A pouco mais de duas semanas da posse, o presidente eleito Jair Bolsonaro conseguiu apagar as chamas das intrigas internas do seu partido, o PSL, e ao que parece, botou ordem na casa. Agora, a meta é assegurar apoio do maior número possível de parlamentares e estabelecer maioria no Congresso. Tudo indica que as tratativas com esse objetivo deslancharam nos últimos dias.

O PSL, com uma bancada de 52 parlamentares, recuou do discurso de reivindicar a presidência da Câmara a qualquer custo e também informou que não mais disputará a liderança do governo na Casa. Para quem ouviu os líderes da legenda logo após o segundo turno eleitoral, o tom é muito mais brando e de abertura ao diálogo. “É conversando que a gente se entende”, sinalizam os porta-vozes do presidente no Congresso.

Os termos “coalização”, “governabilidade” e “maioria qualificada” voltaram a ser usados com desenvoltura em Brasília nos últimos dias. O objetivo é estabelecer uma base de negociações que encorpe o bloco governamental e, ao mesmo tempo, demonstre aos futuros aliados que o presidente não será intransigente nas conversações com as siglas que lhe derem apoio.

O PSD e o PR são os principais convidados à mesa neste momento. O partido comandado por Kassab, inclusive, passou a ostentar a condição de aliado do presidente para ampliar sua bancada e se mostrar mais forte no ano que vem. Nesse sentido, já assegurou a filiação do senador eleito Carlos Viana (ex-PHS), de Minas Gerais, e deve confirmar em breve a chegada do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, às hostes partidárias.

Quanto ao PR, a situação já está resolvida. O líder do partido na Câmara, deputado José Rocha, anunciou na semana passada, após reunião da bancada da sigla com o presidente eleito, que a legenda apoiará oficialmente o futuro governo. Não se esperava outra atitude do PR, que sempre se caracterizou por integrar as bancadas governistas. Foi assim com Lula, Dilma e Temer. Por que agora seria diferente?

Outras legendas na alça de mira do futuro governo são o PTR e o PSDB. Com o PTR, não há nenhuma dificuldade no estabelecimento de uma aliança política. Quanto aos tucanos, envolvidos numa batalha interna nada edificante, assim que João Doria, governador eleito de São Paulo, detiver o controle total da sigla e criar o “novo PSDB”, o noivado com o governo Bolsonaro também será oficializado.

Se pelo lado da situação as negociações evoluem bem, no campo da oposição os sinais não são otimistas. A criação de uma frente de esquerda e centro, para se contrapor politicamente ao futuro governo, ainda não saiu do campo das intenções. O PT, dono da maior bancada da Câmara, com 56 parlamentares, reivindica a primazia de liderar esse movimento, mas há resistência de outras siglas, em especial do PDT, liderado por Ciro Gomes.

Gabriel Azevedo

Gabriel Azevedo

Gabriel Azevedo é formado em Jornalismo, em Publicidade e em Direito, área na qual obteve seu mestrado. Atua como professor de Direito Constitucional e é diretor da JusBrasil. Entre 2011 e 2014, foi Subsecretário de Estado de Juventude do Governo de Minas e em 2017 assumiu seu primeiro mandato como vereador de Belo Horizonte. No MyNews participa do programa “Segunda Chamada”, apresentado por Antonio Tabet, todas as segundas-feiras, às 20h30.

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