Inflação é o aumento generalizado e contínuo de preços de bens e serviços de uma economia. Por isso, não faz sentido falar em inflação de um único produto.

A inflação faz o dinheiro perder valor no tempo. Ou seja, cem reais compram hoje bem menos do que compravam há 15 anos, devido à alta de preços do período. Assim, quando há inflação, ainda que baixa, o valor da moeda hoje é maior do que será no futuro.

Causas da inflação

A inflação costuma decorrer de um descasamento entre oferta e demanda. Por exemplo, uma procura maior por produtos e serviços do que produtores e prestadores podem atender. Ou uma escassez de produtos e serviços que ainda têm muita demanda.

Fatores que dificultem a produção funcionam como obstáculos para que produtores e prestadores de serviços consigam atender a uma grande demanda a contento.

É o que ocorre, por exemplo, quando a infraestrutura para determinadas atividades econômicas não é adequada, quando falta mão de obra, ou quando questões climáticas, como uma quebra de safra, causam uma escassez de matéria-prima.

Esses problemas também encarecem a produção, e essa alta de custos frequentemente é repassada ao consumidor final.

Há uma série de outros fatores que encarecem a produção, como a alta do dólar, que aumenta os preços dos insumos importados; a alta dos preços dos produtos negociados em bolsa, como petróleo, soja e minério de ferro; a elevação de tarifas de utilidades públicas, como água e luz, e a alta de impostos.

Há outras coisas que influenciam a inflação. As expectativas em relação à própria inflação, por exemplo. Afinal, empresas fazem previsões com base em uma dada expectativa de inflação, o que também vai impactar no preço de seus produtos e serviços.

Outra causa da inflação é a correção monetária, a chamada indexação. Muitos contratos a preveem, o que contribui, em parte, para realimentar a própria inflação.

É o que acontece, por exemplo, nos aumentos de salários e aluguéis de imóveis, que são reajustados conforme a inflação passada.

Inflação, hiperinflação e deflação

É redundante dizer que “a inflação aumentou x%”, porque a palavra inflação já implica um aumento. É melhor dizer que “a inflação foi de x%”.

É claro que a taxa de inflação pode aumentar ou diminuir. Por exemplo, se em dado ano a inflação foi de 5%, e no ano seguinte foi de 6%, houve um aumento da taxa de inflação.

Já se a taxa tiver sido de 5% em um ano e 4% no ano seguinte, houve uma queda da taxa de inflação. Mas note que não houve uma queda de preços: nos dois anos os preços aumentaram. É que eles subiram menos em um ano do que no ano anterior.

Quando há queda de preços fala-se em deflação, que é uma taxa negativa. Por exemplo, a taxa de inflação em determinado ano é de -2%, o que significa que os preços efetivamente caíram 2% naquele período.

Já a hiperinflação é, por assim dizer, a inflação que está paulatinamente num patamar muito, muito alto. Não há determinação precisa de quando um país está vivendo uma hiperinflação.

No passado, considerava-se que um país tinha hiperinflação quando suas taxas ficavam consistentemente acima de 50% ao mês. Mas uma inflação de dois dígitos abaixo desse patamar era considerada apenas “inflação alta”.

Mais recentemente, taxas de inflação na casa dos 30% ou 40% ao mês já são consideradas estados de hiperinflação.

Efeitos da inflação

Ao fazer o dinheiro perder valor no tempo, a inflação leva a uma perda de poder de compra. Assim, se a sua remuneração não acompanhar a inflação, você ficará cada vez mais pobre.

Segundo a mesma lógica, se você poupa parte do seu dinheiro, é fundamental que ele seja remunerado por uma aplicação financeira a uma taxa igual ou superior à inflação. De outro modo, essas reservas também perderão valor.

Em outras palavras, a inflação, assim como as taxas de administração e os impostos, “come” parte da remuneração dos investimentos. A rentabilidade que conta para o investidor é a rentabilidade que excede a taxa de inflação, chamada de rentabilidade real.

Esse é um dos riscos de guardar o dinheiro em casa, “debaixo do colchão”, em vez de aplicá-lo. Com o tempo, aquelas notas vão perdendo o valor, pois não há qualquer rentabilidade.

Uma inflação baixa ou moderada pode estimular a economia, na medida em que uma demanda ligeiramente mais aquecida que a oferta pode incentivar a produção, gerando crescimento.

Porém, inflação alta tem um efeito bastante perverso, sobretudo para os mais pobres.

Quem tem mais renda em tese tem “gordura” no orçamento que pode ser cortada, tem sobras para acomodar as altas dos preços e tem capacidade de poupar em aplicações financeiras que reponham a inflação.

Quem tem renda baixa, contudo, vive com o orçamento apertado e gasta a maior parte do que ganha em alimentos e outros itens básicos. Para elas, a inflação leva a uma forte queda no padrão de vida.

Inflação muito alta também é mais difícil de prever, o que aumenta o risco da economia do país, desestimulando o investimento e a produção.

Além disso, os produtos de um país que sofre com altas taxas de inflação podem ficar menos competitivos que os importados.

Deflação também é um problema

A queda de preços generalizada e contínua também pode ser um problema. Ela desestimula o consumo, pois poupar passa a ser mais vantajoso – afinal, os preços vão cair no futuro, e as aplicações financeiras enriquecem o poupador.

A redução do consumo resulta em queda na produção e na geração de empregos, reduzindo o crescimento. As deflações geralmente sucedem crises e estouros de bolhas, tornando a recuperação econômica ainda mais difícil.

Como se mede a inflação

A inflação é medida por índices que acompanham os preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos por um determinado segmento da população (com um determinado nível de renda e moradora de certas regiões), segundo uma proporção que reflita seu padrão de consumo.

O Brasil tem dezenas de índices de inflação, que acompanham a evolução dos preços para diferentes grupos em diferentes prazos. Herança da época de hiperinflação, quando era necessário aferir a inflação em curtos períodos de tempo.

Os principais índices de inflação brasileiros são:

Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerado o índice de inflação oficial.

O período de coleta de preços vai do dia 1 ao dia 30 do mês de referência e abrange as famílias com rendimentos mensais entre um e 40 salários mínimos, provenientes de quaisquer fontes, e residentes em áreas urbanas.

Índice de Nacional de Preços ao Consumidor (INPC): também calculado pelo IBGE, seu período de coleta vai do dia 1 ao dia 30 do mês de referência.

Abrange as famílias com rendimentos mensais entre um e cinco salários mínimos, cuja pessoa de referência é assalariada em sua ocupação principal e residente em áreas urbanas. Serve de referência para os reajustes salariais das categorias profissionais.

Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M): calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), seu período de coleta vai do dia 21 de um mês até o dia 20 do mês seguinte.

Inclui não apenas produtos e serviços voltados para o consumidor final, como também preços do atacado (que têm peso grande no índice) e da construção civil. Muito usado para reajustar contratos de aluguel.

Há ainda índices que apuram os preços de determinados setores econômicos – como serviços ou construção civil –, índices que abarcam outros prazos e até setores específicos da população, como os idosos.

Você pode calcular o IPCA, o INPC ou o IGP-M acumulados em determinado período usando a calculadora do cidadão, do Banco Central.

Para conhecer as expectativas do mercado para a inflação, você pode acessar o Boletim Focus do Banco Central, atualizado semanalmente.

Para saber as expectativas do próprio Banco Central para os índices de preços oficiais, você pode acessar a seção de Indicadores Econômicos Consolidados, do site do BC, e clicar na planilha de Expectativas de Índices de Preços.

Sistema de metas e o controle da inflação

Para manter a inflação controlada, o Brasil adota um sistema de metas. Com base nas expectativas para o crescimento da economia, o Banco Central calcula um índice de inflação esperada aceitável.

O mercado, então, alinha suas expectativas com essa meta, o que por si só já exerce certo controle sobre a alta de preços. Atualmente, a meta de inflação brasileira é de 4,5% ao ano, podendo variar de 2,5% a 6,5%.

O Banco Central tenta controlar a inflação mexendo na taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. Ela influencia as taxas de juros praticadas no país.

De modo geral, quando sua meta é elevada, a atividade produtiva é desestimulada, pois o crédito fica mais caro, o que deve reduzir a inflação.

Quando a meta da Selic é reduzida, ocorre o oposto: o crédito fica mais barato e a atividade econômica é estimulada, o que pode elevar a inflação.

Contudo, políticas de preços administrados pelo governo – como as tarifas de concessões públicas e os preços de combustíveis – e a política cambial também podem influenciar a inflação.

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