O IPCA-15 de junho ficou em 1,11%, o maior patamar para o mês em mais de 20 anos. Em 12 meses, o salto do índice de inflação calculado pelo IBGE também foi grande, de 2,70% para 3,68%. A reação está justificada pela greve dos caminhoneiros e pelo reajuste da conta de luz, todos já esperavam. A surpresa veio na intensidade da alta dos preços captada na prévia do índice oficial.

O resultado chega um dia após o Banco Central decidir pela manutenção da taxa básica de juros em 6,5% ao ano. Com comunicado sereno e, ao mesmo tempo, sem nenhum sinalização sobre os próximos passos do Comitê, os diretores do BC apresentaram rapidamente seu diagnóstico sobre os efeitos da paralisação, já que só na ata do encontro saberemos mais detalhes sobre o que embasou a decisão.

Para o Copom, a alta nos preços poderia ser significativa, como o IPCA-15 revela, porém temporária. Além disso, o BC não espera um movimento de reajuste mais espalhado dos preços por causa da alta ociosidade na economia, que inibiria o repasse. A este diagnóstico soma-se o patamar historicamente baixo dos núcleos da inflação, mesmo do setor de serviços, que permaneceu elevado por muitos anos antes de chegar ao nível atual.

O comunicado do Copom faz considerações ao cenário externo, que está mais negativo e desafiador para os países emergentes, citando-o como ponto frágil do balanço de riscos para o comportamento da inflação e a estratégia do BC. Como tem feito regularmente, os membros do Comitê reforçam a ameaça que o adiamento das reformas fiscais impõe à estabilidade monetária e financeira do país no médio prazo.

Reconhecido o diagnóstico, que certamente é compartilhado por muitos analistas e economistas, o que os diferencia é o prognóstico. Primeiro porque, já que decidiu por não indicar o que pode fazer daqui para frente, o prognóstico do BC está em aberto, até como medida de autopreservação e manutenção de sua credibilidade. Para quem não senta na cadeira da autoridade monetária parece mais fácil desenhar o futuro próximo.

Reconhecido o diagnóstico, que certamente é compartilhado por muitos analistas e economistas, o que os diferencia é o prognóstico. Primeiro porque, já que decidiu por não indicar o que pode fazer daqui para frente, o prognóstico do BC está em aberto, até como medida de autopreservação e manutenção de sua credibilidade. Para quem não senta na cadeira da autoridade monetária parece mais fácil desenhar o futuro próximo.

O prognóstico mais assertivo sobre o Brasil é que 2018 não será o que prometia ser, mesmo que não haja disparada dos juros ou volta à recessão. A criação de vagas formais em maio, 33 mil postos, foi a metade do que era esperado para o mês, numa reação clara à paralisia provocada pelos caminhoneiros. Que outros efeitos drásticos virão e qual será a intensidade deles na economia?

O resultado bem acima do previsto para o IPCA-15 de junho dá uma mostra que as projeções feitas com dados disponíveis não está sendo capaz de medir o tamanho do estrago e, muito menos, como será a recuperação à trilha de retomada que o país experimentava, mesmo que vagarosamente.

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

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