A grande dúvida e, ao mesmo tempo, certeza sobre o governo de Jair Bolsonaro é a aprovação da Reforma da Previdência. Dúvida porque não é fácil ter sucesso neste tema, vide o roteiro recente. Certeza porque sabe-se que, sem ela, a economia brasileira encontrará rapidamente um abismo perigoso. Por isso, e pela agenda de outras reformas e mudanças necessárias para direcionar o País ao crescimento sustentável e robusto, o Congresso Nacional é o termo mais repetido pela equipe econômica.

Em conversas com integrantes do Ministério da Economia, de Paulo Guedes, fica claro que o objetivo maior continua sendo a previdência, mas o esforço sobre a pauta da desburocratização, da desregulamentação, do “mais Brasil, menos Brasília”, continua ganhando força. Há muitas coisas a se fazer para “tirar o Estado do cangote de quem produz”, mas a maioria delas depende do parlamento. A boa notícia é que são reformas que demandam menor articulação política porque não exigem mudança da Constituição.

O economista Carlos da Costa, que chefia a Secretaria da Produtividade, Emprego e Competitividade, chamou para sua pasta advogados e economistas com experiência pública e privada e prometeu, mais do que medidas, diálogo com o setor produtivo para agir em sintonia com as demandas mais importantes. E avisou, “a única coisa que não poderão pedir aqui são: subsídios, proteção e mais gastos. Isso acabou!”, disse na cerimonia de posse dos subsecretários de sua pasta.  

A conta de benefícios tributários, isenções fiscais, subsídios e afins já passa de R$ 350 bilhões, e desamarrar este cipoal de regras, leis e autorizações vai demandar muito mais do que esforço de equipe e vontade política. Nas duas últimas décadas, quem se aproximou do Congresso Nacional ou do Poder Executivo com um pedido esdrúxulo foi atendido com uma regrinha quase que exclusiva. No diálogo prometido por Carlos da Costa, certamente haverá chororô e justificativas para manutenção de um ou muitos agrados com dinheiro público.

Na fila de cumprimentos que se formou após a cerimônia da Secretaria da Produtividade em Brasília, os empresários se dividiam entre a esperança e a cautela. Esperança porque ouvem música quando o novo governo fala em redução do Custo Brasil, reformas e mudanças “nunca vistas”. Cautela, especialmente dos representantes de grandes entidades, porque “as coisas não podem mudar assim de supetão”, me disse um grande empresário ressabiado com o que está por vir.  

Com ou sem ressalvas, o entusiasmo com o novo governo é real e os índices de confiança corroboram a grande expectativa pelo sucesso de tantas promessas. Sem querer estragar a festa, ou ser o chato de plantão, entre o otimista e o pessimista está o realista. Talvez seja este o melhor personagem a ser acolhido neste momento no Brasil. 

Thais Heredia

Thais Heredia

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

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