Em ritmo tranquilo, que não demonstra pressa, mas tampouco pode ser considerado lento, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, segue montando o primeiro escalão de seu governo. Prevê-se que todos os ministros sejam indicados até o fim da próxima semana para que a equipe escolhida tenha tempo hábil para se entrosar e definir as ações prioritárias, que serão tomadas já nos primeiros dias de gestão do novo presidente.

Na terça-feira, o nome do general da reserva Fernando Azevedo e Silva foi confirmado por Bolsonaro como ministro da Defesa. Atualmente ocupando o cargo de assessor do presidente do Superior Tribunal Federal (STF), Azevedo e Silva é conhecido como um militar de tendências moderadas e defensor da democracia. Também tem bom trânsito no meio político. É o segundo militar que se engaja no governo de Jair Bolsonaro. O primeiro foi o também general da reserva Augusto Heleno, que chefiará o Gabinete de Segurança Institucional.

Nessa movimentação inicial das peças do primeiro escalão do futuro governo, a grande polêmica continua sendo a oficialização do juiz Sérgio Moro como futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública. Responsável maior pela investigação, julgamento e condenação do ex-presidente Lula, no desenrolar da Operação Lava Jato, Sérgio Moro teve sua indicação para ministro muito contestada por políticos e juristas. A imparcialidade do juiz foi questionada e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu procedimento para analisar o caso.

Os demais indicados para ocupar ministérios e outros cargos-chave no governo do presidente eleito não trouxeram surpresas. A semana começou com a confirmação de Joaquim Levy como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Indicação de Paulo Guedes, o superministro da área econômica do novo governo, Levy é ortodoxo, defensor intransigente do corte de gastos, tema que soa como música nos ouvidos do futuro presidente. Joaquim Levy foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e secretário do Tesouro Nacional no primeiro mandato de Lula.

Onyx Lorenzoni, Casa Civil; Tereza Cristina, Agricultura; e o ex-astronauta Marcos Pontes, Ciência e Tecnologia, são os demais indicados até agora por Bolsonaro. Há outros nomes em evidência em Brasília e nas redações dos veículos de imprensa, como o do advogado Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL e muito ligado a Bolsonaro, mas, enquanto o presidente eleito não se manifestar oficialmente, tais indicações permanecem no campo das especulações.

Senado na contramão

Os 41 senadores que votaram a favor do reajuste de 16,9% nos salários do Poder Judiciário prejudicaram o País ao usarem a concessão do aumento, que trará impacto de R$ 4,9 bilhões nas finanças públicas, para mandar um recado de “independência” ao futuro presidente da República. Contribuíram para ampliar as dificuldades econômicas do Brasil, que já não são pequenas, e acirraram os ânimos nas relações com Bolsonaro, o que também não é bom.

Essa crise tem tudo para se agravar nos próximos dias, pois a pauta do Senado prevê votações que podem causar um rombo de R$ 249 bilhões nos já combalidos cofres públicos. Sob a desculpa de não se submeter aos desejos do Executivo, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, derrotado nas eleições de outubro, aperta o detonador de uma bomba cujos efeitos serão sentidos a partir do ano que vem. Uma postura lamentável.

Gabriel Azevedo

Gabriel Azevedo

Gabriel Azevedo é formado em Jornalismo, em Publicidade e em Direito, área na qual obteve seu mestrado. Atua como professor de Direito Constitucional e é diretor da JusBrasil. Entre 2011 e 2014, foi Subsecretário de Estado de Juventude do Governo de Minas e em 2017 assumiu seu primeiro mandato como vereador de Belo Horizonte. No MyNews participa do programa “Segunda Chamada”, apresentado por Antonio Tabet, todas as segundas-feiras, às 20h30.

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