A poucos dias do segundo turno das eleições, o tabuleiro da economia brasileira segue com uma movimentação quase frenética, mas sem indicação de quem vai sair na frente ou, até mesmo, de quem vai ocupar cada lugar. A radicalização das campanhas, a nacional e as estaduais, tem relevado a discussão dos temas mais pertinentes, quais sejam, aqueles que tratam do custo e da capacidade de execução das prioridades do País.

A ordem na campanha de Jair Bolsonaro é o silêncio. Por isso os integrantes das equipes, especialmente a liderada pelo economista Paulo Guedes, têm soltado planos sob anonimato, com poucos detalhes. Mesmo que as pesquisas mostrem que o candidato do PSL se mantém como favorito para a votação do próximo domingo, é recomendável cautela com os ruídos na comunicação – já bastam as fake news que inundam as redes sociais.

Há um esforço da imprensa em mapear o “novo” Congresso Nacional. O Estado de S.Paulo já começou a fazer pesquisas para medir a temperatura dos temas mais sensíveis e urgentes, como a reforma da previdência e a revisão do Estatuto do Desarmamento – a primeira é condição fundamental para solvência do País.  O segundo tema está no centro do discurso de Bolsonaro desde que ele cresceu nas intenções de votos, provocando expectativas e, ao mesmo tempo, insegurança naqueles que temem uma escalada da violência no País.

Tudo indica que, num primeiro momento, o Parlamento brasileiro irá se dividir entre as prioridades econômicas e as bravatas eleitorais para acomodar os novatos na política e também os experientes que trocaram de posto e ganharam cadeira em uma das casas legislativas. Essa estratégia pode funcionar desde que as reformas emergenciais não sofram desidratações que comprometam a gestão fiscal.

No tabuleiro de Brasília, ainda não está claro se será possível, ou provável, que alguma coisa ande no Congresso até o final do ano. Com a derrota dos caciques políticos que comandaram o Parlamento nas últimas décadas, a disposição em colaborar com quem está chegando tem se mostrado quase nula, para não dizer contrária.

Assistindo a toda essa movimentação, os investidores e operadores do mercado oscilam entre estímulos domésticos e internacionais para se posicionarem. Como lá fora a coisa anda também muito volátil, há dias em que tem sido impossível blindar o mercado brasileiro do mau humor externo. A semana deve terminar voltada para o positivo, sem que os preços demonstrem angústia com o futuro próximo.

Os indicadores macroeconômicos têm revelado uma melhora na margem, especialmente das expectativas. Os índices de confiança começaram a reagir e até a criação de vagas formais surpreendeu muito: mais de 137 mil postos foram gerados no mês passado segundo o resultado do Caged de setembro.

Se o presidente eleito for capaz de baixar o tom das bravatas e assumir a vitória fortalecendo os valores democráticos, pode ser que a esperança da maioria, que verá seu candidato vencer, seja, aos poucos, compartilhada com os desempregados, os empresários endividados e com quem ainda não conseguiu deixar a pior crise da história para trás. O futuro de todos depende disso.

Thais Heredia

Thais Heredia

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

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