• O Banco Central (BCB) manteve a taxa Selic em 2% a.a.
  • A novidade do comunicado ficou por conta do anúncio explícito do uso de forward guidance como instrumento adicional de política monetária. Sob esse instrumento o BCB anuncia a trajetória futura da taxa Selic condicional a certos eventos específicos.
  • O BCB não pretende subir a taxa Selic a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária (2021 e em menor grau 2022).
  • As projeções do Copom para a inflação subiram marginalmente de 1,9% para 2,1 em 2020, e reduziram-se marginalmente de 3% para 2,9% e de 3,4% para 3,3% em 2021 e 2022, respectivamente (cenário com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$ 5,30/US$).

Dois pontos de destaque no comunicado:

  1. O Copom manteve a possibilidade de novos cortes. Porém, voltou a ressaltar que existe menos espaço para um corte adicional. Não fechou a porta para mais cortes devido à alta incerteza.
  2. No comunicado anterior, o Copom já havia alertado que não subiria juros sem que as expectativas de inflação subissem. Ou seja, já tinha feito uso de forward guidance (ferramenta adicional de política monetária). Contudo, desta vez o comitê fez questão de explicitar que esse movimento é uma “prescrição futura”, deixando claro o uso dessa ferramenta, ou seja, não antevê aumento de Selic a menos que haja deterioração da percepção fiscal e/ou mudança significativa nas expectativas de inflação para 2021 e, me menor grau, para 2022.*

Vale ressaltar que o Copom condicionou essa trajetória à manutenção do atual regime fiscal (ou seja, o teto dos gastos).

Mantemos nossa projeção de que o BCB manterá a taxa Selic em 2% pelo menos até o fim deste ano.

*As expectativas de inflação para 2021 estão entre 2,9% – 4,34% frente a meta de 3,75% com intervalo de 1,5 ponto percentual. Ou seja, as expectativas estão dentro do intervalo da meta para o ano que vem (as projeções do BCB apontam inflação de 2,9%, a mediana da pesquisa FOCUS aponta 3%, e a inflação implícita está em 4,34%).

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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