• A Produção industrial recuou 9,1% mom em março frente a fevereiro (série com ajuste sazonal). O resultado veio bem abaixo da mediana das expectativas que apontavam variação de -0,7% (Broadcast). Foi o pior resultado desde maio de 2018 quando a greve dos caminhoneiros implicou em uma queda de 11%. O resultado de março é reflexo das políticas de isolamento social provocadas pela pandemia de Covid-19.
  • Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve variação de -3,8%, o que resultou em recuo da móvel trimestral de –0,8% yoy para -1,6% yoy. Com este resultado a indústria acumula queda de 1,7% no ano e queda de 1% nos últimos 12 meses.
  • Houve queda de produção em todas as categorias econômicas (influência negativa mais relevante foi em Bens de Capital, variação de -15,2% mom) e em 23 dos 26 ramos pesquisados (as influências negativa mais relevantes foram em veículos automotores, reboques e carrocerias, variação de -28% mom, e vestuário, -34%).
Produção Industrial, Varição mensal (MoM)
Produção Industrial, sazonalmente ajusta
Produção Industrial, Var. interanual (YoY)
Grupos Econômicos
Categorias de uso - YoY, MA3M
Bens de consumo, YoY, MA3M
Variação Mensal (Série Dessaz.)

Evolução Recente

A severa redução na produção industrial de março (-9,1% mom e -3,8% yoy) é resultado dos efeitos da quarentena no setor. Contudo, o confinamento não atingiu todo o mês de março, teve impacto forte apenas na segunda metade do mês. Portanto, devemos esperar um resultado ainda pior em abril.

Para abril, os indicadores antecedentes sugerem que o surto de Covid-19 teve um impacto ainda mais severo no setor industrial brasileiro. As empresas têm sido atingidas por uma forte queda de demanda, tanto doméstica quanto externa, simultânea a um aumento de custos devido à depreciação do real frente ao dólar. Como resultado, uma variável de ajuste tem sido o emprego, os níveis de emprego se reduziram em abril como forma de redução de custo.

O PMI (IHS Markit) recuou de 48,4 em março para 36 em abril. Houve redução acentuada da produção de novos pedidos e no indicador de emprego do setor. Foi a maior retração desde o início da série histórica em 2006. A pesquisa também indicou interrupção das cadeias de abastecimento com paralisações nos fornecedores e escassez de insumos.

A Sondagem da Indústria, realizada pela FGV, retrata um cenário similar. O índice de Confiança da Indústria de Transformação recuou de 97,5 em março para 58,2 em abril, o menor nível da série histórica (série dessazonalizada). A utilização da capacidade instalada da indústria (NUCI) recuou de 75,3 para 57,3 (a média histórica da NUCI é de 80). Esse resultado indica que em abril setor industrial brasileiro apresentará a maior queda mensal da série histórica. Revisamos nossa projeção para este ano de queda da produção industrial de 2,9% para 4%.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

Comentários

  • […] da mediana das expectativas (+7,8% m/m, Broadcast), ensaiando recuperação após forte queda em março e abril. Na comparação com o mesmo mês do ano passado houve variação de -9% […]

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