O Ibope divulgou ontem pesquisa de intenção de votos para presidente da República, realizada no último final de semana e que não incluiu o nome de Lula. Em relação ao levantamento anterior, oscilaram positivamente, dentro da margem de erro, Jair Bolsonaro (de 20% para 22%), Geraldo Alckmin (de 7% para 9%) e Fernando Haddad (de 4% para 6%). Ciro Gomes cresceu (de 9% para 12%) e Marina Silva se manteve estável (12%). A pesquisa mostrou redução significativa (de 38% para 28%) no número de eleitores que não declaram voto (brancos, nulos e indecisos).

Em relação à pesquisa divulgada em 20/8, a rejeição de Bolsonaro subiu de 37% para 44%; por sua vez, a rejeição aos demais candidatos manteve-se na casa dos 20%. Além disso, Bolsonaro seria derrotado por todos os adversários em eventual segundo turno, exceção feita para a disputa com Haddad (desconhecido por boa parte do eleitorado), na qual haveria empate técnico, 37% a 36%. É importante mencionar que esse cenário deve mudar de modo favorável ao petista à medida que ele se torne conhecido dos eleitores.

O aumento da rejeição a Bolsonaro não pode ser atribuído ainda à campanha eleitoral: talvez a explicação esteja relacionada à retirada do nome de Lula da pesquisa, uma vez que ele sempre se apresentou como antítese ao ex-presidente; o fato é que sem a menção a Lula na pesquisa, a rejeição ao deputado do PSL se eleva consideravelmente.

O caminho a partir de agora será difícil para Bolsonaro. Ele será alvo de ataques cada vez mais duros de Geraldo Alckmin e terá pouco espaço para se defender. A campanha negativa por parte do PSDB deverá fazer a rejeição a ele subir ainda mais. É possível que Bolsonaro esteja no segundo turno em razão do engajamento do seu eleitorado, mas o caminho para a vitória parece cada vez mais difícil.

A campanha de Alckmin aposta justamente na baixa competitividade de Bolsonaro nas simulações de segundo turno para crescer por meio da tese do voto útil. O candidato tucano pretende mostrar que ele é a única opção viável para evitar que o País caminhe para uma alternativa “extrema”, seja a apresentada por Bolsonaro seja a apresentada pela esquerda.

A alta de Ciro Gomes e seu bom desempenho no Nordeste (onde alcança 20% dos votos), por outro lado, mostram que não será tão fácil a transferência de votos de Lula para Haddad. A boa notícia para o petista é que 22% dos eleitores se dispõem a votar em um candidato apoiado por Lula. A conferir se isso, de fato, ocorrerá.

É preciso aguardar as novas pesquisas para avaliar o impacto da campanha no rádio e na TV e para verificar se os sinais apresentados pela pesquisa Ibope de fato se confirmarão.

Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, economista (FEA-USP) e cientista político (FFLCH-USP).

Ribamar Rambourg é coordenador de análise política na Genial Investimentos, responsável pela avaliação do cenário político-eleitoral brasileiro. Ribamar é economista graduado pela FEA-USP e mestrando em Ciência Política na FFLCH-USP. Em sua dissertação de mestrado, analisa o tema “Coalizão de governo e crise de governabilidade no período Dilma Rousseff

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