É comum que pessoas que ainda não investem – ou mesmo algumas que já deram os primeiros passos nesse mundo – tenham algumas ideias preconcebidas e equivocadas em relação aos investimentos.

Desde impressões erradas acerca dos riscos até a noção excessivamente otimista de que é possível ficar rico rápido.

Consultei alguns especialistas para saber quais são, na opinião deles, os principais equívocos das pessoas sobre investimentos:

1. Qualquer pessoa pode enriquecer rápido só com investimentos

Este é o “equívoco supremo”, diz o consultor financeiro André Massaro. “As pessoas muitas vezes criam essa expectativa e acabam frustradas”, observa.

Não faltam por aí – na internet, nos jornais, nos livros – relatos de pessoas que conseguiram a independência financeira e hoje vivem de investimentos, ou quase isso.

Isso pode causar a impressão errada de que elas chegaram lá depressa, e que seu patrimônio cresceu apenas com o rendimento das suas aplicações a partir de um investimento inicial baixo.

Só que é bem raro isso acontecer. Conseguir a independência financeira é possível, mas normalmente dá trabalho e leva tempo. Você precisa acumular uma soma bem grande, suficiente para que a rentabilidade de aplicações de baixo risco seja suficiente para te dar uma vida confortável.

Então, mantenha em mente que, ainda por um bom tempo, sua fonte primária de renda será seu trabalho do dia a dia, e você não deve se descuidar dele nem de suas qualificações profissionais.

Os investimentos devem primeiro proteger sua poupança, e em seguida obter um ganho. Mas dificilmente a rentabilidade será sua fonte primária de enriquecimento no início. Nesse momento, é a poupança persistente e gradativa que vai aumentar seu patrimônio.

“As pessoas podem se dar por contentes se conseguirem preservar seu capital e terem pequenos ganhos, diz Álvaro Modernell, educador financeiro da Mais Ativos.

2. Existe investimento sem risco/totalmente seguro

Nenhum investimento é totalmente isento de risco, nem mesmo a caderneta de poupança, os imóveis ou os títulos do governo. O que existem são investimentos de baixo risco.

Além disso, não existe apenas o risco de perder parte do dinheiro investido com a desvalorização da aplicação, como estamos acostumados a ver com as ações, por exemplo.

Há diversos tipos de risco, como o de não conseguir resgatar o investimento com facilidade, o de tomar um calote e o de ter uma rentabilidade inferior à inflação.

3. A caderneta de poupança é o investimento mais seguro

A caderneta de poupança pode ser considerada um investimento de baixo risco de crédito, pois tem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para quantias de até 250 mil reais por pessoa. Também tem baixo risco de liquidez, uma vez que é fácil e rápido fazer um resgate.

Acontece que ela também tem seus riscos. “A caderneta tem um dos piores riscos que existem, que é invisível, mas que só se manifesta no longo prazo: a perda do poder aquisitivo para a inflação. Quanto maior o prazo do investimento, mais clara fica essa defasagem”, observa Álvaro Modernell.

Ela também não é o investimento mais seguro da economia brasileira, mas sim os títulos públicos, emitidos pelo governo federal.

Estes contam com a garantia do governo, enquanto que a poupança, em caso de quebra do banco, só tem a cobertura do FGC. Embora seja uma proteção robusta, o FGC é uma instituição privada mantida pelos próprios bancos.

4. Investir é sinônimo de alto risco de perder tudo

Perder tudo não é impossível, mas só ocorre em circunstâncias muito específicas. Na verdade, existem diferentes tipos de investimento, com os mais diversos níveis de risco, para todos os gostos.

“Em alguns investimentos, a possibilidade de perdas é extremamente remota, como é o caso dos títulos públicos levados até o vencimento e dos papéis de renda fixa com garantia do Fundo Garantidor de Créditos. As pessoas desconfiam do mercado financeiro e alimentam essa ideia de ‘perder tudo’”, diz Massaro.

Mesmo investimentos de alto risco podem não levar à perda total do patrimônio. Quando ações se desvalorizam, não necessariamente levarão os acionistas a perder tudo. Eles podem vender os papéis antes de terem perdas ainda maiores.

Há casos em que de fato é possível perder todo o valor investido, como é o caso de papéis de renda fixa de maior risco, em que o investidor pode ficar sem receber seu dinheiro de volta.

Mesmo assim, o ideal é nunca investir todo o seu patrimônio em uma única aplicação financeira, sobretudo quando ela tem alto risco. Diversificação é uma grande arma para proteger seu patrimônio.

5. Bolsa de valores é para todo mundo

Álvaro Modernell lista dois motivos para essa ideia ser um equívoco.

“Investir em bolsa exige mais conhecimento do que apenas dar uma ordem no home broker ou comprar uma ação que foi recomendada por um analista. Além disso, pessoas menos experientes costumam ser mais influenciadas pelas notícias, ou seja, pelo que aconteceu no passado, do que pelos fundamentos das empresas, que representam suas perspectivas futuras”, diz o educador financeiro.

Em outras palavras, além de exigir certo conhecimento, o investimento direto em bolsa também requer controle emocional para que o investidor não seja facilmente influenciado.

Quem tem menos conhecimento, tempo ou controle emocional, mas ainda assim quer investir em renda variável, pode preferir fundos de investimento, que contam com uma gestão profissional. Já é uma forma de amenizar suas deficiências e ainda assim tentar obter rendimentos maiores que a renda fixa.

Contudo, é bom lembrar que o investimento em renda variável, direta ou indiretamente, é voltado para um tipo de objetivo e um perfil de risco específicos. Nem todos os investidores se enquadram nesse perfil em todos os momentos da vida.

Geralmente, objetivos de curto prazo ou que têm uma data certa para ocorrer devem ser mais conservadores. Pessoas que ficam tensas demais com eventuais perdas e têm o impulso de resgatar tudo no primeiro revés também devem preferir investimentos de baixo risco para não surtarem.

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6. O imóvel é sempre um porto seguro

Os imóveis têm sido, junto com a caderneta de poupança, considerados os investimentos mais seguros que existem pelos brasileiros. Juntam-se o sonho emocional da casa própria e a memória dos tempos da hiperinflação, quando imóveis serviam bem ao papel de repor a alta dos preços.

Mas pensar assim também é um equívoco. Imóveis têm riscos como qualquer outro investimento: risco de liquidez (não é tão fácil e rápido vendê-los, caso você precise do dinheiro) e risco de desvalorização.

Além disso, se tiverem sido comprados por preços altos, pode ser impossível cobrar um valor de aluguel suficiente para garantir um bom retorno para o investimento. Afinal, o preço do aluguel esbarra no limite dos rendimentos dos locatários, especialmente quando são pessoas físicas.

7. É impossível perder dinheiro na renda fixa

Alguns investimentos em renda fixa de fato têm baixo risco de perdas. É o caso dos títulos públicos quando levados até o vencimento, dos papéis protegidos pelo FGC (como os CDBs) e dos fundos de renda fixa conservadora.

Contudo, também existem aqueles investimentos que podem facilmente perder da inflação, como a caderneta de poupança; os que têm razoável risco de calote e não contam com a proteção do FGC, como alguns títulos de dívida privada; e os que podem sofrer fortes desvalorizações, como alguns títulos públicos quando vendidos antes do vencimento.

Investir em renda fixa, portanto, não é sinônimo de segurança absoluta, ou mesmo de baixo risco. Significa apenas que o investimento é ligado a uma forma de empréstimo, cujos fluxos de pagamento são incondicionais e cuja forma de remuneração já é conhecida no ato da aplicação.

8. Dá para prever o comportamento do mercado

“Existe um grau de aleatoriedade maior do que a gente gosta de admitir no sobe e desce do mercado financeiro. Finanças e Economia não são ciências exatas. Há muitas variáveis comportamentais e políticas que podem fazer com que as coisas não saiam como o esperado”, explica André Massaro.

Assim, é bem difícil, mesmo para profissionais, prever com um bom grau de precisão o comportamento do mercado. É sempre bom manter isso em mente.

Bola de cristal: Conhecimento não dá a capacidade de prever o futuro com precisão.

9. Algumas pessoas têm o poder de prever o mercado

Segundo Massaro, ter mais educação formal em economia e finanças não torna uma pessoa mais capaz do que qualquer outra de prever o futuro. Aliás, nem é esta sua função profissional.

“Mesmo que a pessoa seja renomada, tenha credenciais acadêmicas e um histórico de acerto, o máximo que ela vai conseguir fazer é um ‘educated guess’, que seria um chute com mais embasamento”, diz o consultor.

“Essa pessoa ainda não conseguirá afirmar com alto nível de certeza o que vai acontecer. Até dá para ter um nível maior de confiança nela, mas ela continuará sem capacidade de adivinhar”, completa.

10. Crianças ainda não estão preparadas para conversas sobre dinheiro

Para Álvaro Modernell, é preciso incluir as crianças nas conversas sobre o planejamento financeiro da família, pois elas são capazes de entender e até ajudar.

O ideal é que a educação financeira comece em casa, desde cedo, para que os filhos não desenvolvam maus hábitos, difíceis de vencer no futuro. Desde aprender o valor do dinheiro e do trabalho a ter o hábito de poupar, os pais devem estimular as crianças e adolescentes nesse caminho.

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