma relevante redução de risco no investimento quando comparado com a alocação em um ou dois fundos específicos.

Além da diminuição de risco que uma estrutura de fundo de fundos permite ao investidor final, todos os fundos que alocamos na carteira do Genial Performance estão fechados para novas investimentos. Então o único instrumento disponível para que nossos investidores possam acessar produtos de gestoras como Kapitalo, SPX, Bahia, Kinea, Occam, Legacy e Absolute é através desse produto.

A respeito do processo de seleção dos fundos que farão parte da carteira do Genial Performance, avaliamos várias métricas quantitativas (como por exemplo resultados em várias janelas temporais, volatilidade e Sharpe) para que possamos avaliar a consistência da estratégia. Além das métricas quantitativas, avaliamos critérios qualitativos que consideramos serem de extrema importância para a devida qualificação dos produtos avaliados. Afinal, um produto que tenha somente resultados interessantes não é o suficiente para que possamos considerá-lo um produto de excelência. Damos um peso relevante a experencia da equipe de investimentos, tempo trabalhando juntos e ao alinhamento de interesses que o profissional a frente das estratégias de investimento terá conosco, que estamos investindo o capital de nossos clientes.

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Publicado por Genial Investimentos

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