Conversamos no meu último artigo sobre o motivo de a educação financeira para as crianças de hoje ser fundamental para os adultos de amanhã. Em casa, ensino meus filhos a serem investidores, e não poupadores. Qual é a diferença?

O poupador economiza em tudo o que pode, não toma riscos e, aos poucos, torna-se refém da necessidade de poupar cada vez mais. Já o investidor coloca o dinheiro para trabalhar pelos seus sonhos, procura aplicações para aumentar seu patrimônio e contribui com a economia real.  

Investir é diferente de poupar não apenas no saldo final, mas também na mentalidade por trás do dinheiro. Ao investir em companhias do mercado, as crianças aprendem a lidar com o sobe e desce das ações e adquirem habilidades fundamentais para quem deseja empreender no futuro: paciência para conquistar aos poucos, resiliência ante às perdas e capacidade de se reinventar frente aos diversos cenários. 

Investir vem do latim investire, que significa revestir ou vestir de novo. Quando a criança entende a finalidade de dar uma nova utilidade ao dinheiro, fomentando negócios, alavancando a economia e, sobretudo, participando das empresas que gosta de consumir – e ainda é premiada por isso – ela compreende o sentido de ser investidor e de diversificar.

É sendo sócio e apostando em projetos que se desenvolve um país. Quanto mais produtivo um país, maior a renda per capita e menor a desigualdade.  

O que é preciso para desenvolver em seus filhos a mentalidade de investidor, e não apenas de poupador? Dar o primeiro passo na jornada do pequeno investidor. Por isso, hoje, vou mostrar como abrir uma conta em banco e em corretora de valores para menores de idade.

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Investir pode ser uma carreira 

Investir pode ser uma carreira para seus filhos, mas isso não quer dizer se alojar no rentismo financeiro. Pelo contrário, o ato de investir irá apenas lhes dar segurança para, quando adultos, poderem se dedicar a trabalhar em seus objetivos, com o que realmente amam e se identificam, e não apenas por um salário no fim do mês. 

A carreira de investidor é possível para todos, independentemente da idade, mas as crianças têm o benefício do tempo a seu favor, que, quando usado corretamente, pode potencializar sonhos e oferecer tranquilidade na vida adulta. 

Por que criança precisa de conta em banco? 

Para investir, seu filho não necessariamente precisa ter uma conta em banco, pois é possível utilizar a conta bancária do responsável legal nas transferências para a corretora. Mas esse é um instrumento importante para a educação financeira dos pequenos e, se for possível, recomendo que tenham conta em banco.  

Com a conta bancária, a criança aprende, desde cedo, a fazer a gestão digital do seu dinheiro. Além disso, familiares e amigos poderão presenteá-la com recursos financeiros, aumentando o capital disponível para investimentos em ativos que, no longo prazo, poderão oferecer benefícios.  

Exemplo: 

Este é o kit de pequena investidora que minha filha tem desde bebê: a identidade e o cartão do banco em que recebe, até hoje, aos 10 anos, mesada e presentes de familiares. E ela ainda pode acompanhar seus gastos. 

Identidade do Filho Investidor
Cartão da conta no banco do Filho Investidor

Quando você abre uma conta para seu filho no banco, pode fazer toda a gestão da vida financeira dele separadamente da sua. É a independência financeira desde cedo. 

O cartão você solicita quando ele entender o processo. A partir dos 7 anos, já conseguem administrar suas receitas e gastos sozinhos sob supervisão. Lembre-se: deixe-os tomar pequenas decisões, errar é fundamental para o crescimento. 

IMPORTANTE: Pais de meninas devem investir em suas filhas assim como em seus filhos. Dados da B3 mostram que meninos são seis vezes mais beneficiados com aportes de seus responsáveis.  

Aja da mesma maneira com seu filho e com sua filha em relação a dinheiro!

Como escolher o banco para seu filho?  

Banco tradicional – Banco digital – Corretoras 

Os bancos tradicionais são os que já conhecemos, com agências físicas, gerentes, burocracia, custos, taxas e opções de investimentos atreladas à bandeira do banco. Tudo faz parte do ‘pacote da tradição’. Para manter essa estrutura pesada, há um preço (alto) embutido nos produtos e serviços que nos oferecem. Um modelo ultrapassado, sobretudo para a geração atual. 

Os bancos digitais, por sua vez, são boas opções, principalmente para quem está começando. Oferecem facilidade, desburocratização e custos mais baixos comparados aos tradicionais.  

Apesar de práticos, os bancos digitais ainda não disponibilizam todas as informações sobre categorias de investimentos. Menos informações e análises restritas não oferecem ao cliente a melhor experiência na hora de investir.  

Já as corretoras funcionam como um grande supermercado do mercado financeiro: concentram produtos de diferentes instituições, bancos, empresas etc., e ofertam os ativos de forma 100% digital.

Para o investidor, o resultado é ter acesso a uma variedade de produtos financeiros e à melhor experiência na hora de investir, tudo isso com custo menor e com as melhores ferramentas de análises de investimentos. Pelas corretoras, seu filho também terá acesso ao home broker, plataforma em que são negociadas ações, fundos imobiliários e outros ativos da renda variável*.  

SEGURANÇA: Todos têm a mesma segurança institucional, pois as garantias dos investimentos estão atreladas aos produtos, e não à instituição. Bancos e corretoras são monitorados pelo Conselho Monetário Nacional, a mãe do mercado financeiro. Portanto são irmãos. Esqueça essa história de que o banco A é mais seguro do que a corretora B. O risco do investimento está atrelado aos ativos, e estes respondem a outros fatores.  

Você pode escolher abrir ou não uma conta bancária para  seu filho, seja ele tradicional ou digital. A única coisa que, para investir, você não pode deixar de fazer é ter conta em uma corretora.  

O que é obrigatório ter para investir? 
Carteira de identidade e CPF. Conta em banco (tradicional ou digital) em nome da criança ou do responsável legal. Para a educação financeira, o ideal é em nome da criança.  
Conta em uma corretora de valores, porque há maior variedade de produtos financeiros, mais informações e análises com menor custo.  

CUIDADO: É fundamental que a conta da criança seja utilizada para os interesses dela e não se misture com as despesas e os investimentos dos pais. Afinal, estamos educando nossos filhos financeiramente e transmitindo valores aos pequenos. Comprometa-se com o futuro da criança e seja fiel a esse objetivo.  

O exemplo, como sempre, vem de casa. Tudo que faço para mim, também faço para  meus filhos. Utilizo, sobretudo, as mesmas instituições e, assim, fica mais fácil automatizar os investimentos e negociar as taxas. Levar a sério todo o processo é sua missão como mãe/pai ou responsável legal. 

IMPORTANTE: se seu filho ainda não tem CPF, disponibilizo um material extra com instruções para emitir o CPF on-line, em razão da pandemia.

Como emitir CPF para menor de idade durante a pandemia 

Como reflexo da pandemia, alguns governos estaduais facilitaram  a emissão do RG. E a Receita Federal liberou a emissão por e-mail do CPF para menores de idade. 

Para emissão do RG, consulte as regras aplicadas para o seu estado. Já para emitir o CPF, menores de 16 anos irão precisar dos seguintes documentos: 

  • RG ou Certidão de Nascimento do menor e RG do responsável (pai, mãe, tutor ou guardião judicial, anexando o respectivo termo de tutela/guarda);  
  • Título de eleitor (facultativo);  
  • Comprovante de endereço;  
  • Selfie do menor de idade e do responsável, ambos segurando o documento de identidade aberto (frente e verso), em que deverá aparecer a fotografia e o número do documento legível. 

O e-mail deve ser enviado de acordo com o estado em que você vive: 

No próximo artigo você vai aprender a preencher o cadastro de uma plataforma de investimentos. 

Em posse dos documentos acima você poderá seguir para o principal passo que colocará seu filho dentro da mágica Jornada do meu filho investidor.

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Publicado por Francine Mendes

Economista, colunista da Forbes Brasil e do Money Times e fundadora do canal Mary Poupe. Educadora financeira e mestre em psicanálise de consumo.

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