• A variação do IPCA em abril foi de -0,31% mom, resultado abaixo da mediana das expectativas (-0,25%). Foi a segunda maior deflação mensal da história do Plano Real, a mínima histórica é agosto de 1998 (-0,51%). A taxa de inflação de dos últimos doze meses ficou recuou de 3,3%, em março para 2,4% em abril. No ano, o IPCA acumula alta de 0,22%.
  • O resultado de abril repetiu o que foi observado em março, porém com maior intensidade: alta na inflação de alimentação e bebidas e deflação em transportes. O efeito líquido em abril foi a segunda maior deflação do IPCA desde o Plano Real. O resultado foi fortemente influenciado pelas reduções nos preços dos combustíveis.
  • A queda no grupo de Transportes (-2,66%) ocorreu principalmente devido ao recuo observado nos preços dos combustíveis (-9,59%), em particular da gasolina (-9,31%), que apresentou o maior impacto individual negativo do mês, -0,47 ponto percentual.
  • O grupo Artigos de Residência (majoritariamente bens duráveis) variou de -1,37%, porém, apesar da significativa deflação no mês, os bens duráveis correspondem a uma pequena parte da cesta de consumo do IPCA de forma que a queda de preços teve pouco impacto no índice cheio (-0,05 ponto percentual).
  • Serviços apresentou variação de 0,25%. Na comparação interanual, a inflação de serviços recuou de 3,11%, em março, para 3,03% em abril. Serviços Subjacentes (exclui alguns itens voláteis do grupo de serviços) subiu 0,17% (contra 0,13% no mês anterior) e acumula alta de 3,13% nos últimos 12 meses.
  • Os núcleos variaram -0,01%, em média (contra 0,11% em março). Os núcleos apresentam inflação de 2,42% YoY, em média, abaixo da meta de 4,00%.
IPCA Var. %
IPCA (%) - Var MoM and Historical Distribution
IPCA, %
IPCA Administered Prices, %
IPCA Non-Administered Price, %
IPCA Tradables, %
IPCA Non-Tradables, %
IPCA Services, %
IPCA Núcleos, %
Diffusion Index

O IPCA de abril trouxe forte pressão positiva nos preços de alimentos com deflação nos preços de energia (combustível e energia elétrica). O resultado de abril foi fortemente influenciado pelos preços do grupo de Transportes.

A alimentação no domicílio passou de 1,4% em março para 2,24% em abril. Os preços dos alimentos sobem devido a uma retração na oferta de produtos, que é resultado das políticas de isolamento social em combate ao Covid-19, concomitante a um aumento na demanda devido ao maior volume de compras nos mercados. . Índices de alta frequência indicam um aumento no volume de vendas de hipermercados e supermercados ao redor de 15% na comparação interanual.

O efeito das medidas de combate ao Covid-19 nos preços tende a ser deflacionário via dois movimentos distintos. No curto prazo, deflação de transportes, devido à queda no preço do petróleo. Num segundo momento, uma queda no preço de serviços e não-comercializáveis, devido à recessão econômica.

Projetamos IPCA de -0,3% para maio e de 1,9% para o ano de 2020.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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