Após um período importante de desaceleração na China, com redução do número de novos casos nos últimos 15 dias, o coronavírus começou a se espalhar rapidamente por outros países. Até o momento, a Europa e o Oriente Médio são as regiões mais afetadas, tendo sido confirmado hoje o primeiro caso positivo no Brasil.

A reação dos mercados financeiros foi bastante negativa, com queda dos preços das ações, valorização generalizada do dólar, inclusive frente ao iene, que é considerada uma moeda segura, e queda dos juros dos títulos americanos. No Brasil, após o feriado de Carnaval, os mercados abriram hoje com um sinal extremamente negativo, desvalorização do real, aumento das taxas de juros longas e queda do Ibovespa.

Este é um momento de estresse, e deve ser tratado como tal. Em momentos assim, o melhor é manter o portfólio e esperar. Em geral, epidemias e pandemias causadas por vírus têm uma vida relativamente curta. Em média, segundo analistas consultados, duram cerca de quatro meses. Durante esse período, a exposição ao vírus faz com que as pessoas desenvolvam anticorpos, e a epidemia entra em decadência. Por outro lado, laboratórios especializados já estão trabalhando intensamente em vacinas contra o vírus. Notícias dão conta de que testes em humanos poderão ocorrer dentro de um trimestre.

Nesse contexto, nossa avaliação é que o coronavírus terá efeito negativo importante sobre o crescimento mundial, mas ainda é cedo para refazer nossas estimativas de crescimento. Porém, agora, o importante é manter a calma e não tomar decisões precipitadas. O normal é, a princípio, os mercados terem uma reação excessivamente negativa. À medida que o tempo passa, os preços tendem a refletir mais a realidade estrutural do que os fatores conjunturais.

Nossa recomendação

Para os investidores que não necessitem dos recursos, e/ou que não se sintam excessivamente desconfortáveis com o nível de risco dos portfólios diante da perspectiva de desaceleração da economia mundial causada pelo coronavírus (ou seja, provavelmente o nível de equilíbrio dos preços dos ativos será menor do que antes da disseminação do vírus, mas maior do que o nível atingido no momento de estresse), recomendamos manter os portfólios, pelo menos até o esgotamento dos primeiros efeitos. Nossa expectativa é que, uma vez passado o estresse da rápida disseminação do vírus, os níveis de preços voltem a uma trajetória mais próspera.

Para quem precisa dos recursos ou se sente inseguro de manter o nível de risco dos portfólios, ou seja, quem não acredita que os novos níveis de equilíbrio dos preços dos ativos justifiquem os riscos, recomendamos uma transição cuidadosa de investimentos mais arriscados e/ou ilíquidos para investimentos mais seguros, como renda fixa, dólar, ouro ou, ainda, fundos lastreados nesses ativos e que possuam alta liquidez.

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Publicado por José Márcio Camargo

Doutor em Economia pela Massachusetts Institute of Technology, atua como docente na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É referência em assuntos como Microeconomia e Economia do Trabalho e atua como economista chefe da Genial Investimentos.

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