O Fundo Monetário Internacional existe para apanhar da opinião pública e para salvar países em dificuldades. A última década foi emblemática para a entidade, já que foram os ricos europeus que precisaram de ajuda depois da crise financeira internacional em 2008.

O saco de pancada é um traço da personalidade do FMI que está mais presente na América Latina, porque sempre vimos seus executivos chegarem com dinheiro e, ao mesmo tempo, com uma lista de exigências para condução da economia, vistas como austeras demais, desumanas até!

Mas não é só isso. E reconhecer a importância do Fundo é de extrema relevância para traçar cenários sobre o futuro. O FMI é um órgão de debate, estudos e pesquisas sobre gestão dos países, acompanhando de perto a evolução das economias para capturar riscos e oportunidades.

É exatamente este o título do artigo recém-assinado pela diretora-geral da entidade, a elegante francesa Christine Lagarde, com sugestões e recomendações aos ministros de finanças e banqueiros centrais do G20, que irão se encontrar na Argentina no final da semana.

Comércio internacional, a vulnerabilidade dos países emergentes e o dilema entre o avanço da tecnologia e os empregos são os temas indicados por Lagarde para o debate sobre os riscos e as oportunidades que os países têm diante dos desafios atuais. A guerra comercial e seus efeitos no crescimento econômico e na relação de forças entre os Estados Unidos e o resto do planeta são uma enorme preocupação do Fundo, compartilhada por quase todas as lideranças mundiais, não poderia ser diferente.

O que reforça a percepção de uma virada mais “humanista” da entidade – recorrendo à pecha latina dada ao FMI – é a preocupação crescente com os emergentes. Eles estão maiores, mais relevantes e… mais frágeis, especialmente Brasil, Turquia e África do Sul.

As escolhas dos mais ricos não podem, de maneira alguma, deixar de considerar os reflexos nas economias em desenvolvimento. Por mais protecionista que alguns líderes queiram ser, o planeta está mais conectado do que nunca. Para o Brasil, especificamente, o FMI despende uma parcela maior de alertas e recomendações, tanto pelos riscos e oportunidades que o mundo oferece hoje, quanto pelos riscos e oportunidades que temos internamente.

A realidade brasileira é uma das piores no grupo dos emergentes, com menor crescimento, pior situação fiscal, maior incerteza política. O que o FMI fala de nós para o mundo, é relevante e levado em conta pelos investidores. Ter um Fundo mais humanista está longe de ter um aliado protetor, ao contrário, é expondo as nossas mazelas, com credibilidade e relevância, que o FMI mais nos ajuda.

* Thais Heredia escreve todas as quartas-feiras para o blog GENIAL. Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *