A eleição presidencial de 2018 será decidida no Estado de São Paulo, diz o cientista político José Luciano Dias, sócio-diretor da CAC Consultoria Política. O especialista falou, na última quarta-feira (18), em evento para clientes da Opus Genial, braço de gestão de fortunas da GENIAL em parceria com o grupo Opus.

Durante o painel, Dias apresentou as perspectivas para as eleições presidenciais deste ano e alguns números que contrariam ideias do senso comum em relação à votação no país.

“Ainda não existe candidato claro em São Paulo, mas é isso que vai decidir a eleição em 2018”, disse Dias.

O consultor lembra que o cenário eleitoral ainda está muito fragmentado no Estado de São Paulo. Segundo a última pesquisa Datafolha, publicada em 16 de abril, em um cenário eleitoral com Lula, o petista tem 20% das intenções de voto no Estado, seguido de Bolsonaro (PSL), com 14%, e Alckmin (PSDB), com 13%, considerado empate técnico pela pesquisa.

Em um cenário sem Lula, Alckmin e Bolsonaro dividem a liderança no Estado, com 16% cada um. “Nos próximos 30 dias, o fato relevante para essa eleição deve ser produzido pelo Estado de São Paulo”, projetou Dias.

Durante sua apresentação, Luciano Dias apresentou alguns pontos, baseados em dados da sua consultoria, que contrariam algumas visões do senso comum quanto ao que faz um candidato ganhar as eleições presidenciais no Brasil.

Uma delas é a de que a região Nordeste é capaz de eleger um presidente. Os dados mostram que, em geral, a disputa presidencial se dá entre o candidato preferido do Nordeste e o preferido no Sudeste, e que o Nordeste normalmente vota no candidato do governo.

Porém, o Sudeste é muito mais decisivo que o Nordeste na escolha presidencial, devido à sua maior população. O Nordeste concentra apenas 27% dos votos do país, enquanto o Sudeste concentra 43,3%.

Nesse sentido, o Estado de São Paulo é particularmente relevante na escolha presidencial. “Para vencer a eleição presidencial, um candidato tem que ganhar no Sudeste e ser relevante no Estado de São Paulo. Ganhar no Nordeste apenas não adianta”, explicou Dias.

Lula

O ex-presidente Lula ainda tem em torno de 30% das intenções de voto no país, sendo 50% no Nordeste. Segundo Dias, seu eleitorado fiel representa 15% dos eleitores, mais os eleitores de baixa renda pouco afetados por notícias – mas quanto mais notícias negativas sobre Lula, menores são suas intenções de voto.

“Lula tem pouca probabilidade de ganhar se o noticiário continuar negativo a ele”, disse Dias.

O cientista político explicou que Lula costuma unificar o voto da esquerda, mas não necessariamente transfere seus votos para outros candidatos petistas. Sendo assim, num cenário eleitoral sem Lula, seus votos tendem a ser canalizados para outros candidatos.

Além disso, embora o petista tenha seu reduto eleitoral no Nordeste, a região tende a votar no candidato governista e não necessariamente na esquerda, abrindo-se um espaço num cenário de eleição sem Lula.

Ativação do eleitorado

Segundo Dias, a ativação do eleitorado – momento em que os resultados das pesquisas se aproximam do resultado final da eleição – costuma ocorrer, no Brasil, entre o fim de junho e o fim de julho, não se sabe bem por quê. “Talvez porque por essa época comece um fluxo maior de notícias sobre as eleições”, palpitou Dias.

Em outras palavras, é por esta época que o resultado é definido, antes mesmo do início das propagandas eleitorais gratuitas em rádio e televisão. “TV não decide eleição”, disse o cientista político.

No Sudeste, o processo de ativação do eleitorado costuma ter duas etapas, uma no início do ciclo eleitoral e outra em junho e julho. Em razão disso, Dias acredita que o candidato preferido de São Paulo tem até junho para se estabelecer.

Alckmin versus Bolsonaro

Bolsonaro tem vencido na capital paulista, e Alckmin é o preferido no interior do Estado. Mas segundo o Luciano Dias, o cenário em São Paulo é mais favorável a Alckmin do que a Bolsonaro. O candidato do PSDB tem a seu favor um fator que, historicamente, tem sido de alta relevância para a vitória numa eleição – é um candidato que está no poder.

Além disso, Alckmin tem, historicamente, mais de 45% das intenções de voto para governador no Estado de São Paulo, tendo sido eleito com mais de 50% dos votos nas três eleições estaduais de que participou. “Ele é o verdadeiro coronel brasileiro. Esses percentuais são maiores do que os dos políticos tradicionais do Nordeste”, comentou Dias.

Bolsonaro, por outro lado, tem contra si os fatos de nunca ter ocupado um cargo executivo, ter seu eleitorado concentrado no segmento de homens jovens de alta renda e alta escolaridade e sofrer de um “gap” de gênero: sua rejeição entre as mulheres é elevada, o que significa ser rejeitado por metade do eleitorado.

“Com ‘gap’ de escolaridade, renda e gênero, Bolsonaro não vai à frente, porque não atrai eleitorado novo”, avaliou Dias. Ainda assim, trata-se de um candidato desestabilizador. “Ele prejudica os avanços dos demais candidatos”, explica Dias.

O candidato do PSL tem perdido intenção de voto, mas mantém-se com mais de 15% em nível nacional, o que não é comum para um candidato relativamente desconhecido que não ocupa cargo executivo nem nunca ocupou. Segundo Dias, esse perfil de candidato costuma ter de 7% a 8% das intenções de voto.

O cientista político projeta que a próxima pesquisa não deverá mostrar avanço das intenções de voto em Bolsonaro, com o percentual atual se mantendo estável.

Publicado por Genial

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