Índice de Atividade da Genial

Resumo: O IAG segue em queda. Evolução do índice sugere queda da atividade econômica no primeiro
trimestre do ano.

Pandemia, vacinação e atividade

O agravamento da pandemia é um desafio enorme que se impõe ao país. O número a média móvel do de sete dias alcançou 2,6 mil mortes/dino domingo, 130% acima do pico do ano passado. A crise sanitária impõe
um desafio enorme para a atividade no curto prazo

Nosso índice de atividade de frequência diária (IAG), apresenta forte queda desde final de fevereiro. Os indicadores de mobilidade urbana e número de voos comerciais recuam fortemente devido ao agravamento da pandemia e não há expectativa de reversão no curto prazo. Na última semana, os indicadores de confiança relativos a março recuaram fortemente (medidos pelas sondagens da FGV), confirmando o que o IAG aponta: forte arrefecimento na atividade econômica entre fevereiro e março.

Indicadores apontam um mergulho da atividade de serviços e comércio em março. A atividade industrial parece estar em arrefecimento em ritmo lento, ainda beneficiada pelo momentum positivo do último trimestre e elevação dos preços internacionais de commodities. De fato, o consumo da energia no mês de março tem sido puxado pela metalurgia, extração mineral e químicos. Caso a pandemia não apresente arrefecimento, é inevitável queda mais acentuada também no setor industrial.

Contudo, a elevação recente no ritmo de vacinação é uma notícia positiva frente ao cenário tão desafiador. A média móvel de sete dias do número de doses aplicadas subiu de 384 mil doses/dia para 605 mil doses/dia na última semana. O Ministério da Saúde tem um cronograma de entrega de vacinas que, se efetivamente cumprido, serão entregues 47,2 milhões de doses ao longo de abril, o que possibilita o país encerrar abril aplicando cerca de 1,5 milhão de doses dia.

O cronograma do ministério depende de vacinas que serão importadas e de produção nacional. Mesmo que as importações não se materializem, a Fiocruz e o Instituto Butantan planejam entregar 21 milhões de doses e 15,7 milhões de doses, respectivamente.

Orçamento em disputa

O Congresso finalmente aprovou o orçamento desde ano, com mais de três meses de atraso, abrindo caminho para aprovação de outras matérias que são de interesse do governo. Contudo, o Congresso parece ter usado o texto do PLOA para dar um primeiro passo na campanha eleitoral de 2022. Pelo texto aprovado, o Congresso deve controlar um total de R$ 48,8 bilhões em emendas parlamentares neste ano, movimento que aumenta os recursos para obras e projetos de interesse eleitoral.

O valor de emendas parlamentares foi inflado com R$ 26 bilhões em emendas de relatoria. Para que isso fosse possível sem desrespeitar o teto de gastos, os parlamentares cortaram R$ 26 bilhões em rubricas de despesas obrigatórias via dois mecanismos (leia-se malabarismos contábeis criativos):

1) Redução nas estimativas dos gastos: i) redução de R$ 13,5 bilhões na projeção de gasto com INSS com base em uma futura Medida Provisória antifraude que o governo deve lançar nas próximas semanas (ou seja, ainda não foi aprovada); ii) redução de R$ 2,6 bilhões na projeção de gasto com seguro-desemprego;
2) postergando pagamentos: i) mudança no pagamento do auxílio-doença de forma que as empresas paguem o auxílio podendo, mais tarde, abater o montante de tributos devidos; ii) adiamento para 2022 do pagamento do abono salarial devido a quem trabalhou com carteira assinada em 2020, o que abre R$ 7,4 bilhões no orçamento deste ano (medida que foi aprovada pelo conselho do FAT).

O segundo mecanismo é preocupante pois caracteriza subterfúgios para fugir do teto. Contabilidade criativa pelo lado da despesa. Com isso o governo precisará cortar gastos discricionários (valor pode ficar em torno de R$ 40 bilhões) e se comprometeu em fazer ajustes posteriores, via créditos extraordinários, para recompor cortes em saúde, educação e no Censo, que será realizado pelo IBGE. Aumenta o risco fiscal enquanto o Ministério da Economia terá que agir para não “furar” o teto.

O texto aprovado segue para sansão presidencial. Acontece que as emendas de relatoria não são impositivas (apenas as individuais e de bancada), portanto, o presidente Jair Bolsonaro terá que decidir se corta recurso das emendas do relator, ou reduz parcela de investimentos, não ligados às emendas do relator, de seus ministérios. Eventuais vetos presidenciais podem gerar tensão com parlamentares.

Dados de Frequência Diária

Agenda da Semana

Frequência Mensal – Indústria

Indústria: Para fevereiro nossa projeção indica variação 0% m/m e 2,5% a/a. Para março, todos os indicadores antecedentes apontam arrefecimento no setor.

Setor de Serviços

Serviços: Não houveram divulgações na última semana.

Setor de Varejo

Varejo: Não houve divulgações na última semana. Para fevereiro, os indicadores antecedentes apresentam resultados mistos. Contudo, a sondagem do comércio, mensurada pela FGV, indica forte queda no volume de negócios em março.

Demais Indicadores

Demais Indicadores: A sondagem da construção, mensurada pela FGV, indica recuo significativo em março. Adicionalmente, a confiança do consumidor recuou fortemente entre fevereiro e março.

Mercado de Trabalho

Pnad: Na quarta o IBGE divulga a taxa de desemprego referente ao trimestre encerrado em janeiro. Projetamos taxa de desemprego de 14,2% em janeiro com crescimento da força de trabalho acima do crescimento da população ocupada.

Sobre o IAG

O Índice de Atividade da Genial (IAG) é um indicador de frequência diária que tem como objetivo monitorar o ritmo de recuperação da atividade econômica brasileira.

Esse índice diário não se propõe a ser uma proxy do PIB, ou seja, não substitui o modelo de projeção de PIB da Genial (o qual inclui muitas outras variáveis econômicas de frequência mensal). Dessa forma, um indicador não substitui o outro, são duas formas complementares de acompanhar a retomada do nível de atividade. O IAG tem frequência diária e se propõe a acompanhar a evolução da velocidade da retomada da atividade no dia a dia, enquanto a nossa projeção de PIB dá uma ideia do cenário como um todo, e é calibrado para gerar estimativas para os trimestres à frente.

O IAG tem alta correlação com índices mensais de atividade e possui alto poder preditivo sobre as variações mensais do IBC-BR (indicador mensal de atividade divulgado pelo Bacen).

O IAG é construído por uma média ponderada dos seguintes dados de frequência diária: consumo de energia elétrica, indicadores de mobilidade urbana da Apple, emissão de notas fiscais eletrônicas no estado do Rio Grande do Sul e número de voos diários no Brasil.*

O índice é construído de forma que toma o valor de 100 para o nível de atividade médio antes do surto de COVID-19 (entre 1º de janeiro e 15 de março). Dessa forma, o IAG representa o nível de atividade corrente em relação ao período pré-surto.

*Os valores defasados do IAG podem mudar em decorrência de alterações na divulgação de dados da Apple, ONS, Fenabrave ou Air Radar. É natural que haja revisão de dados das fontes citadas, por isso o IAG defasado pode ter alterações. Também pode haver alterações devido a divergências no horário de divulgação dessas diferentes fontes. Contudo as alterações tendem a ser pequenas, de forma que não influenciam a tendência 10-15 dias do índice.

Equipe Macro
José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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