Na semana passada, a equipe da Genial Investimentos esteve em Brasília e conversou com dezenas de parlamentares, dentre eles, alguns líderes partidários. A grande maioria dos parlamentares não acredita que haverá grandes alterações no modo como sempre funcionou a articulação do Executivo com o Congresso. Eles avaliam que Bolsonaro fez um gesto ao eleitor ao nomear um ministério técnico e negociar preferencialmente com as bancadas temáticas. Mas ninguém acredita que o novo presidente conseguirá sustentar a estratégia.

Articulação política do novo governo

A disposição de Bolsonaro em receber as bancadas dos partidos na última semana já seria sinalização nesse sentido. São os partidos que definem a pauta e encaminham votações no Legislativo. Em relação às nomeações, há compreensão de que não há espaço para politização de cargos do primeiro escalão. Mas também há a avaliação de que Bolsonaro não disporá de quadros suficientes para compor toda a estrutura do governo e que é questão de tempo para que os partidos possam indicar nomes para cargos de segundo e terceiro escalão.

Reforma da Previdência

A maior parte dos deputados avalia ser inevitável a aprovação da reforma da previdência. Esse diagnóstico está presente até mesmo na esquerda – embora não haja compromisso desses partidos em apoiar a reforma a ser proposta pelo novo governo. O principal ponto de discussão, mais do que a idade mínima, está na regra de transição a ser estabelecida.

Os parlamentares são unânimes em afirmar que é preciso apoio firme e claro de Bolsonaro sobre a proposta a ser apresentada e, além disso, que o PSL formalize apoio à reforma. Muitos parlamentares têm dúvidas acerca do apoio do partido do presidente, sobretudo pela presença de tantos militares entre os eleitos pelo PSL.

Posição dos partidos em relação ao novo governo

O MDB, principalmente a ala mais próxima a Michel Temer, se mostra disposto a colaborar com Bolsonaro. Alguns deputados afirmam que é questão de tempo até o partido integrar formalmente o governo. A indicação de Osmar Terra para o ministério da Cidadania foi muito bem recebida e alguns deputados não reeleitos deverão integrar a equipe do novo ministro.

O PSDB também se mostrou disposto a cooperar com Bolsonaro. Embora o partido prefira dizer que dará seu apoio somente às pautas econômicas, integrantes do partido já foram indicados para integrar o governo. A análise predominante na bancada é que o partido não tem outra opção a não ser apoiar Bolsonaro, sobretudo pela oposição que sempre fez ao PT.

O PR foi o primeiro partido a apoiar formalmente o novo governo. A articulação do apoio passou pela direção nacional da legenda, que enxerga possibilidades de filiar novos deputados que estiverem em busca de maior interlocução com o governo. O partido indicou dois deputados para integrarem a Casa Civil e espera se fortalecer como principal partido do centrão na nova legislatura.

O PP, maior partido do centrão e terceira maior bancada da Câmara, por enquanto, tem sido deixado de lado por Bolsonaro. Alguns parlamentares do partido se mostram bastante críticos à condução política do novo presidente. O partido, que foi decisivo para o impeachment de Dilma e para a sustentação de Temer, teme perder espaço para outras legendas, como o PR.

No DEM, há desconforto visível entre deputados mais próximos ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em razão da possível intromissão do novo governo na disputa pela presidência da Casa. Já deputados do partido que não foram reeleitos estão dispostos a participar da articulação e integrar a equipe do correligionário Onyx Lorenzoni na Casa Civil.

Abra sua conta - CTA
Disputa pela presidência da Câmara

Na Câmara, há muitas pré-candidaturas colocadas à presidência. Rodrigo Maia (DEM-RJ) é tido como forte candidato à reeleição, sobretudo pelo bom trânsito que possui com parlamentares de esquerda – que somarão cerca de 150 deputados. O outro candidato tido como forte competidor é João Campos (PRB-GO), membro das bancadas da bala e evangélica e avaliado como o preferido de Bolsonaro. O atual vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (MDB-MG), corre por fora e pode surpreender. Ele tem bom trânsito com parlamentares do baixo clero e, se conseguir ir ao segundo turno, poderá vencer. Esse é um cenário de risco. Enquanto Campos e Maia têm compromisso com a agenda de reformas, Fábio Ramalho é tido como um nome que pode desorganizar a articulação do governo na Casa.

Disputa pela presidência do  Senado

No Senado, a única candidatura de fato colocada até o momento é a de Renan Calheiros (MDB-AL), que sabidamente não agrada ao presidente eleito. Um nome para bater Renan precisará conseguir unir a centro-esquerda e aliados de Bolsonaro, o que não é tão trivial. Ainda é cedo, no entanto, para uma avaliação mais precisa em razão da elevada renovação na Casa. Os nomes até agora aventados – Simone Tebet (MDB-MS) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) – ainda são vistos com desconfiança. Simone precisa superar Renan na bancada do MDB. Tasso é visto como nome mais forte – e por isso tem sido atacado por Renan –, mas ele ainda não mostrou disposição maior em concorrer. O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) corre por fora e não pode ser descartado. A avaliação predominante é que Renan só apresentará sua candidatura se tiver condições de vitória.

Veja mais:
Poupança ou Tesouro Direto? O que é melhor?

Abra sua conta - CTA

Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, responsável pela avaliação do cenário político-eleitoral brasileiro. Ribamar é economista graduado pela FEA-USP e mestrando em Ciência Política na FFLCH-USP. Em sua dissertação de mestrado, analisa o tema “Coalizão de governo e crise de governabilidade no período Dilma Rousseff

Contentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *