Especialistas em educação financeira para crianças concordam que mentir para os filhos quando o assunto é dinheiro não é aconselhável. Mas isso quer dizer que devemos contar a eles absolutamente tudo?

“Eu não consigo enxergar nenhuma situação em que se deva mentir. Agora, omitir é diferente”, diz Álvaro Modernell, educador financeiro da Mais Ativos e autor de livros de finanças pessoais para crianças.

“Tudo depende da idade da criança, mas quando ela já começa a ter noção de que é preciso dar dinheiro em troca das coisas, o que acontece muito cedo, já é preciso começar a conversar. Isso ocorre por volta dos cinco ou seis anos”, diz Celina Macedo, autora do livro “Filhos: seu melhor investimento”.

Veja o que deve ser dito às crianças e o que pode ser omitido quando o assunto é dinheiro:

Deve falar: que tem dívidas em atraso
Pode esconder: que tem medo de perder a casa

Para os especialistas ouvidos, crianças e adolescentes precisam saber da situação financeira real da família. Só assim podem colaborar e não pressionar por gastos que não sejam possíveis.

Se a situação estiver difícil em casa, os filhos devem ser incluídos no planejamento do que deve ser economizado.

Na opinião de Celina Macedo, se os pais têm dívidas em atraso, as crianças precisam saber. Em contrapartida, não se deve alarmá-las com informações do tipo “tenho medo de perdermos nossa casa porque estamos devendo prestações”.

Além disso, ao apresentar o problema, é preciso, simultaneamente, apresentar um plano com soluções. “Se os pais sabem que uma situação ruim vai acontecer de fato, devem apresentar soluções aos filhos, não falar como se fosse o fim do mundo”, diz Macedo.

Ela exemplifica: a casa será tomada pelo banco? Pois bem, estamos procurando um lugar para morar de aluguel, ou vamos morar com o vovô e a vovó por um tempo, e será passageiro.

Deve falar: que um dos pais ficou desempregado
Pode esconder: os detalhes do que motivou a demissão

Segundo Álvaro Modernell, é desnecessário detalhar o que motivou a saída da pessoa demitida. “Mas se um dos pais ficou desempregado, os filhos precisam saber, porque isso muda a rotina da casa”, diz Modernell.

Deve falar: as respostas às perguntas dos filhos sobre dinheiro
Pode esconder: os detalhes e alguns números exatos

Desde cedo, as crianças já começam a perguntar sobre dinheiro e são capazes de entender as respostas. Mas os detalhes podem ser apresentados aos poucos, conforme o nível de maturidade, aumentando conforme o jovem se aproxima da maioridade.

“O nível de detalhamento não precisa ser grande para crianças de até 12 anos. Mas a partir do momento em que os filhos começam a perguntar coisas que vão além da mera curiosidade, torna-se necessário descer ao detalhamento”, explica Álvaro Modernell.

Se os filhos perguntarem o salário dos pais, não é preciso dizer o número exato, é possível dar a faixa salarial, para dar noção da verdadeira situação financeira da família, diz o educador.

Deve falar: que para ter dinheiro é preciso trabalhar
Pode esconder: uma eventual insatisfação com o trabalho

“Os pais devem falar que o trabalho é uma coisa boa, que é legal e que é o que provém dinheiro. E que o dinheiro é o meio para sustentar a família e realizar sonhos”, diz Celina Macedo.

Para ela, reforçar que trabalhar é uma coisa boa é importante para os filhos entenderem que vão precisar trabalhar para conquistarem as coisas, principalmente nas famílias mais abastadas. E que isso não é uma coisa ruim.

“A partir de uns 12, 13 anos de idade, quando eles já conseguem entender melhor o abstrato, os pais podem começar a contar o que fazem no dia a dia, pelo menos o que é mais palatável”, orienta.

Deve falar: que a situação financeira da família é boa
Pode esconder: as cifras exatas do patrimônio

O tamanho do patrimônio da família e a herança que ficará para os filhos podem ser abordados, mas também sem grande nível de detalhamento.

É claro que será difícil, se não impossível, esconder que um dos pais é sócio de uma empresa ou que a família tem alguns imóveis. E nem é essa a ideia.

“Os pais não precisam falar em valores, mas sim em situação econômica. E ensinar desde cedo, que os filhos precisarão aprender a cuidar daquele patrimônio”, diz Álvaro Modernell.

O importante é que os filhos não contem com o dinheiro dos pais enquanto eles ainda estão vivos como se fosse seu próprio dinheiro.

“Herança é uma coisa que pode acontecer daqui a um ano ou daqui a 50 anos. E o patrimônio pode sofrer muitas alterações no caminho”, diz o educador da Mais Ativos.

Para ele, os filhos devem saber, por exemplo, que têm investimentos em seu nome, mas não precisam ter acesso ao dinheiro que está – ou vai estar um dia – em seu nome assim que completarem a maioridade. Isso, diz Modernell, dependerá do nível de maturidade de cada um.

Na opinião de Celina Macedo, os pais devem deixar claro que enquanto estiverem por ali, aquele dinheiro é deles, e não dos filhos – até a mesada que os filhos ganham. “E que se os filhos quiserem ter dinheiro um dia, vão ter que trabalhar também”, diz Macedo.

“Não acho ruim abordar o assunto ‘herança’ desde cedo, mas é preciso também incentivar as aptidões da criança, para que ela descubra cedo qual a sua vocação”, diz a especialista, que defende sempre frisar que é o trabalho que traz o dinheiro.

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