A paulista Artesanal Investimentos nasceu em 2008, da vontade dos sócios Alexandre Chaia e Raphael Galhano de montarem um fundo multimercado multiestratégia.

Mas por causa de uma família de clientes, os sócios logo descobriram o mercado de direitos creditórios e começaram a estruturar fundos voltados para o investimento em créditos de empresas, os FIDCs.

Hoje, a Artesanal tem 1,6 bilhão de reais sob gestão, sendo 1,2 bilhão apenas no mercado de crédito, que se tornou uma das suas especialidades.

A Artesanal distribui dois de seus fundos aqui pela GENIAL. O Artesanal FIC de FIM é o seu fundo mais antigo, um multimercado multiestratégia bastante diversificado. Ele lança mão de uma série de estratégias, como a operação de distorções de preços entre ativos correlacionados (arbitragens e long & short).

Já o Artesanal Crédito Privado FIC de FIM é um fundo de renda fixa, que investe nos FIDCs da própria Artesanal. FIDCs, ou Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, são fundos que compram recebíveis de empresas que concedem crédito e desejam antecipar o recebimento do que lhes é devido.

Basicamente, o fundo compra esses recebíveis, tornando-se o credor do cliente final da empresa que cede os recebíveis. Esta recebe o pagamento à vista, mediante um desconto. Neste post, explicamos com mais detalhes o que é e como funciona um FIDC, bem como os diferentes tipos de cotas desses fundos.

Os fundos da Artesanal têm um desempenho histórico bastante consistente acima do CDI. O multimercado acumula um rendimento de 120% do CDI desde o início, mesmo percentual dos últimos 12 meses. Já o de crédito privado vem mantendo seu desempenho, historicamente, na faixa entre 130% e 140% do CDI.

Conheça melhor os dois fundos da Artesanal disponíveis na GENIAL.

A seguir, você poderá conhecer um pouco mais da história da Artesanal Investimentos, suas estratégias e diferenciais. Confira os principais trechos da entrevista com Roberto Souza, head da área de distribuição e Relações com Investidores da Artesanal:

GENIAL: Como nasceu a Artesanal Investimentos? Conte um pouco da história de vocês.

Roberto Souza: Os sócios Raphael Galhano e Alexandre Chaia se conheceram por volta de 2007, após contatos no meio acadêmico e também no mercado. O Alexandre Chaia é professor do Insper, membro de risco de vários comitês e ajudou a modelar a parte de risco de vários bancos. Já o Raphael sempre foi um broker institucional, que atendia alguns dos maiores fundos multimercados do país. Eles resolveram, a princípio, se juntar para montar justamente um fundo multimercado, que é o Artesanal FIC de FIM, que vocês distribuem aí na GENIAL.

O Artesanal FIC de FIM começou em 2008. Nessa época, os clientes da asset eram grandes famílias que já conheciam o trabalho do Alexandre Chaia. Uma dessas famílias tinha uma factoring [empresa de fomento mercantil, que consiste na aquisição de créditos a receber de empresas. Estas, por sua vez, recebem à vista por esses recebíveis, mediante a concessão de desconto.]. Essa família pediu ajuda ao Chaia para tocar o negócio. Foi aí que os sócios da Artesanal viram uma assimetria muito grande nesse mercado, e enxergaram um potencial enorme. Bons retornos com risco menor do que o encontrado em mercados de renda fixa mais tradicional, como o de dívida de empresas, as debêntures.

Foi assim que começou a história do investimento em crédito aqui na Artesanal. Lançamos nessa época o primeiro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Hoje, temos FIDCs de várias modalidades – microcrédito, financiamento de veículos, financiamento da cadeia de fornecedores, fundos empresariais, financiamento de máquinas amarelas, crédito consignado público, entre outros –, além de um fundo de crédito que investe nos nossos próprios FIDCs, e que também é distribuído pela GENIAL. É o Artesanal Crédito Privado FIC de FIM.

GENIAL: Qual o diferencial da Artesanal nesse mercado de direitos creditórios?

Souza: Nós entramos junto com o originador na cota subordinada dos fundos, dividindo com ele o risco dos direitos creditórios dos nossos FIDCs. O originador é o cedente, a empresa que quer antecipar seus recebíveis e cede os direitos creditórios ao fundo. Nós, da Artesanal, e o originador do fundo ficamos com as cotas subordinadas, que são as cotas de maior risco dos FIDCs. As cotas mezanino e sênior, menos arriscadas, nós oferecemos para os investidores. O fundo Artesanal Crédito Privado FIC FIM é um fundo composto justamente pelas cotas mezanino e sênior dos nossos FIDCs.

Com isso, apresentamos grande alinhamento de interesses com os investidores. Temos de colocar nossos recursos nas cotas subordinadas junto com o originador, que também é obrigado a assumir esse risco. Em outras palavras, nosso dinheiro está no risco antes do dinheiro do investidor.

Outro aspecto forte da nossa cultura é o fato de que estamos praticamente na economia real. Esse é o nosso maior diferencial no mercado de crédito. Nós até brincamos, às vezes, que é quase como se funcionássemos como um “private equity de crédito”. Estamos ali no dia a dia, acompanhando a operação de cada fundo com cada originador, desde a parte quantitativa, de olhar números e planilhas, até o trabalho de campo. Analisamos os sistemas do originador, acompanhamos a venda de maquinário, vemos os pontos de venda de crédito, enfim, acompanhamos todo o processo. No caso dos fundos empresariais e industriais, por exemplo, nós visitamos periodicamente as empresas, as plantas, as fábricas. Já num fundo de microcrédito, cada vez que o originador concede um crédito, nós fazemos uma segunda checagem, adicional à do próprio originador. Nossos controles internos são muito rigorosos. Isto é, nós olhamos operação por operação.

GENIAL: O Artesanal Crédito Privado FIC de FIM tem rendimentos bastante consistentes e vem atingindo seu objetivo de rentabilidade, na faixa de 130% do CDI. Desde o início, sua rentabilidade acumulada supera 140% do CDI. Qual tem sido a estratégia para manter um desempenho como esse, mesmo no cenário adverso atual?

Souza: As cotas mezanino e sênior desse fundo, que investe em FIDCs, pagam percentuais pré-determinados do CDI. Em média, as cotas seniores pagam, por exemplo, 130% do CDI, e as mezanino, 140% do CDI. Essas cotas não têm volatilidade, como ocorre com as cotas de um fundo multimercado comum.

O que importa, num cenário como esse que o Brasil está vivendo, é ser muito rigoroso na seleção do FIDC, controlando de perto as operações. O negócio do originador precisa estar indo bem, com boas margens, vendas saudáveis, inadimplência controlada. Se assim for, o fundo ficará saudável, desde a cota subordinada até as seniores.

Nós somos muito seletivos e rigorosos na seleção dos negócios e dos setores para nossos fundos. Levamos seis meses em média para encontrar um bom fundo. É claro que a rentabilidade nominal do Artesanal Crédito Privado FIC de FIM caiu, por conta da queda das taxas de juros. Mas se manteve na faixa dos 130%, 140% do CDI. O percentual permanece. Não tivemos nenhuma mudança nos spreads. Nada nessa crise impactou o fundo.

Outro aspecto que contribui para essa consistência é o alto nível de subordinação com o qual nós trabalhamos. O índice de subordinação médio nos fundos da Artesanal é de 55%. Isso significa que os nossos recursos e os do originador representam 55% do patrimônio do fundo, em cotas subordinadas. No caso do fundo Artesanal Crédito Privado FIC de FIM, para os investidores sentirem um eventual impacto negativo, os FIDCs da carteira teriam que ter, juntos, 50% de inadimplência. Hoje ela fica por volta de 2%. São esses aspectos estruturais que fazem toda a diferença.

GENIAL: Em que tipos de FIDCs o Artesanal Crédito Privado FIC de FIM investe hoje?

Souza: Microcrédito por todo o país, financiamento de veículos, FIDCs empresariais, que são aqueles voltados para financiamento de cadeia de fornecedores, e FIDCs multinacionais, que são voltados para financiamento de fornecedores ou de maquinário. Estamos praticamente em todos os setores: veículos, agrícola, empresarial, industrial em geral e multicedentes multissacados, que são aqueles que incluem o desconto de recebíveis de qualquer tipo de empresa.

Incluindo todos os FIDCs da carteira, temos, neste fundo, mais ou menos 650 cedentes e 70 mil sacados. Os cedentes são os originadores, as empresas que concedem o crédito e antecipam seus recebíveis, nossas parceiras. Já os sacados são os tomadores do crédito, aqueles quem compram os veículos, o maquinário etc. Como você pode ver, é muita gente, pelo país todo. É uma operação viva, pulverizada.

GENIAL: Vamos falar um pouco agora do fundo multimercado de vocês, o Artesanal FIC de FIM. Que tipos de estratégia ele usa?

Souza: O Artesanal FIC de FIM é um fundo multimercado multiestratégia de verdade. Não é como outros que são classificados como multiestratégia, mas acabam na prática se concentrando em uma única estratégia ou mercado, focando apenas no juro, no câmbio ou na bolsa. Trata-se de um fundo extremamente diversificado. Cada operação começa com foco no risco. Em dez anos, nunca passou por nenhum momento agudo de crise.

O objetivo do fundo é ter baixa volatilidade e um rendimento de 120% do CDI. Desde o início, sua volatilidade é de 1,72% e sua rentabilidade é de 121% do CDI. É um fundo muito consistente. Passou ileso pelos governos Lula e Dilma, pela crise da Europa.

A base das estratégias do fundo é o investimento em LFT [títulos públicos atrelados à Selic chamados, no Tesouro Direto, de Tesouro Selic]. Entre 50% e 60% da carteira são constituídos por LFT. Parte desses títulos é usada como garantia para operarmos distorções de preços em diferentes mercados, fazendo operações de arbitragem e long & short.

Por exemplo, nós fazemos operações de arbitragem com ações de holdings e suas empresas controladas, ou com as ações de uma companhia e suas units [a unit é um ativo composto por mais de uma classe de valores mobiliários negociados em conjunto, por exemplo, ações preferenciais e ordinárias de uma mesma companhia].

Temos uma equipe forte de estatística aqui na Artesanal analisando os preços históricos das operações que gostamos de fazer. Quando há uma distorção no comportamento de um ativo em relação a outro correlacionado, fazemos a operação, com o objetivo de lucrar quando o preço voltar para seu patamar histórico. O risco tende a zero depois de montada a operação.

Outro tipo de operação que gostamos de fazer é a operação clássica de long & short de pares de ações preferenciais e ordinárias de uma mesma companhia. Fazemos ainda financiamento de termo, isto é, emprestamos dinheiro para as corretoras fazerem operações de termo para os clientes, o que nos rende um bom percentual do CDI. Também compramos Letras Financeiras de baixo risco, com classificação de risco AAA. Mas nunca operamos câmbio nem juros.

Para o investidor lançar mão de todas essas estratégias, ele teria que ter alguns milhões de reais, fora o conhecimento, a tecnologia, o tempo para se dedicar. Mas no nosso fundo, o valor de aporte inicial mínimo é de apenas 500 reais. Ou seja, com 500 reais, o investidor tem acesso a uma carteira sofisticada, diversificada, de baixa volatilidade e alta liquidez. O resgate leva apenas dois dias para cair na conta do investidor.

GENIAL: Qual vem sendo o posicionamento da Artesanal frente ao momento econômico atual?

Souza: Achamos importante haver uma definição de quem serão de fato os candidatos à presidência nas eleições do ano que vem, além da implantação das reformas, a fim de equilibrar os gastos públicos, mas também para dar um norte para o mercado doméstico e os investidores estrangeiros. Assim, eles teriam segurança para aumentarem os fluxos de investimento para o Brasil, pois teriam perspectivas de médio e longo prazo e maior clareza para fazer investimentos mais sólidos, em áreas como infraestrutura e serviços.

A Artesanal é muito baseada em risco. A gestão de risco está no nosso DNA. De verdade, não mudamos nada na nossa maneira de gerir os fundos por conta da crise.

Nosso fundo multimercado continua sendo bastante diversificado, com 70 a 80 operações na carteira. Não há apostas direcionais, isto é, em alta ou em queda de preços de ativos, apenas operações de distorção.

Na parte de crédito, acreditamos ser importante ter um alto nível de subordinação, o que gera uma alta margem de segurança para os fundos. E é preciso ser muito seletivo e rigoroso, seja qual for o setor. Nós não estamos dando mais ou menos crédito, nem montando mais ou menos fundos em função do cenário atual. Simplesmente acreditamos em ser rigorosos na seleção, que é o que tem nos ajudado a passar por vários ciclos de mercado diferentes, mesmo os mais incertos.

GENIAL: Que mensagem vocês deixam para os investidores pessoas físicas, como os clientes da GENIAL?

Souza: O investidor deve conhecer as diferentes classes de fundos e sempre diversificar sua carteira. O mercado brasileiro vem se modernizando muito, e hoje os investidores de plataformas on-line têm acesso a produtos bem sofisticados, como os nossos. A mensagem é para que os investidores aproveitem esse momento tão interessante que o mercado está vivendo com as plataformas, as corretoras e as distribuidoras, que estão permitindo que os investidores acessem fundos antes restritos aos investidores profissionais.

Pesquisem, procurem, diversifiquem, porque esse momento de desbancarização é muito bacana.

Conheça os fundos da Artesanal Investimentos na plataforma de fundos da GENIAL.

Publicado por Genial

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