A FLAG Asset Management é uma gestora de recursos carioca com 226 milhões de reais sob gestão e que distribui seus dois fundos de investimento pela GENIAL: o fundo de ações FLAG FIC de FIA e o multimercado FLAG FIC FIM. Em entrevista à GENIAL Investimentos, o gestor Rodrigo Galindo contou um pouco sobre a história da gestora, as características de seus fundos e suas estratégias vencedoras.

A FLAG foi fundada em março 2012 por sócios que trabalharam juntos por mais de 15 anos no Banco Pactual, nas áreas de renda variável, juros e câmbio. Mas a equipe ficou mesmo completa em 2015, quando se juntaram ao time outros dois sócios, um com vasta experiência em renda fixa e outro bastante focado em commodities.

Rodrigo Galindo, um dos sócios fundadores, é especialista em renda variável e gestor do fundo de ações da FLAG. Galindo trabalhou na área de renda variável da gestora do Pactual de 1998 a 2006, quando foi para a Pactual Capital Partners (PCP), gestora apartada que fazia a gestão dos fundos dos ex-sócios do Pactual.

Foi sócio fundador e diretor estatutário da Vinci, onde também era focado na parte de bolsa e de onde saiu em 2012 para fundar a FLAG.


A seguir, confira os principais trechos da entrevista com Galindo:

GENIAL: Fale um pouco sobre os fundos da FLAG, distribuídos pela GENIAL Investimentos.

Galindo: São dois produtos: o fundo multimercado (FLAG FIC FIM) e o fundo de ações (FLAG FIC de FIA). Ambos foram pensados, desde o início, para serem bastante voltados para os investidores de varejo, com valor mínimo de aplicação de 5 mil reais.

Nosso multimercado não faz operações de crédito privado e tem seu caixa inteiramente lastreado em títulos públicos. Nele, operamos juros, moedas, bolsas e commodities, sempre em ativos líquidos. É um fundo de risco moderado, com objetivo de superar a taxa CDI e também com alta liquidez, com liquidação do resgate em D+5 [cinco dias úteis para resgate].

Temos duas posições no multimercado que são interessantes. Primeiro, a gente segue comprado em bolsa, entre 15% e 20% da carteira. Gostamos de bolsa para o médio prazo porque acreditamos que a perspectiva para a bolsa é positiva do ponto de vista dos fundamentos, pelas empresas estarem com maior capacidade de competitividade.

Além disso, seguimos com uma aposta significativa em juros. Acreditamos que a inflação vai seguir tranquila em 2018 e 2019. Acontece que, até janeiro de 2020, quando completar um ano de mandato do próximo presidente, a curva de juros futuros está precificando uma alta de juros de 3,5% [isto é, o mercado espera uma alta de juros de 3,5% até janeiro de 2020].

Achamos, entretanto, que é uma alta excessiva. Mesmo que um candidato de esquerda vença, dificilmente ele faria choque de juros nos primeiros seis meses do novo governo, ainda mais num ambiente de inflação baixa como devem ser esses próximos dois anos. Vemos aí também uma oportunidade de ganho.

Já o fundo de ações tem uma pegada bem macroeconômica, o que está no DNA da FLAG. É um fundo que já tem três anos e vem apresentando uma performance excepcional.

Cerca de 80% da carteira é composta por ativos bastante líquidos, e uns 20% são voltados para operar midcaps [empresas de médio valor de mercado], mais para não deixar passar oportunidades. Mas o grosso do resultado do fundo de ações vem dessas ações de alta liquidez. Seu resgate ocorre em D+10 [dez dias úteis a partir do pedido de resgate].

GENIAL: O fundo de ações da FLAG foi um dos fundos distribuídos pela GENIAL com melhor performance em 2017. Quais foram as estratégias vencedoras neste último ano que levaram o fundo a esse bom desempenho?

Galindo: Trata-se de um fundo que opera por tema macroeconômico. No primeiro semestre de 2016, mais ou menos de fevereiro, março até agosto, operamos em grande parte o chamado “kit Brasil”.

O impeachment da presidente Dilma estava ganhando corpo, então metade da nossa carteira era composta por ações de empresas que tinham um peso de intervenção estatal muito grande e que, por isso, estavam muito mal precificadas caso houvesse uma mudança relevante de diretriz econômica no país.

Falo de papéis como Petrobras, Eletrobrás e alguma coisa de Banco do Brasil, no qual não pesamos tanto a mão porque estávamos um pouco preocupados com a carteira de crédito do banco.

Ocorrido o impeachment, de agosto a novembro de 2016 operamos outro tema, mais ligado à infraestrutura: empresas que precisavam desalavancar [reduzir o endividamento] e que tinham ativos de qualidade para vender.

Então, nesse período, a gente investiu em ações da Braskem, da Light, da Gerdau e também alguma coisa em Eletrobrás e Petrobras, que também tinham a ver com esse tema.

Em novembro de 2016, muito por confiança na nossa projeção de inflação, de um IPCA tranquilo para 2017 e um ciclo de queda mais intensa nos juros, optamos por um tema de consumo. Até maio, quando ocorreu o vazamento da delação da JBS, carregamos papéis como Multiplan, BRMalls, Arezzo, Pão de Açúcar e Cyrela.

Apenas um parêntese, a FLAG tem projetado inflação muito bem. Ficamos em primeiro lugar no top 5 do Banco Central em 2016 [ranking das instituições financeiras que mais acertam as projeções reunidas no Boletim Focus] para projeção de IPCA de longo prazo. Em 2017, ficamos por diversas vezes no top 5 mensal também por projeções de Selic e câmbio.

Após o vazamento da delação da JBS, que foi um evento de alta de risco muito significativa no mercado, essas ações de consumo se comportaram muito bem. Ao mesmo tempo, nosso tema anterior, que era o de infraestrutura, voltou a sofrer muito. Então acabamos reduzindo o investimento no tema de consumo e voltando para o capítulo de infraestrutura.

De lá para cá, mantivemos um mix desses dois temas. O de infraestrutura corresponde mais ou menos a 25% da carteira do fundo, e o de consumo abarca cerca de 60% da carteira. O resto está em histórias específicas – bancos e alguma coisinha em saúde.

GENIAL: E quais as perspectivas de vocês para essas ações de infraestrutura e consumo?

Galindo: No caso do tema de infraestrutura, houve vendas de ativos pelas empresas que não ocorreram em 2017, mas que devem se tornar realidade em 2018.

Já no caso do tema de consumo, as ações acabaram de passar por uma realização de lucros importante, ao redor de 20% em média, o que enxergamos como oportunidade de compra.

Nossa expectativa para 2018 é de que seja um ano de inflação ainda baixa e com crescimento econômico em torno de 2,5%, 3,0%. E boa parte desse crescimento virá do consumo.

GENIAL: Para que tipo de investidor os fundos da FLAG são voltados?

Galindo: Ambos são bastante voltados para o perfil do investidor de varejo, porque a gente carrega no nosso DNA, na nossa filosofia de investimentos, o jogo de preservação do principal. Temos limites muito bem definidos, e é muito mais um jogo de consistência do que de agressividade, de querer ser um dos mais rentáveis da indústria. Assim, em momentos de estresse, podemos dar um conforto para o cotista de que o principal não está correndo muito risco.

Já o fundo de ações, acreditamos ser um investimento que deve ser analisado num horizonte de médio e longo prazo. Buscamos investir em empresas cujas atividades operacionais e indústria de atuação julgamos conhecer amplamente, sempre guiados pela nossa visão macro.

Os fundos da FLAG têm essa característica de gestão de risco muito apurada. Gastamos muito tempo com isso. Em momentos de estresse, esse tipo de disciplina se paga muito, porque quem tem teimosia com o mercado acaba morrendo ou destruindo o valor do próprio negócio.

GENIAL: Que orientação vocês dariam para o investidor pessoa física sobre como investir bem seus recursos?

Galindo: A gente cuida da poupança das pessoas, o que é uma responsabilidade muito grande. Eu acho que a primeira questão é ter confiança em onde você está investindo. De ser uma instituição com pessoas sérias, éticas e com alinhamento de interesses. A segunda questão é investir em bons produtos, realmente competitivos. E, nesse sentido, as plataformas abertas, como a GENIAL, conseguem levar isso para o público em geral.

O processo de educação financeira eu acho que tem que ser feito aos poucos. O investidor tem que ir se acostumando aos produtos com um pouco mais de risco. Não adianta ser afoito e achar que vai resolver a vida financeira do dia para a noite com uma grande aposta. Grandes apostas envolvem grandes riscos.

Só o movimento de sair dos grandes bancos e migrar para uma plataforma aberta de investimentos, com produtos de melhor qualidade, já faz muita diferença no longo prazo. Eu acho que, aos poucos, o investidor pode ir buscando produtos com mais risco, adequados à sua situação patrimonial e objetivos.

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