Nesta sexta-feira, a campanha presidencial brasileira entra em sua fase final. Começa o período de 35 dias de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que antecede o primeiro turno da eleição. Nunca, na história recente, as eleições foram marcadas por tamanha imprevisibilidade.

A pesquisa telefônica DataPoder360, divulgada nesta quinta-feira, atestou, mais uma vez, que o ex-presidente Lula permanece popular, Fernando Haddad apresenta potencial de crescimento e Jair Bolsonaro é o candidato mais rejeitado apesar da segunda colocação obtida. Ou seja, sem novidades. As entrevistas concedidas pelos candidatos ao Jornal Nacional tampouco alteraram o cenário. Os candidatos apenas reafirmaram suas estratégias.

No momento, há duas incógnitas principais na eleição, a saber: a) se Geraldo Alckmin conseguirá crescer com a propaganda na TV; e b) se Lula será bem-sucedido na transferência de votos para Fernando Haddad. A candidatura do ex-presidente poderá ser indeferida pelo TSE a qualquer momento.

Se, por um lado, Bolsonaro consolida sua intenção de voto espontâneo, por outro, vê sua rejeição crescer a cada pesquisa, principalmente entre mulheres, eleitores de renda mais baixa e moradores do Nordeste. Ele sabe que será o alvo principal da campanha de Geraldo Alckmin e que terá dificuldades de responder aos ataques com os poucos segundos de propaganda na TV de que disporá. Assim, Bolsonaro parece ter optado por fidelizar os eleitores já conquistados.

O candidato do PSL, no entanto, está consolidado na faixa dos 15%, sua taxa de voto espontâneo, não havendo garantias de que conseguirá chegar ao segundo turno. Nesse sentido, nunca é demais lembrar que, em 2014, no início de setembro, Marina abria mais de 20 pontos de vantagem sobre Aécio e vencia Dilma no segundo turno.

Assim, é prudente aguardar o começo da propaganda na televisão e avaliar seus efeitos nas pesquisas de opinião. A estrutura do PSDB (tempo de TV, palanques) não pode ser desprezada. Geraldo Alckmin vai crescer, a dúvida é quanto; ou seja, quão efetiva será sua propaganda eleitoral na TV.

Por outro lado, embora a transferência de votos de Lula ainda seja uma incógnita, parece evidente que ela ocorrerá, a dúvida também é saber quanto. Marina Silva é, hoje, a principal herdeira de Lula e perderá boa parte desses votos à medida que Haddad se fizer conhecido. Não há muito espaço para o crescimento de Ciro Gomes após o processo de asfixia a que foi submetido pelo PT, que lhe tomou aliados da esquerda.

Em suma, parece bastante razoável que cheguemos às vésperas do primeiro turno com empate triplo entre Alckmin, Haddad e Bolsonaro, na faixa dos 20%. Como ainda há 35 dias de campanha na televisão, e Alckmin concentrará quase metade da exposição nos blocos e inserções, um segundo turno entre PSDB e PT parece ter boas chances de ocorrer, mas não se pode descartar cenários alternativos, como Bolsonaro disputando o segundo turno com o PT ou o PSDB.

Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, economista (FEA-USP) e cientista político (FFLCH-USP).

 

Publicado por Ribamar Rambourg

Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, responsável pela avaliação do cenário político-eleitoral brasileiro. Ribamar é economista graduado pela FEA-USP e mestrando em Ciência Política na FFLCH-USP. Em sua dissertação de mestrado, analisa o tema “Coalizão de governo e crise de governabilidade no período Dilma Rousseff

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