• O Banco Central (BCB) reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual. A meta agora é de 3,75% a.a.
  • O Comitê enfatizou que vê como adequada a manutenção da Selic no novo patamar, mas não fechou a porta para novos cortes nas próximas decisões. Segundo o Copom, o elevado grau de incerteza do momento exige cautela.
  • O comunicado destacou que apesar dos recentes estímulos monetários nas principais economias (o que tende a afrouxar as condições financeiras nos países emergentes), o surto de coronavírus está provocando desaceleração do crescimento mundial, queda no preço de commodities e muita volatilidade. O resultado líquido é um ambiente mais desafiador para os países emergentes.
  • As projeções para a inflação de caíram para 2020 e 2021 nos dois cenários projetados pelo BCB.

Evolução das quatro principais variáveis para a tomada de decisão (desde a última reunião do Copom em fevereiro):

1 – Expectativas de inflação: Na última semana recuaram significativamente. As inflações implícitas e extraídas da pesquisa Focus encontram-se entre 1% e 1,5% abaixo da meta de 4% para 2020. Com a queda forte no preço de commodities e com os efeitos adversos do coronavírus na atividade, devemos ter um choque deflacionário significativo no segundo trimestre deste ano. Contudo, há muita incerteza de como os preços vão reagir à medida que a atividade econômica volte a crescer ao longo do segundo semestre. Além disso, o horizonte relevante para as próximas decisões de política monetária passa a ser 2021, por isso a insistência do BCB em manter cautela.

Expectativa de Inflação, %

2 – Projeções condicionais do próprio Bacen: Caíram em todos os cenários de projeção (tabela acima). Desde junho de 2019 as projeções do BCB ficam sistematicamente abaixo da meta do ano.

3 – Atividade econômica: Os dados agregados divulgados até agora ainda não mostram os efeitos do coronavírus na atividade. Porém, os efeitos serão enormes no segundo trimestre. O fechamento de estabelecimentos, locais públicos e serviços de maneira geral implicará em uma forte retração econômica no segundo trimestre. Os efeitos negativos ainda podem perdurar ao longo do segundo trimestre dependendo da gravidade do surto de coronavírus no Brasil.

4 – Balanço de riscos: Segundo o BCB, aumentou a variância do balanço de riscos. Devido ao surto de coronavírus, eleva-se o risco de recessão global e aversão ao risco, o que impacta fortemente no preço dos ativos gerando maior incerteza e um ambiente mais desafiador para países emergentes.

O momento atual é muito delicado. As condições econômicas e financeiras se alteraram muito desde o final do ano passado. O surto de coronavírus implicará em uma enorme redução da atividade econômico no segundo trimestre, com possibilidade de persistência ao longo do terceiro trimestre deste ano.

As medidas de isolamento que os governos (federal, estaduais e municiais) têm adotado para conter a disseminação do coronavírus vão impactar fortemente a capacidade das empresas de sobreviver ao longo dos próximos meses. A queda repentina da receita implicará em problemas de fluxo de caixa que têm potencial de levar pequenas e médias empresas à falência. Neste primeiro momento, esse é o maior risco que a atividade econômica enfrenta. O BCB indicou que está confortável com o nível atual de taxa de juros. Portanto, entendemos que a Selic deve fechar o ano em 3,75%.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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