“Privatização é palavra de ordem”, disse o empresário e pré-candidato à presidência da República pelo PRB, Flávio Rocha, em evento no banco Brasil Plural, em São Paulo, nesta terça-feira (18).

Ex-presidente das Lojas Riachuelo, Rocha defendeu seus ideais liberais, incluindo a privatização da Petrobras, para uma plateia formada por clientes da Opus Genial, braço de gestão de fortunas da GENIAL em parceria com o Grupo Opus.

Rocha foi o principal convidado do evento “Eleições 2018: o que esperar?”, mediado pelos jornalistas Thais Heredia e Gabriel Azevedo. Ao ser perguntado sobre se privatizaria empresas como Petrobras e Banco do Brasil, Rocha afirmou “sem dúvidas”.

“Se a Petrobras é eficiente, não precisa do monopólio. Se ela é ineficiente, deve ser privatizada”, afirmou.

Crítico da ineficiência do Estado brasileiro, ao qual ele chama de “máquina de não fazer” e “carruagem”, Rocha comparou a presidência à gestão de uma empresa e defendeu o aumento da liberdade econômica como prioridade.

Afirmou ser preciso transformar o “Estado-Corte” em um “Estado-Servidor” e despertar “quem sua a camisa e paga impostos”.

À questão sobre quem seria seu Ministro da Fazenda, Flávio Rocha deu resposta inusitada, que provocou certa surpresa aos presentes: Henrique Meirelles, também pré-candidato à Presidência e seu possível oponente na disputa.

O empresário definiu Meirelles como alguém “perfeitamente alinhado” às suas ideias e que “obteve sucesso mesmo em um cenário hostil”. Afirmou que faria um convite quando Meirelles tivesse “outro projeto” que não a Presidência da República, mas não deu outro nome caso isso não fosse possível.

Reformas

Além das privatizações, outra defesa liberal de Rocha foram as reformas. “É consenso que não há saída sem reformas”, disse.

O pré-candidato defendeu as reformas em quatro frentes. A primeira seria a Reforma Trabalhista. Ele lembrou que ela já foi aprovada pelo Congresso no ano passado, mas ainda sofre ameaças para ser implementada.

A segunda reforma seria a da Previdência, que, segundo ele, estaria sendo desidratada ao não tocar em questões como o problema da capitalização e das super aposentadorias.

A terceira seria a reforma do Estado, onde entrariam os planos de privatização das empresas estatais.

E finalmente, a quarta frente seria a Reforma Tributária. Rocha disse que tem se reunido como professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marcos Cintra, idealizador da proposta de imposto único.

“O ideal seria uma reforma tributária que tenha como base um sistema de impostos mais universal”, afirmou Rocha.

Questionado sobre a reforma política, porém, o pré-candidato disse que ela deve ser discutida dentro do contexto de mudança do pacto federativo e do voto distrital. Ele defende uma descentralização dos recursos tributários. “Hoje 80% dos recursos vão para Brasília e ficam lá. O dinheiro tem que estar nos municípios”, afirmou.

Financiamento de campanha

Embora seu partido tenha acesso ao fundo eleitoral, Rocha destacou sua “situação única” de poder financiar a própria campanha com recursos próprios e disse que não vai usar recursos públicos na campanha.

Às questões sobre negociação com o Congresso e posição no espectro ideológico, o empresário foi mais evasivo.

Perguntado diretamente por Gabriel Azevedo, Rocha afirmou que não se aliaria, se fosse para o segundo turno, a pré-candidatos como Manuela d’Ávila (PCdoB) ou Guilherme Boulos (PSOL), mas “provavelmente” a nomes como Geraldo Alckmin (PSDB) e Álvaro Dias (Podemos).

Mas se não for para o segundo turno, disse que não apoiaria ninguém e “voltaria para casa”. “Não quero ser coadjuvante, mas estou do lado de quem produz”, disse.

O nome de Flávio Rocha foi testado pela primeira vez na última pesquisa eleitoral do Datafolha, divulgada no último domingo (15). As intenções de voto do candidato são próximas de 1% em todos os cenários apresentados.

Rocha acredita no poder das redes sociais para tornar seu nome conhecido entre os eleitores, mesmo com um período eleitoral reduzido para 45 dias neste ano. “Acho que é tempo suficiente [para se tornar conhecido] pela originalidade do projeto”, disse.

Ele usou como exemplo a adesão ao movimento Brasil 200, do qual é um dos fundadores. Segundo Rocha, com menos de um mês de existência, o movimento já tinha 300 mil seguidores nas redes sociais.

Nos últimos 10 anos, período no qual Rocha esteve à frente da Riachuelo, as ações da Guararapes (GUAR3), sua controladora, subiram 250%, frente a 35% do Ibovespa e 175% do CDI. Em 2017, o papel foi um dos mais valorizados no ano.

Liberal na economia, conservador nos costumes

Rocha afirmou que suas propostas de campanha não vão ficar confinadas ao “economês” e que é preciso “sujar o sapato no terreno pantanoso dos valores”.

Além de se posicionar como liberal na economia e defensor “de quem produz”, o pré-candidato se colocou como conservador nos costumes e avesso ao “politicamente correto”, confirmando ser um nome contrário aos valores da esquerda.

Para ele, muitos pré-candidatos evitam se posicionar em relação a assuntos espinhosos quanto aos costumes, como legalização do aborto, liberalização do porte de armas e redução da maioridade penal, que seriam pontos muito mais relevantes para a população em geral do que questões econômicas.

Apesar disso, Rocha faz questão de se distanciar do pré-candidato pelo PSL Jair Bolsonaro, que seria conservador nos costumes, mas de esquerda na economia. “A ditadura foi mais estatizante que o governo do PT”, afirmou.

Para Rocha, muitos eleitores constrangidos com o radicalismo de certos posicionamentos do pré-candidato do PSL gostariam de um “Bolsonaro light”, o que ele, no entanto, negou ser.

O empresário também critica a ideia de polarização muito vigente hoje na sociedade brasileira, afirmando que a luta de classes e a oposição capital versus trabalho é um “conflito artificial que não cola mais”.

“A verdadeira polarização se dá entre quem produz e quem parasita, o corporativismo que se apropriou do Estado”, disse.

Confira os melhores momentos da entrevista com Flávio Rocha:

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