No escaninho dos indicadores econômicos, o Brasil realizou a profundidade do impacto que a paralisação dos caminhoneiros, por 11 dias, causou. A inflação disparou em junho, para 1,26%, na maior alta do IPCA desde 1995. No acumulado em 12 meses, o índice subiu de 2,86%, em maio, para 4,39% no mês passado. O mesmo salto, só para queda, deu a indústria. Segundo IBGE, a produção industrial recuou 10,9% em junho, derrubando a produção de veículos em quase 30%.

Mercado financeiro e negócios

No escaninho do mercado financeiro, a semana foi de altos e baixos, mas com menor intensidade do que semanas anteriores. Tanto bolsa de valores quanto dólar tiveram desempenhos negativos, mas sem que houvesse uma disparada, ou intervenções mais pesadas do Banco Central. O que parece é que está havendo um ajuste mais fino, para pior, das expectativas do que nos reserva o segundo semestre.

Do escaninho dos negócios vieram as boas notícias da semana. A de mais destaque, mesmo tendo causado perda no valor das ações, foi o acordo entre Embraer e Boeing, que finalmente saiu. A criação de uma joint venture para a aviação comercial ainda não tem nome, mas já tem cara e valor: US$ 4,75 bilhões, sendo que US$ 3,8 vão para a empresa brasileira. A novidade, que gerou estresse no mercado, foi saber que uma outra joint venture será criada para aviação de defesa – essa não tem nome, nem valor, nem detalhe algum. Coisa que investidor não gosta é ficar no escuro.  De qualquer forma, é positivo e importante saber que a Embraer vai se reposicionar no mercado mundial de aviação, para além do que ela já havia conquistado sozinha.

Eletrobrás e Petrobras

Com menos destaque, mas com maior importância, tanto para a economia, quanto para as contas públicas, foi a liberação para os leilões das distribuidoras da Eletrobrás, com a aprovação do projeto de lei na Câmara dos Deputados. Com risco altíssimo de liquidação, que geraria um passivo enorme à estatal, os leilões das seis distribuidoras devem mesmo acontecer no próximo dia 26, passando por cima da decisão estapafúrdia do ministro Ricardo Lewandowsky de proibir privatizações sem o consentimento do Congresso Nacional.

A outra vitória foi da Petrobras, que foi liberada pelo Tribunal de Contas da União, TCU, para realizar leiloes de barris excedentes da cessão onerosa, até o final do ano. A promessa desta operação é de nada menos do que R$ 100 bi para os cofres do governo. O TCU, que vem tendo uma atuação mais consistente e proativa no que tange o patrimônio público, dessa vez se atrapalhou e quase atrapalha a vida da Petrobras e do Tesouro Nacional. O Tribunal teve que criar uma regra de transição para uma nova regra que instituiu para os processos de leilões públicos.

Confiança

Entre trancos e barrancos, o Brasil avança – inclusive na Copa do Mundo. Nesta sexta-feira, 06 de julho, o Brasil enfrenta a Bélgica por uma vaga nas semifinais do mundial. O resultado ainda não era conhecido quando escrevi esta coluna. Voltando ao mundo real, o país vai atravessando 2018 deixando muitas expectativas pelo caminho. (Esta que vos escreve torce pela vaga da seleção no futebol). Os prejuízos causados pela paralisação dos caminhoneiros só começam a aparecer nos índices. Há uma esperança e uma leitura dos dados disponíveis de que o susto maior ficará restrito a junho.

O que ainda não se sabe e não é possível projetar, é como o abalo na confiança de empresários e consumidores vai atuar neste próximo semestre. Todos os indicadores de confiança calculados no Brasil estão em queda, com recuo mais forte no mês passado. O que já sabemos é que dificilmente teremos um PIB maior do que 1,5% em 2018, um Pibinho perto da promessa de até 3% do começo do ano.

O que continua tudo igual, ou melhor, bem pior, é o quadro eleitoral. Um espetáculo de despreparo, desrespeito pelos fatos, sem falar na fogueira de vaidades que cresce entre todos os pré-candidatos, numa disputa que não terá nenhum resultado positivo para o país. As pesquisas mostram que vai ser difícil que, qualquer um que seja eleito, carregue uma quantidade suficiente de legitimidade para governar. Se quem vencer acertar nas escolhas mínimas, será mais um golpe de sorte do que de planejamento.

Vai Brasil.

Thais Heredia

Thais Heredia

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

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