O instituto Ibope divulgou uma pesquisa na última segunda-feira que confirmou o amplo favoritismo de Jair Bolsonaro (PSL) para chegar à presidência da República. A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 14 de outubro com 2.500 eleitores.

Bolsonaro venceria Fernando Haddad (PT) em quase todos os segmentos – até mesmo entre jovens e mulheres. O candidato do PT só venceria entre os eleitores com menor renda, baixa escolaridade e da região Nordeste.

O Ibope também pesquisou o potencial e a rejeição dos candidatos. Entre os pesquisados, 41% votariam com certeza em Bolsonaro, e 35% não votariam nele de jeito nenhum. Já 28% votariam com certeza em Haddad, mas 47% não o fariam em hipótese alguma. Ou seja, a rejeição ao candidato do PT é 12 pontos mais alta do que ao candidato do PSL. São números bem diferentes dos apontados pelas pesquisas antes da realização do 1º turno.

Nos votos totais, Bolsonaro teria 52% e Haddad 37%; brancos e nulos seriam 9%; e 2% não souberam ou não opinaram. Em votos válidos, Bolsonaro teria 59% e Haddad 41%.

O PDT está cada vez mais distante do PT. O partido não participou do encontro com legendas de esquerda ontem em Brasília, que reuniu PT, PSB, PCdoB e PSOL. Nos Estados em que disputa o 2º turno, os candidatos do PDT anunciaram apoio a Bolsonaro no Amazonas, Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul – no Amapá, o candidato do partido adotou a neutralidade. Ciro Gomes está no exterior e não pretende se engajar na campanha petista. Na segunda-feira, por fim, em encontro no Ceará que deveria ter sido de apoio à candidatura de Fernando Haddad, Cid Gomes (senador eleito) xingou militantes petistas, criticou Lula e afirmou que o PT merece perder a eleição por não ser capaz de realizar uma autocrítica.

Ainda no que toca à campanha petista, as conversas com o ex-presidente FHC e setores do PSDB não avançaram, tampouco o contato com personalidades como Joaquim Barbosa e Mário Sérgio Cortella. Haddad sinaliza abrir mão de propostas (como a taxação de grandes fortunas) e se aproxima da igreja católica para fazer frente ao avanço de Bolsonaro entre os evangélicos. As mudanças, no entanto, parecem ter vindo tarde demais. Haddad não conseguiu conquistar eleitores fiéis a Lula na ‘nova classe média’ e seus acenos ao centro parecem pouco críveis. Jaques Wagner, coordenador da campanha de Haddad, reafirmou ontem que Ciro Gomes seria o melhor nome para derrotar Bolsonaro. Só um milagre parece ser capaz de evitar uma derrota vexatória do PT na eleição presidencial.

Enquanto isso, Bolsonaro segue conversas sobre a composição de sua equipe e as primeiras propostas de seu governo. Paulo Guedes sinaliza desvincular o gasto social do orçamento e uma reforma tributária que simplifique impostos. Até o momento, não há definição sobre esses temas por parte de Jair Bolsonaro.

Publicado por Ribamar Rambourg

Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, responsável pela avaliação do cenário político-eleitoral brasileiro. Ribamar é economista graduado pela FEA-USP e mestrando em Ciência Política na FFLCH-USP. Em sua dissertação de mestrado, analisa o tema “Coalizão de governo e crise de governabilidade no período Dilma Rousseff

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