Dia D é um termo usado no meio militar para denominar a data que um ataque deve ser iniciado. Ficou conhecido pelo episódio do desembarque das tropas aliadas na Normandia na Segunda Guerra, no dia 6 de junho de 1944.

O Brasil está prestes a ganhar o seu próprio Dia D. Dia 24 de janeiro de 2018 pode entrar para a história como o dia do julgamento do ex-presidente Lula.

Evento inédito na democracia brasileira, um candidato poderá ser impedido de concorrer às eleições presidenciais por meio da via judicial. Caso seja condenado em segunda instância, Lula ficará inelegível.

Evento desse calibre, o julgamento será acompanhado por 300 jornalistas. Também será transmitido ao vivo pela conta do Youtube do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

Forças de segurança nacional e gaúchas montaram um gabinete de crise para lidar com as manifestações que estão sendo convocadas.

Cenários

O desfecho desse julgamento deve ter um efeito dominó sobre a política, economia e, consequentemente, sobre os investimentos. Exemplo disso é o comportamento do Ibovespa.

O índice vinha batendo recorde atrás de recorde e atingiu os 80 mil pontos. Mas com a proximidade do julgamento, nesta sexta-feira (19) mostrou pouca variação, com os investidores já aguardando o grande dia.

Confira os três cenários possíveis do julgamento, que contará com o voto de três desembargadores:

A) Se a condenação de Lula for unânime e ele ficar fora da disputa eleitoral, o mercado deve reagir com otimismo. Isso porque uma disputa sem Lula abre espaço para um candidato de centro, que o mercado avalia ser mais comprometido com reformas.

“Condenado por três a zero, o Ibovespa deve ter alta leve. Isso porque parte desse ganho de 6% de janeiro já é o mercado antecipando esse placar”, diz Filipe Villegas, analista de ações da GENIAL Investimentos.

B) Se Lula for condenado com o placar dividido, a defesa do ex-presidente poderá protelar o processo com recursos, aumentando as chances dele participar do pleito.

“Placar de dois a um vai gerar desconforto no mercado e a reação deve ser de neutra para negativa”, afirma Villegas.

C) Se Lula for absolvido, o caminho estará livre para que ele registre a candidatura e possa ser o candidato do PT em outubro.

“No caso de absolvição, a reação do mercado será de queda generalizada”, diz o analista da GENIAL.

Publicado por Thais Folego

Thais é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero com MBA em Informações Econômico-Financeiras. Foi repórter de finanças e investimentos dos maiores veículos especializados do país, entre eles o jornal Valor Econômico e as revistas Exame e Capital Aberto.

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