Maio foi um mês difícil para os investidores. E os próximos meses prometem não ser fáceis. São muitas as incertezas e a campanha eleitoral já entrou no radar dos agentes econômicos. A greve dos caminhoneiros foi só uma pequena amostra do que está por vir.

Governo fraco, situação fiscal se deteriorando, muitos presidenciáveis e poucas propostas realistas para enfrentar os desafios brasileiros. Estão aí os ingredientes que aumentam a temperatura dos mercados e jogam água na atividade econômica. Os economistas começam a fazer as contas para estimar qual será o peso da greve no crescimento brasileiro que, como se viu nos números divulgados pelo IBGE do primeiro trimestre já não está animador, mostra uma fraqueza da indústria e dos serviços e desaceleração expressiva do investimento.

Como sempre acontece em momentos conturbados, dólar e ouro foram o destino preferido da maioria assustada com os rumos do país. O dólar acumulou em maio uma alta de 6,65% e ouro 5,9% a segunda alternativa mais rentável no mês.

O mercado de ações sentiu o baque e teve uma perda acumulada no mês de 10,87%. Os estrangeiros, importantes atores para dar combustível a este mercado, deixaram a Bolsa. Desde o início da greve dos caminhoneiros, as retiradas somaram mais de R$ 3 bilhões.

Mesmo a renda fixa sofreu. No mercado futuro os juros estão em alta e a decisão do Copom de não reduzir a taxa básica na última reunião espalhou perdas por muitas carteiras no mercado, dado que os gestores esperavam mais um corte na taxa básica e mantinham posições contemplando esse cenário, que não se confirmou.

A recomendação dos analistas é: com tantas incertezas pela frente, o melhor é manter o caixa. Isso significa manter o dinheiro ao alcance da mão, em aplicações de curto prazo que privilegia a liquidez.

E por que isso? Para evitar os solavancos do mercado? Certamente. Mas não apenas por isso. Ter o dinheiro em caixa significa que você poderá a qualquer momento fazer uso desses recursos para aproveitar oportunidades que certamente aparecerão.

Já faz algum tempo, em 1999, cobri minha primeira grande crise econômica. Era editora do Folhainvest, caderno de investimentos da Folha de São Paulo. Na época, o então presidente Fernando Henrique Cardoso acabava de ser reeleito em meio a uma forte crise no cenário interno com a perspectiva do fim da ancora cambial, que logo se confirmou. A bolsa estava nos seus patamares mais baixos. Quem teve dinheiro e coragem naquele momento foi bem recompensado. O Ibovespa em um ano exibiu ganhos acima de 100%.

Em 2002 o país passou por outra grave crise de confiança, com a bolsa despencando e o dólar chegando a bater 4 reais. Era a perspectiva da primeira eleição do ex-presidente Lula, que acabou se confirmando. Quem comprou dólar naquele momento e o manteve bem guardado até hoje não conseguiu recuperar as perdas e deixou de experimentar ganhos atraentes com juros e com ações.

As crises, sim, trazem oportunidades. Mas para saber aproveita-las é fundamental que você converse com seu corretor ou consultor, avalie os reais riscos de cada mercado e, principalmente, faça uma análise profunda da sua tolerância ao risco e do prazo dos seus recursos.

Resumo desta ópera: em mercados nervosos, a calma rende mais do que ouro. Muito mais.

* Mara Luquet escreve todas as quartas-feiras para o blog GENIAL. Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Idealizadora do MyNews, primeiro canal de jornalismo feito exclusivamente para o YouTube, Mara é jornalista especialista em economia e investimentos. Tem passagens pelos jornais Valor Econômico, Folha de S. Paulo e revista Veja, além de ter sido colunista da CBN e comentarista de jornais da Globo e GloboNews. Apresenta o programa “Economia é Genial” todas as quintas-feiras no canal MyNews, às 20h30.

Comentários

  • Em resumo, se você tem capital para investir, pulverize em ações, fundos e moedas, para que um compense o risco que o outro possa gerar.

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