Em setembro deste ano, o Índice Bovespa ultrapassou os 73 mil pontos, atingindo seu maior patamar desde maio de 2008. Desde então, o principal índice da bolsa brasileira bateu novos recordes, chegando a fechar acima dos 75 mil pontos diversas vezes. A nova máxima histórica do Ibovespa virou notícia. Mas o indicador está mesmo no seu maior patamar de todos os tempos? E, se sim, ainda há espaço para valorizações, ou a bolsa atingiu seu limite?

Nos últimos dois anos, a bolsa brasileira vem mostrando forte recuperação. Após três anos fechando em queda, o Ibovespa teve alta de quase 38% em 2016, muito por conta de uma redução do risco político após o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Em 2017, a bolsa continua sua trajetória de alta com os primeiros sinais de recuperação econômica – controle da inflação, queda na taxa básica de juros, bons resultados das empresas, ambiente externo favorável, perspectivas de reformas. Até agora, o Ibovespa já subiu por volta de 23%.

Essas recuperações levaram o principal índice da bolsa de volta aos 70 mil pontos, mesmo patamar do início de 2008, quando o otimismo com a economia brasileira e a euforia global – pouco antes de a crise estourar – eram máximos. Mas, naquele fatídico ano, em que estourou a pior crise econômica mundial desde 1929, a bolsa brasileira acabou por desabar 41%.

Agora, o cenário é diferente. O ambiente externo se mostra economicamente favorável, e a economia brasileira está, na realidade, ainda deprimida. Ainda assim atingimos a máxima. Mas será que ainda dá para subir mais?

Ibovespa deflacionado não está na máxima

É preciso tomar cuidado aqui. Estaria o Ibovespa realmente na máxima? Em termos nominais, sim. Mas para fazer uma comparação de longo prazo, o ideal é descontar a inflação do período. E de 2008 para cá – quase dez anos – o Brasil passou por um período de taxas de inflação bastante elevadas.

Outra análise possível é considerar o Ibovespa em dólar, o que é relevante para investidores globais, que investem em mercados de diversos países. Boa parte dos investimentos na bolsa brasileira vêm do exterior, e considerar o índice dolarizado permite ainda comparações internacionais.

No gráfico a seguir, você pode comparar a evolução do Ibovespa de maio de 2007 para cá em termos nominais, com o desconto da inflação pelo IPCA e em dólar.

Repare que o índice deflacionado está na casa dos 40 mil pontos, ainda longe da máxima de 2008; já o índice dolarizado está na casa dos 20 mil pontos, metade do que já alcançou nos pontos mais altos do período em análise.

Gráfico compara evolução do Ibovespa nominal, deflacionado e dolarizado
Fonte: Economatica.

Os dados e as circunstâncias atuais mostram, portanto, que o momento não é igual ao início de 2008. O Ibovespa ainda tem espaço para valorização. É claro que ainda há risco e grande expectativa em torno das eleições do ano que vem e da aprovação da Reforma da Previdência. Mas o potencial está lá, o que é bom sinal tendo em vista que, com a menor taxa de juros da história, o investidor brasileiro precisa buscar alternativas fora da renda fixa conservadora.

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