Os dois primeiros incidentes entre a equipe política e a equipe econômica do novo governo, divulgação de informações desencontradas sobre o aumento do IOF e a redução da alíquota máxima do Imposto de Renda de 27,5% para 25%, mostraram que o presidente Jair Bolsonaro precisa urgentemente de um porta-voz. Na era da informação em tempo real e da predominância das mídias sociais, é crucial ter alguém gabaritado e com tráfego no meio político para falar em nome do governo. E, o mais importante, que essa pessoa tenha o aval do presidente.

Dispensável dizer que o porta-voz não terá ascendência sobre Bolsonaro e seus ministros. Ele seguirá as orientações presidenciais e dará unicidade ao posicionamento governamental, seja no encaminhamento de pautas importantes ao Congresso Nacional, seja na edição de medidas provisórias ou em falas oficiais sobre temas de interesse nacional.  A principal missão do porta-voz é transmitir serenidade e demonstrar que o governo tem diretrizes muito bem definidas e as segue à risca. No diálogo com a sociedade, esta é uma atividade crucial.

Mais que nunca, a difusão de notícias sem confirmação ou os devidos esclarecimentos pode ter consequências desagradáveis para o governo e o país. O mercado financeiro acompanha os mínimos movimentos políticos e econômicos e reage automaticamente ao que considera bom ou ruim. Da mesma forma, os políticos, aliados do governo ou integrantes da oposição, se manifestam com a mesma rapidez e intensidade. Assim, a atuação de um porta-voz deve contribuir para, pelo menos, reduzir a temperatura neste começo de mandato de Jair Bolsonaro.

Aliados do presidente informam que a busca pelo porta-voz já começou, mas não se trata de tarefa fácil. O posto é estratégico e o perfil de quem for convidado terá que passar pelo crivo do chamado núcleo duro do governo. Além disso, entre as habilidades do futuro ocupante do cargo, exige-se traquejo político e jogo de cintura. São características que atualmente não são encontradas com facilidade, mas o staff presidencial está ciente da necessidade de encontrar o nome certo para o cargo. Espera-se que até a próxima semana o assunto esteja definido.

Combate às facções criminosas

As ações do crime organizado no Ceará expõem, com uma intensidade até então ainda não vista no país, a gigantesca dimensão do problema de segurança pública no Brasil. Já são mais de 130 atentados contra ônibus, veículos e prédios públicos, viadutos e antenas de celular em Fortaleza e em vários pontos do interior do estado. É uma demonstração de força das facções criminosas que visam, essencialmente, desafiar, intimidar e se impor ao poder legal. Uma afronta que não pode ser mais aceita. O governo federal agiu rapidamente e atendeu ao pedido de envio de reforço policial tão logo feita a solicitação pelo governador Camilo Santana.

Já são cerca de 500 agentes, entre integrantes da Força Nacional e grupos de elite da Polícia Federal. Em outra frente, líderes das facções criminosas que atuam no Ceará começaram a ser transferidos para presídios federais em outras unidades da federação. A ordem é retomar o controle da situação, restabelecer a normalidade e agir com maior rigor nos presídios para diminuir o poderio dos grupos criminosos. Hoje, essas facções controlam, de dentro da cadeia, grandes redes de corrupção e violência, impondo sua vontade à população, em especial nas áreas onde vivem as famílias mais pobres.

São medidas emergenciais corretas, mas há a necessidade de ações de médio e longo prazo que precisam começar a ser implementadas o quanto antes para que o poder público desmantele essas facções. O receituário para tal já é conhecido: retomada do controle dos presídios; integração da atuação das forças estaduais e federais; planejamento; maior controle das fronteiras, para reprimir o tráfico de drogas e de armas; modernização e reequipamento das forças estaduais; e combate à lavagem de dinheiro. O ministro Sérgio Moro tem ciência da premência de implementação dessas diretrizes.  O momento é de agir.

Gabriel Azevedo é formado em Jornalismo, em Publicidade e em Direito, área na qual obteve seu mestrado. Atua como professor de Direito Constitucional e é diretor da JusBrasil. Entre 2011 e 2014, foi Subsecretário de Estado de Juventude do Governo de Minas e em 2017 assumiu seu primeiro mandato como vereador de Belo Horizonte. No MyNews participa do programa “Segunda Chamada”, apresentado por Antonio Tabet, todas as segundas-feiras, às 20h30.

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