O instituto Ibope divulgou nesta segunda-feira, 24/09, uma nova pesquisa de intenção de votos para presidente da República. Jair Bolsonaro ficou estável, com 28%. Fernando Haddad cresceu 3 pontos e chegou a 22%. Ciro Gomes permaneceu com 11%. Geraldo Alckmin oscilou 1 ponto para cima e atingiu 8%. Marina Silva tem 5%. João Amoedo tem 3%, Henrique Meirelles e Álvaro Dias 2% cada um.

A pesquisa trouxe más notícias para a campanha de Bolsonaro:

i) sua taxa de rejeição cresceu e chegou a 46% – entre as mulheres, o número chega a 54%, entre o mais pobres a 57% e no Nordeste a 60%;

ii) seu desempenho nas simulações de 2º turno piorou, sendo agora derrotado pelos principais adversários;

iii) sua trajetória de alta na simulação de 1º turno foi interrompida.

É preciso ter cautela e aguardar a próxima pesquisa do instituto para confirmar se os números apresentados apontam de fato uma tendência. Mas, a princípio, os números fazem sentido. O candidato parou de crescer na pesquisa estimulada e o aumento de sua taxa de rejeição prejudicou seu desempenho nas simulações de segundo turno. Além disso, os números estão alinhados com as últimas pesquisas divulgadas: DataPoder360 e FSB/BTG.

É possível atribuir a performance de Bolsonaro nesta pesquisa ao menos a três fatores, a saber:

  1. fim da comoção gerada pela facada;
  2. eficácia da campanha negativa do PSDB que, se não serviu para melhorar o desempenho de Geraldo Alckmin, serviu para aumentar a rejeição a Bolsonaro;
  3. desencontros na própria campanha do candidato, marcada por polêmicas desnecessárias como a discussão sobre a CPMF.

CHANCE DE SOLUÇÃO EM 1º TURNO MAIS DISTANTE

As possibilidades de uma vitória em 1º turno parecem baixas, a julgar pelos números apontados pelo Ibope. Bolsonaro tem 28% dos votos totais. Os demais candidatos do campo azul (Alckmin + Amoedo + Meirelles + Álvaro) têm 15%. Ou seja, todos juntos somam 43%. Os candidatos do campo vermelho (Haddad + Ciro + Marina + Boulos) somam 40%. Bolsonaro precisaria conquistar 12 pontos para a vitória em 1º turno tornar-se factível, o que implicaria em reduzir a votação de Alckmin para algo como 2%.

2018 NÃO PARECE SER 2014

Além disso, a rejeição mais elevada e o desempenho ruim na simulação de 2º turno serão um desafio para Bolsonaro: ele precisa diminuir sua rejeição rapidamente e mostrar sua competitividade, sob pena de começar a cair também na pesquisa estimulada no 1º turno. A dúvida é saber o que fará o eleitor de centro nesse cenário. Reforçará o apoio a Bolsonaro ou direcionará seus votos para outro candidato (leia-se Geraldo Alckmin)? Há tempo para essa migração?

Embora sejam frequentes as comparações com a eleição de 2014, parece improvável que Alckmin consiga superar Bolsonaro e ir ao 2º turno. É importante salientar que:

  1. há 20 pontos de diferença entre os 2 candidatos;
  2. os eleitores de Bolsonaro se mostram convictos e seu voto espontâneo é elevado;
  3. não há até o momento tendência de alta de Geraldo Alckmin tampouco Bolsonaro apresenta viés de queda;
  4. o desempenho de Alckmin em SP é sofrível, sendo derrotado por Bolsonaro no estado.

Nesse mesmo período, em 2014, a tendência era de crescimento de Aécio Neves e de queda de Marina Silva. Embora não se possa descartar que Alckmin cresça nessa reta final, é improvável que ele consiga repetir o feito do mineiro na última eleição.

2º TURNO: HADDAD X BOLSONARO

O cenário mais provável continua sendo a realização de 2º turno entre Bolsonaro e Haddad. Os eleitores de ambos são os mais convictos. No entanto, é importante notar: a se confirmarem os números do Ibope, não é improvável que Haddad ultrapasse Bolsonaro também na simulação de 1º turno.

O candidato do PT avançou mais 3 pontos, chegando a 22%. Haddad cresceu às custas do “não-voto”, que diminuiu 3 pontos. O desempenho de Ciro manteve-se inalterado. Na região Nordeste, por exemplo, Haddad marca 34% e Ciro 18% – Bolsonaro tem 17%. É possível que ocorra migração de parte dos votos do candidato do PDT para o candidato do PT. Ou seja, ainda há espaço para Haddad crescer na região. Nessa pesquisa, o seu maior crescimento foi na região Sul: 8 pontos. A outra boa notícia para o candidato está na simulação de 2º turno: pela primeira vez ele aparece à frente do candidato do PSL, fora da margem de erro.

O FAVORITISMO É DE HADDAD

No 2º turno, Haddad venceria Bolsonaro graças sobretudo ao largo placar alcançado no Nordeste (60% a 23%), entre os mais pobres (57% a 22%) e entre as mulheres (46% a 29%). Já Bolsonaro venceria entre os homens (46% a 40%) e no Sudeste (42% a 37%), mas com margens mais reduzidas.

É prematuro fazer qualquer previsão sobre os resultados da eleição a essa altura. No entanto, os números do Ibope permitem afirmar, ao menos aos olhos de hoje, o favoritismo de Fernando Haddad. Isso se explica por algumas razões:

  1. o candidato do PT está em ascensão, tanto nas simulações de 1º turno quanto nas simulações de 2º turno;
  2. sua taxa de rejeição é mais baixa que a de Bolsonaro;
  3. o PT tem mais estrutura para a realização da campanha no 2º turno.

Ribamar Rambourg
Coordenador de Análise Política da Genial Investimentos

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Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, responsável pela avaliação do cenário político-eleitoral brasileiro. Ribamar é economista graduado pela FEA-USP e mestrando em Ciência Política na FFLCH-USP. Em sua dissertação de mestrado, analisa o tema “Coalizão de governo e crise de governabilidade no período Dilma Rousseff

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