Começou a campanha eleitoral. Pelo menos é o que mostra o comportamento dos principais ativos financeiros. Dólar, juros e Bolsa, refletiram em boa parte o início da corrida para o Palácio do Planalto.

A desvalorização do câmbio refletiu o andamento do humor no mercado externo. Mas está claro que o componente risco eleitoral também temperou uma parte da alta do dólar no mercado interno. Quanto é de um e quanto é de outro ainda é cedo para saber. Mas está claro para os agentes financeiros que a temperatura da campanha eleitoral começa a subir no mercado.

A decisão do Comitê de política Monetária (Copom)

A decisão do Comitê de política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros, Selic, em 6,5% é um sinal claro que também o Banco Central está preocupado com o comportamento do câmbio e seu potencial repasse para inflação. A grande maioria de analistas, gestores e economistas apostavam em mais um corte e que a taxa chegasse aos 6,25%. Foram muitas as sinalizações do Banco Central neste sentido.

Mas a expectativa não se confirmou e a manutenção das taxas acabou por gerar perdas em muitos fundos multimercados que haviam montado posições esperando o corte.

O risco Brasil que estava comportado também mostrou que foi uma semana que marca o início da corrida eleitoral. Os contratos de CDS (sigla em inglês para swap de default de crédito) chegou ao maior nível de agosto do ano passado. São títulos que funciona como uma espécie de seguro contra o calote da dívida e, por isso, refletem o humor dos investidores em relação ao País. Mesmo os conservadores títulos do Tesouro Nacional sentiram o baque e as operações no Tesouro Direto chegaram a ser suspensas dado o aumento da oscilação de preços.

Enfim, a volatilidade, oscilação de preços dos ativos, voltou e tende a aumentar. É um período em que gestores de fundos multimercados mais habilidosos costumam achar um campo fértil de oportunidades para gerar ganhos aos seus cotistas. No entanto, atenção. Volatilidade é sinônimo de risco.

Um mercado com uma volatilidade maior exige sua atenção para aproveitar oportunidades, mas fundamentalmente para se proteger. E a melhor proteção é saber exatamente quais os prazos de seus recursos.

Dinheiro de curto prazo em aplicações de maior risco, indicadas apenas para recursos de médio e longo prazo, pode machucar investidores. Mas em momentos de maior tensão é um erro que costuma custar muito caro.

* Mara Luquet escreve todas as quartas-feiras para o blog GENIAL. Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Idealizadora do MyNews, primeiro canal de jornalismo feito exclusivamente para o YouTube, Mara é jornalista especialista em economia e investimentos. Tem passagens pelos jornais Valor Econômico, Folha de S. Paulo e revista Veja, além de ter sido colunista da CBN e comentarista de jornais da Globo e GloboNews. Apresenta o programa “Economia é Genial” todas as quintas-feiras no canal MyNews, às 20h30.

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