A propaganda eleitoral no rádio e na TV começou na última sexta-feira.

Geraldo Alckmin age em duas frentes:

a) apresenta-se como o candidato mais experiente e com capacidade de unir o País, e
b) age para desconstruir a imagem de Jair Bolsonaro, que conquistou parte importante do eleitorado tradicional do PSDB. A coligação do PSDB detém quase metade do horário eleitoral e das inserções.

Ao contar a história de uma menina paraense que veio se tratar de um câncer em SP, Alckmin apresenta-se ao eleitor como candidato “cabeça e coração”. Por enquanto, não há bala de prata contra Bolsonaro, apesar da inegável qualidade da propaganda do tucano ­­– muito superior ao visto nas últimas campanhas do partido.

A aposta é, com o grande tempo de TV disponível, repetir à exaustão inserções que consolidem a rejeição a Bolsonaro entre mulheres e eleitores de renda mais baixa. Não se pode duvidar da eficácia de campanhas negativas, haja vista a experiência recente do PT contra Marina Silva em 2014. Outra questão é se Alckmin conseguirá se beneficiar da eventual queda de Bolsonaro e, finalmente, decolar. De qualquer forma, é pouco provável que o tucano cresça nesses primeiros dias de campanha. É preciso aguardar ao menos algumas semanas para verificar a eficiência da estratégia adotada. O desempenho de Alckmin dirá se a campanha na televisão e a influência das mídias sociais continua relevante.

Em sua propaganda, o PT critica a decisão da Justiça brasileira de impedir a candidatura de Lula e reafirma a luta pelo direito de ele se candidatar; Fernando Haddad é apresentado como “representante” do ex-presidente. O PT se beneficia da decisão do TSE de permitir que o partido apresente o candidato a vice, Haddad, na propaganda eleitoral até que o partido escolha oficialmente um novo candidato à presidência. Na verdade, o PT aproveita esse prazo concedido como período de transição para que o eleitor compre a ideia de que Lula foi alvo de uma injustiça e que Haddad foi escolhido por ele para liderar seu projeto. A estratégia petista é enfatizar a impopularidade de Temer e propor retorno aos anos Lula, marcados pelo crescimento econômico e pela redução da pobreza. As falas do ex-presidente, gravadas antes da prisão, continuarão a ser apresentadas, já que ele não pode apresentar-se como candidato, mas pode pedir votos ao partido. Ainda há dúvidas sobre a quantidade de votos que Haddad herdará de Lula e o tempo necessário para que isso aconteça.

Henrique Meirelles utilizou o tempo do MDB para se apresentar ao eleitor. Ele enfatizou sua capacidade de tirar o Brasil da crise, seu trânsito com diferentes políticos (de Lula a Temer) e o fato de não responder a nenhum processo. Talvez tenha sido o candidato que melhor se comunicou com o eleitor; no entanto, seu pouco carisma e a rejeição a Temer o impedem de sonhar com voos mais altos.

Dentre os demais candidatos, com pouco tempo na TV, Marina Silva falou diretamente às mulheres. Ciro Gomes enfatizou o slogan “vou tirar seu nome do SPC”. Bolsonaro mal teve tempo de dizer o nome de sua coligação “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, economista (FEA-USP) e cientista político (FFLCH-USP).

Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, responsável pela avaliação do cenário político-eleitoral brasileiro. Ribamar é economista graduado pela FEA-USP e mestrando em Ciência Política na FFLCH-USP. Em sua dissertação de mestrado, analisa o tema “Coalizão de governo e crise de governabilidade no período Dilma Rousseff

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *