É difícil precisar se a aversão do brasileiro em pagar imposto de renda sobre os rendimentos das aplicações financeiras está em não querer dar dinheiro para o governo, temer que a rentabilidade seja muito sacrificada ou se simplesmente é porque ele acha que declarar imposto de renda vai ficar mais difícil.

Pode ser que tenha um pouco das três coisas. Se bem que a questão da rentabilidade cai por terra se o investimento em questão tiver uma rentabilidade maior que os investimentos isentos após o desconto do IR.

Mas uma coisa notável é que, ao ouvir que um investimento tem cobrança de imposto de renda, muita gente logo diz “ah, mas eu não quero ter trabalho com a Receita!”.

Vamos então esclarecer: só porque um investimento tem cobrança de imposto de renda não quer dizer que é você quem vai ter que recolhê-lo, ou que vai ficar muito mais difícil declarar imposto de renda.

É bem verdade que a questão do IR complica em certas situações, como no investimento em ações. Mas não é o caso para a maioria das aplicações financeiras, inclusive aquelas mais conservadoras, indicadas para quem quer ganhar mais que a poupança com baixo risco.

Para uma série de investimentos, a cobrança do imposto de renda é feita na fonte. Ou seja, é a própria fonte pagadora – a instituição financeira, no caso – a responsável por recolher o imposto de renda. O dinheiro já cai limpo na sua conta.

É o caso dos fundos de investimento, do Tesouro Direto, das debêntures (as que não são isentas) e dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

Alguns fundos de investimento podem ter uma cobrança semestral, além da cobrança no resgate, chamada “come-cotas”. Ainda assim, o desconto é na fonte.

Então, não, investir em produtos financeiros que sofram cobrança de IR não vai obrigar você, necessariamente, a emitir DARF (Documento de Arrecadação das Receitas Federais) e ir ao banco todo mês para pagar IR. Nem nada parecido com isso.

Na hora de declarar o imposto de renda, no ano seguinte, também não vai ser nenhum bicho de sete cabeças.

Assim como a poupança é um bem, declarado na ficha de Bens e Direitos sob código próprio, CDBs, fundos e títulos públicos também o são, sendo declarados na mesma ficha, sob códigos específicos.

O que difere na hora do preenchimento é a ficha onde são declarados os rendimentos. Quando você recebe rendimentos da poupança, eles devem ser declarados na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

Já quando há o resgate de aplicações financeiras tributadas, gerando assim rendimentos, eles devem ser declarados na ficha “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”.

Como o próprio nome da ficha diz, esses rendimentos não se somam à sua renda tributável do ano, o que significa que você não terá que pagar mais imposto de renda no ajuste por causa deles.

Viu? Sua relação com a Receita não vai mudar muito se você investir em uma aplicação financeira tributada.

A menos, é claro, que você diga “mas eu nunca declarei a poupança! Precisa? Mas ela não é isenta de imposto de renda?”, o que é papo para outro post (e sim, precisa declarar!).

Com bolsa e imóveis é diferente

No caso do investimento direto na bolsa e em imóveis, a coisa é um pouco diferente, e dá mais trabalho sim. A declaração tem uma série de regras próprias, e o recolhimento é, na maioria dos casos, responsabilidade do investidor.

Nas operações de bolsa, o investidor pode abater prejuízos e taxas dos seus lucros, reduzindo o IR a pagar. Além disso, o recolhimento do imposto deve ser feito em até dois meses após a venda dos papéis com ganho, e não na hora da declaração.

Por esses motivos, é fundamental acompanhar de perto o preço de compra e venda de cada ativo, bem como os lucros e os prejuízos.

Na venda de imóveis, o recolhimento do IR sobre o ganho é de responsabilidade do vendedor. No aluguel, quando o locatário é pessoa jurídica, é ele o responsável pelo recolhimento.

Mas quando o locatário é pessoa física, é o proprietário quem deve recolher o IR. Se houver o intermédio de uma administradora de imóveis, frequentemente é ela quem faz o recolhimento, descontando o pagamento do valor do aluguel.

As regras para recolher imposto e declarar rendimentos nesses casos são assuntos para outros posts. Mas o importante é: não quer ter trabalho com a Receita? Há uma série de investimentos apropriados para você, mesmo que não sejam isentos como a poupança.

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