A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de negar o habeas corpus ao ex-presidente Lula encerrou mais um capítulo da novela dramática que o líder do PT vem travando com a justiça. Quem comemora a derrota de Lula, novamente, é o mercado. A quinta-feira começou com ótimo humor na bolsa de valores, que subia com força e dólar caía com vontade.

O comportamento dos investidores traduz apenas uma parte da disposição em carregar o Brasil diante dos desafios que enfrentamos neste ano eleitoral. Quando o ex-presidente Lula teve a condenação confirmada pelo TRF-4, em janeiro passado, foi uma euforia só.

Depois disso, ninguém imaginava que haveria um risco considerável do petista impor uma derrota à Suprema Corte para não ser preso ou, bem menos provável, seguir na disputa eleitoral.

O clima “pré” votação do habeas corpus no STF não foi tão nervoso quanto a expectativa sobre a decisão do TRF-4 há três meses, mas os mercados não esconderam incômodo com a continuidade do debate. Agora, com a decisão definitiva, é bem capaz dos investidores surfarem por aqui em busca de boas ondas de ganhos com os ativos brasileiros.

Conta salgada

Nada disso, porém, deveria diminuir a preocupação com a condução da economia, especialmente dos desafios fiscais para o governo. Enquanto o debate pegava fogo sobre o futuro de Lula, o Congresso Nacional selou o destino de medidas consideradas não apenas importantes, mas fundamentais para consolidar a frágil recuperação das contas públicas dos últimos meses.

A derrota do governo com mudanças em projetos de refinanciamento de dívidas com o fisco já impôs perdas de R$ 17 bilhões aos cofres públicos. Outras duas MP’s importantes estão para caducar na próxima semana, sem sinal de que podem ser votadas no Congresso Nacional.

Sem a tributação dos fundos exclusivos e o adiamento do reajuste dos servidores públicos (mais a o aumento da cobrança previdenciária), o governo perderá outros R$ 13 bilhões, aproximadamente.

Tem mais. A reoneração da folha de pagamento de empresas também não avança e corre o risco de ficar para depois das eleições. Se isso realmente acontecer, a conta da derrota do governo ganhará outros R$ 9 bilhões. Somando tudo, pode chegar a quase R$ 40 bilhões o furo de caixa provocado pelo Congresso Nacional.

De ombros

Parece que os mercados não estão dando muita bola para isso. Quem reina garantindo votos de confiança ao Brasil é o Banco Central. A promessa de reduzir os juros novamente, para 6,25%, diante de uma inflação que não reage à recuperação lenta da economia, tem sido suficiente para assegurar bons fundamentos econômicos aos investidores.

Outra âncora importante são as contas externas, que vão muito bem, obrigado. Recordes na balança comercial e aquele baú lotado de dólares das reservas internacionais, amaciam e muito o colchão brasileiro.

Se as molas deste colchão estão avariadas, ou a espuma já está desfeita em boa parte dele, é o de menos. Os investidores acreditam que há força suficiente para garantir um soninho confortável até 2019.

E depois? O depois que espere. Já basta os outros pesadelos que atormentam o mundo, como a guerra comercial travada pelo presidente americano, ou até mesmo o desarranjo institucional brasileiro.

Enquanto a economia seguir seu rumo, impulsionada por juros e inflação baixos, e uma equipe econômica que mantenha a rigidez na administração federal, os investidores vão contando carneirinhos dormindo com o Brasil.

* Thais Heredia é jornalista do MyNews, primeiro canal de jornalismo feito exclusivamente no YouTube e patrocinado pela GENIAL. Com pós-graduação em finanças pela FIA, Thais é especialista na cobertura de economia e política. Já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews.

Escreve todas as quintas-feiras para o blog GENIAL. Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

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