A reforma da previdência é a maior certeza e, ao mesmo tempo, a maior dúvida sobre o futuro do Brasil. Não importa o resultado das eleições que vão definir o novo Presidente da República, senadores, deputados e governadores, todos terão que enfrentar o tema da previdência como uma corda no pescoço.

E, diferentemente de como aconteceu até bem pouco tempo na gestão pública brasileira, não vai adiantar ignorar o desafio.

Adiar transformações estruturais, até então, não causava danos aos políticos e governantes, já que a conta chegava muito tempo depois. Isto começou a mudar com a eleição de Dilma Rousseff.

A responsabilidade de seu governo durou apenas nos seis primeiros meses do primeiro mandato. Em meados de 2011 Dilma suou frio ao perceber o tamanho da conta que deveria pagar pelos excessos do chefe petista e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mandou parar com toda a correção em curso.

Erros

Os erros em sua administração começaram bem antes de 2014, quando ela pisou fundo nas pedaladas fiscais. Em agosto de 2011, Dilma lançou o Plano Brasil Maior, que promovia o fechamento da economia brasileira, forçando a nacionalização – mesmo que menos competitiva e mais cara – da produção, e ampliava incentivos fiscais às custas do Tesouro Nacional.

Foi também quando o Banco Central começou a reduzir os juros, com as expectativas de inflação em alta. Os bancos públicos obedeceram a ordem da chefe e soltaram o crédito, especialmente o BNDES que atendia aos campeões nacionais com o juro mais barato da praça, às custas dos cofres públicos.

Em 2012, quando decidiu pela MP 579, que alterou as regras do setor elétrico, Dilma selava o caos que se abateria sobre setor e também sobre os consumidores.

Ah… eu poderia gastar muitas linhas a mais para desfilar as ações que formavam a Nova Matriz Econômica, britadeira que abriu o enorme buraco que sugou a economia brasileira a partir de 2014. Para finalizar este capítulo, Dilma abusou do marketing político promovendo um vergonhoso estelionato eleitoral para ser reeleita naquele ano.

Dois meses depois de ser reconfirmada ao cargo, a petista abriu a porteira que segurava a perversidade das suas escolhas. Se ela não tivesse sido impedida em 2016, seria a primeira governante nacional a pagar pelos próprios erros em seu próprio mandato.

Conta salgada

A história tomou outro rumo, mas a conta chegou e é a mais salgada já paga – ainda sendo paga – pelos brasileiros.

Voltando para os dias de hoje e para a reforma da previdência, a herança viva que aguarda os novos mandatários do país coloca todos numa mesma situação: se a reforma não for aprovada, e este será o maior erro a ser cometido por todas as lideranças políticas, em todas as esferas, a fatura vai explodir rapidamente.

E vai comprometer toda a administração pública e os frágeis fundamentos econômicos alcançados com queda da inflação e dos juros. Aliás, esta fatura já é gigantesca e pesada, vide as previsões de déficit orçamentário para até o final dos próximos mandatos.

A aparente tranquilidade que o mercado financeiro adotou assistindo à novela em trono da reforma da previdência é quase uma distopia, para usar termo que está na moda, não sem razão.

O cenário fica ainda mais alucinado quando juntamos à mudança urgente na previdência as outras reformas que aguardam aprovação no Congresso Nacional, e que têm o mesmo grau de “certezas” do que a “reforma mãe”:  a reoneração da folha de pagamento, o cadastro positivo e, esticando um pouco a corda, a privatização da Eletrobras.

Eleições

E você achando que a dúvida mais atroz que encaramos hoje é sobre o segundo turno das eleições presidências. Tenha certeza de que ela é apenas parte do miolo do pão bolorento que está servido.

Quem não se pergunta, ao ver pontos de mofo no pão guardado na geladeira, se aquilo mata? Tem gente que arrisca arrancar os pedaços comprometidos e disfarçar tudo com uma manteiga salgada.

O “pão brasileiro” tem mais mofo do que massa boa e não há manteiga ou leite de magnésia que pode nos blindar de uma (mais uma) dolorosa dor de barriga.

* Thais Heredia escreve todas as quintas-feiras para o blog GENIAL. Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Publicado por Thais Heredia

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

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