Mesmo com juros em queda, o Brasil ainda é um país com altas taxas de juros se comparado a outros países. Por isso, ao financiar um bem, como um carro ou um imóvel, você acaba pagando muito mais caro do que se pagasse à vista. Mas o financiamento de veículos – carros e motos, por exemplo – conta com uma desvantagem a mais se comparado ao de imóveis.

Financiar um imóvel é bem diferente de financiar um carro ou qualquer outro bem de consumo.

Em primeiro lugar, os financiamentos imobiliários no Brasil são bem mais baratos que os financiamentos de veículos.

Segundo, leva bem mais tempo para poupar a quantia necessária para pagar um imóvel à vista do que um carro.

Em terceiro lugar, imóveis podem se valorizar ao longo dos anos, obrigando você a baixar (às vezes muito) o padrão do imóvel que poderá comprar no futuro.

É claro que a inflação afeta os preços dos veículos e outros bens de consumo. Mas substituir o tipo de veículo desejado por um de padrão menor ou um zero quilômetro por um seminovo em geral é mais tranquilo do que baixar o padrão da moradia desejada.

Um argumento muito usado em favor do financiamento imobiliário é a substituição do aluguel pela parcela do financiamento. Mas poupar e investir dinheiro ao mesmo tempo em que você paga aluguel pode ser viável e vantajoso.

Basta que o aluguel represente um percentual menor do valor do imóvel do que o custo mensal do financiamento, o que significa que o aluguel é mais barato que o financiamento.

Por exemplo, se o aluguel representar 0,5% do valor do imóvel, e a taxa de juros para financiar aquele tipo de imóvel for de 1% ao mês, vale a pena pagar aluguel e investir a diferença.

Trocando em miúdos, no caso da compra de um imóvel, o financiamento pode ou não ser interessante, havendo várias questões a se levar em consideração.

Mas no caso do financiamento de veículos, sejam carros ou motos, quase sempre poupar para comprar à vista é melhor do que financiar.

Uma desvantagem que pesa muito para os veículos é o fato de que eles depreciam com o tempo. Basta tirar o carro da concessionária que ele já começa a se desvalorizar.

Ao financiar, você já está pagando bem mais do que o preço do veículo na hora da compra. Quando o financiamento terminar, o bem estará valendo ainda menos.

Se você financia um imóvel, ele ainda pode se valorizar – ainda que uma desvalorização também seja possível. Mas com um carro ou uma moto isso dificilmente acontece.

Assim, financiamentos de veículos devem ser evitados, a menos que o veículo seja essencial para você gerar renda. Por exemplo, no caso de quem depende do veículo para trabalhar. Em quase qualquer outra situação, provavelmente não vai doer poupar por uns dois ou três anos, se tanto.

Na ponta do lápis

Já falamos aqui no blog que, se você tem dinheiro guardado, normalmente é melhor pagar à vista do que financiar a juros altos. Basicamente, se as taxas de juros do financiamento forem maiores do que os rendimentos das suas aplicações financeiras, a compra à vista vale a pena.

É claro que é preciso levar em consideração certas especificidades. Por exemplo, não convém comprar um carro ou imóvel à vista e ficar sem um tostão de reserva de emergência.

Nesse caso, melhor esperar e poupar um pouco mais ou, se a compra for muito urgente, financiar uma pequena parte do bem.

Para quem não tem dinheiro guardado, também já mostramos que é mais vantajoso poupar para comprar à vista do que financiar.

Em um post de fevereiro de 2016, mostramos que um veículo de 60 mil reais, financiado em três anos, poderia custar mais de 80 mil reais. Mais de um terço do valor do carro só de juros.

Foi considerada uma taxa de juros mensal de 2,28%, média da época para financiamentos de automóveis, quando a Selic estava em 14,25% ao ano. Para levar em conta outros custos do financiamento, consideramos um Custo Efetivo Total (CET) de 2,50% ao mês.

Mostramos ainda que se o valor das prestações fosse investido em uma aplicação que rendesse 0,85% ao mês líquido, seria possível comprar o veículo à vista em dois anos e três meses.

Numa simulação de financiamento imobiliário, com apenas metade do valor do imóvel financiado, um imóvel de 400 mil reais sairia por mais de 600 mil reais. Mais da metade do valor do imóvel em juros. Também foi considerada a taxa de juros na época.

Aplicando-se mensalmente o valor da primeira prestação do financiamento do imóvel a um rendimento líquido de 0,85% ao mês, seria possível chegar aos 400 mil reais em pouco mais de nove anos.

Da época desse post para cá, a Selic caiu para 9,25% ao ano, as taxas de juros dos financiamentos caíram um pouco, mas o raciocínio continua o mesmo. Se você financia, paga uma boa quantia de juros; se resolve poupar para pagar à vista, precisa adiar a compra, mas chega à quantia desejada num tempo relativamente curto e gasta menos.

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Publicado por Genial

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