O dólar bateu o seu maior patamar ante o real desde dezembro de 2016 na semana passada.

A moeda americana demorou mais de dois meses para subir de R$ 3,20 para R$ 3,30, mas precisou de menos de 20 dias para furar a marca dos R$ 3,40.

Na sexta-feira (13), o dólar comercial fechou a R$ 3,43. Mas até onde o dólar pode chegar?

Já disse o economista Edmar Bacha: “O câmbio foi inventado por Deus para humilhar os economistas. Nunca se sabe para onde ele vai.”

De fato, os movimentos do câmbio são os que mais costumam pegar o mercado no contrapé.

Como qualquer ativo, o dólar segue a lei da demanda e da oferta. Quanto maior a procura, mais ele sobe. Quanto menor a procura, mais ele cai.

Termômetro de risco

No mercado financeiro, essa procura é muito influenciada pela percepção de risco. Isso porque o dólar é considerado um porto seguro.

Ou seja, se os investidores estão prevendo que um determinado cenário projetado vai se deteriorar, eles tendem a comprar dólar para se proteger.

A atual subida do dólar ante o real tem basicamente dois motivos: o ambiente de maior aversão a risco no exterior e as incertezas políticas no Brasil.

Lá fora, o ambiente está mais arisco por conta da política externa dos Estados Unidos, em guerra comercial com a China e com ataques à Siria.

Também pesa o fato de os Estados Unidos estarem em meio a uma política monetária de alta dos juros, o que aumenta o fluxo de recursos para o país.

Ou seja, o dólar não está em alta só em relação ao real, mas sobre várias outras moedas, principalmente de países emergentes.

Mas o real está entre as moedas de pior desempenho. Isso significa que a percepção de risco sobre o país é maior.

E aqui entra a segunda razão para a subida do dólar: a eleição presidencial.

Eleições

Na última semana, ganhou espaço no mercado a percepção de que o pleito será fragmentado entre vários candidatos. Isso dilui os votos e torna o resultado da eleição imprevisível.

Ainda é nebulosa quais seriam as reais chances de um candidato de centro-direita, que é visto pelo mercado como pró-reformas.

A pesquisa do Datafolha divulgada neste domingo (15) comprova isso. Sem Lula no pleito, Marina Silva (Rede) empataria com Jair Bolsonaro (PSL), com 17% das intenções de voto.

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB mas ainda não lançou a candidatura, oscila entre 9% e 10% das intenções, empatado com Ciro Gomes (PDT) e na frente do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que varia de 7% a 8%.

Mas essa movimentação recente ainda não afetou as projeções dos economistas para o câmbio. Segundo as estimativas do Boletim Focus, do Banco Central, o dólar deve fechar o ano a R$ 3,30 em 2018. Segundo a análise técnica, o dólar futuro já está em tendência de alta.

Qualquer novidade pode jogar essa cotação pra cima ou pra baixo.

Para acompanhar todas essas movimentações de mercado, os clientes Genial recebem diariamente relatórios com análises de bolsa e dólar.

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Publicado por Thais Folego

Thais é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero com MBA em Informações Econômico-Financeiras. Foi repórter de finanças e investimentos dos maiores veículos especializados do país, entre eles o jornal Valor Econômico e as revistas Exame e Capital Aberto.

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