Você é daqueles que têm medo de não conseguir se controlar ao tentar juntar algum dinheiro? Acha que vai acabar pedindo o resgate das suas aplicações e gastando o dinheiro em bobagem em vez de deixá-lo rendendo até o momento de usá-lo para realizar seu objetivo financeiro?

Se você não confia em si mesmo e não está a fim de contar com seu próprio autocontrole, há estratégias que podem ajudá-lo a não mexer no dinheiro investido antes do planejado.

Uma tática universal: tirar o dinheiro da sua conta-corrente o quanto antes

“Longe dos olhos, longe do coração”, diz o ditado. Para não acabar gastando em cerveja ou sapatos novos o dinheiro que deveria ser investido para os seus sonhos, faça com que a poupança seja a primeira coisa a sair da sua conta sempre que cair o seu salário.

Você pode, por exemplo, programar transferências automáticas para a sua caderneta de poupança, para fundos de investimento ou para a conta da sua corretora.

Se esse dinheiro não ficar disponível na sua conta-corrente, é como se ele não existisse, ou seja, é como se você ganhasse menos. Você já não conta com aqueles recursos.

Para os moderadamente disciplinados: invista em aplicações com desvantagens para os apressadinhos

Se sacrifícios na rentabilidade são suficientes para te desestimular a resgatar ou vender seu investimento antecipadamente, então busque investimentos com as seguintes características:

– Alíquotas regressivas de imposto de renda: muitos fundos de investimento e aplicações de renda fixa são tributados de acordo com uma tabela regressiva de imposto de renda.

As alíquotas variam de 22,5% para prazos de aplicação inferiores a 180 dias a 15% para prazos de aplicação superiores a 720 dias, cerca de dois anos.

Os fundos de previdência, focados no investimento de longo prazo, contam com a opção de uma tabela regressiva diferente.

Suas alíquotas variam de 35% para aplicações de prazos inferiores a dois anos até 10% para aplicações de mais de dez anos. A intenção é justamente estimular o investimento de longo prazo, com vistas à aposentadoria.

– Rentabilidade menor em caso de resgate antecipado: alguns Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecem rentabilidades atrativas para quem fica com o título até o vencimento, e rentabilidades mais desvantajosas para quem os resgata antecipadamente.

Em grandes bancos, você pode encontrar CDBs que pagam 100% do CDI para quem fica com o título por dois ou três anos e cuja rentabilidade cai para algo como 70% ou 80% do CDI para quem resgata antes do vencimento.

Bancos médios também oferecem esse tipo de título sob condições parecidas, com a diferença de que a rentabilidade prometida para quem fica com o CDB até o vencimento costuma ser superior a 100% do CDI, podendo chegar a mais de 110% do CDI em alguns casos.

Para conseguir a rentabilidade mais interessante, basta casar o prazo do seu objetivo financeiro– digamos, a data de pagar a sua cerimônia de casamento ou de dar entrada na casa própria – com a data de vencimento do CDB.

Entenda em detalhes o que é e como funcionam os CDBs e também de onde vem a taxa de juros CDI.

– Títulos de renda fixa com alta volatilidade: mesmo sendo o investimento de menor risco de calote da economia brasileira, os títulos públicos sofrem oscilações de preço que, em alguns casos, podem levar o investidor a ter rendimentos negativos.

Mas isso só ocorre se ele vender o título antes do vencimento. A rentabilidade prometida pelos títulos públicos só é paga para quem fica com o papel até o fim do prazo.

Títulos vendidos antecipadamente são negociados a preço de mercado, que pode ser mais alto ou mais baixo que o preço de compra, dependendo das expectativas para a taxa básica de juros (Selic).

Esse risco de mercado, contudo, tende a ser maior com os títulos prefixados e os atrelados à inflação, que têm mais volatilidade. No caso dos pós-fixados (Tesouro Selic), a venda antecipada em geral se traduz em rendimento positivo, pois ele tende a acompanhar a Selic.

Portanto, prefira títulos prefixados ou atrelados à inflação, case seus prazos com a data do seu objetivo e carregue-os até o vencimento, uma vez que o risco de perdas na venda antecipada desses papéis é maior.

Entenda melhor a diferença entre os tipos de títulos públicos e saiba como investir no Tesouro Direto.

Para quem realmente não confia em si mesmo: escolha aplicações sem liquidez até o vencimento

Se imposto de renda mais alto, rentabilidade baixa ou rendimento negativo não são o bastante para você desistir de resgatar ou vender uma aplicação financeira, escolha investimentos que não possam ser vendidos ou resgatados antes do vencimento.

Na renda fixa existem investimentos de baixo risco que têm carência, garantindo que seu investimento fique intacto até o momento de usar os recursos.

É o caso dos CDBs e RDBs (Recibos de Depósito Bancário) com carência, isto é, que não podem ser vendidos antes de uma data específica.

Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) têm carência obrigatória de 90 dias, e em certos casos não permitem resgate antecipado, tendo liquidez só no vencimento.

Todos esses títulos são emitidos por bancos e têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até 250 mil por CPF, por instituição financeira. Ou seja, se o banco emissor for à lona, o investidor recebe seu dinheiro de volta até esse limite.

Um ponto de atenção: títulos de capitalização costumam ser oferecidos por bancos com esse objetivo de “proteger o cliente de si mesmo”, ao mesmo tempo em que ele concorre a prêmios.

Porém, a probabilidade de ganhar um prêmio é muito baixa, e a rentabilidade desses títulos também – há opções bem mais rentáveis e de baixo risco que valem muito mais a pena. Procure ficar longe dos títulos de capitalização.

Conheça melhor as LCIs e LCAs e entenda o funcionamento do FGC.

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