Economia e PolíticaGabriel Azevedo

Protagonistas do diálogo após a eleição de outubro

Por 23 de agosto de 2018 Nenhum comentário

Que tipo de diálogo o futuro ou a futura presidente da República terá com os governadores eleitos para administrar alguns dos principais Estados brasileiros? Essa questão é de extrema relevância, notadamente, em razão das prementes necessidades econômicas que as unidades federativas enfrentam, muitas em situação de insolvência. Mais do que nunca, o estabelecimento de compromissos pela construção de um pacto federativo e a busca de propostas para a diminuição dos problemas sociais que a população brasileira vive devem nortear, obrigatoriamente, a aproximação entre presidente e governadores.

Eleições Estaduais

Por enquanto, nesta primeira semana da campanha eleitoral, é difícil fazer previsões sobre quem vencerá a disputa nos Estados, mas é possível avaliar as tendências de intenção de voto e ver que candidatos têm mais chances de conquistar um mandato. Sabemos muito bem que não será tarefa de simples execução, em razão da magnitude das complicações administrativas e financeiras dos Estados e também por causa da troca de favores e retaliações que caracterizam as relações entre presidência da República, governos estaduais e Congresso.

Em São Paulo, por exemplo, o ex-prefeito João Doria (PSDB) e o empresário Paulo Skaf (MDB) aparecem descolados dos demais candidatos e polarizando a disputa, tecnicamente empatada, de acordo com recentes pesquisas. Segundo levantamento feito pela TV Record e pelo Instituto RealTime Big Data, Skaf tem 25% das intenções de voto, enquanto Doria tem apoio de 23% dos entrevistados. Caso a tendência permaneça, haverá a repetição da disputa de 2014, quando Geraldo Alckmin venceu o pleito, com 57,41% dos votos válidos, e Skaf ficou em segundo, com 21,53%.

Ressalte-se ainda que os demais candidatos, por enquanto, não constituem riscos para Skaf e Doria. Luiz Marinho (PT) tem 6% das intenções de voto. O atual governador  Márcio França (PSB), com percentual de 4%, Lisete Arelaro (PSOL), com 2%, e Rogério Chequer (NOVO), com 1%, são outros concorrentes que aparecem na pesquisa. Skaf e Doria têm perfil muito semelhante, apresentam-se como defensores da livre iniciativa e da economia de mercado, do discurso anticorrupção e a favor da diminuição do tamanho do Estado. Desse modo, o que for eleito deverá pautar sua relação com o Planalto com base nessa plataforma.

Em Minas Gerais, que atravessa longa turbulência financeira, com salários dos servidores atrasados, sucateamento de equipamentos públicos de saúde, segurança e educação, e previsão de déficit de R$ 8 bilhões para 2019, está em andamento um embate nada fácil entre o governador petista Fernando Pimentel e o ex-governador e senador tucano Antonio Anastasia. Para tornar o campo de disputa eleitoral ainda mais tenso, a ex-presidente Dilma Rousseff concorre a uma vaga no Senado e o senador Aécio Neves vai disputar eleição para deputado federal.

Pesquisa

De acordo com pesquisa divulgada na quarta-feira passada pelo Instituto Data Tempo/CP2, Anastasia lidera a disputa eleitoral, com 24% das intenções de voto. Fernando Pimentel vem em segundo, com 16,9%. Em terceiro lugar está Marcio Lacerda (PSB), ex-prefeito de Belo Horizonte, que registra 9,1% das intenções de voto. O problema é que a candidatura dele se encontra sub judice e caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definir se o ex-prefeito poderá concorrer ou terá que se retirar da campanha pela sucessão estadual e aceitar disputar o Senado numa coligação com o PT.

Esse imbróglio eleitoral é fruto da decisão do PSB de se alinhar ao PT em Minas. Lacerda não aceitou ser alijado da disputa e, com o apoio do diretório local do seu partido, registrou sua candidatura. A direção nacional do PSB pediu a impugnação do registro e agora a decisão caberá ao TSE. Caso Marcio conquiste o direito de se candidatar ao governo, a polarização entre Anastasia e Fernando Pimentel sofrerá interferência de relevância, pois o ex-prefeito tem cacife eleitoral para conseguir chegar ao segundo turno. Com Lacerda impugnado, PSDB e PT darão as cartas na campanha mineira.

No Rio de Janeiro, o senador Romário de Souza Faria (Podemos) continua à frente nas pesquisas de intenção de voto, fato que se repete desde o ano passado quando os institutos de pesquisa e veículos de comunicação passaram a fazer regularmente esse tipo de levantamento. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Real Time Big Data no dia 15, o ex-jogador de futebol de seleção brasileira tem 25% das intenções de voto. Eduardo Paes (MDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro, vem em seguida, com 19% das manifestações dos entrevistados. Anthony Garotinho (PRP) registra percentual de 14%.

Temos, nesses três cenários regionais, uma diversidade bem interessante de perfis de candidatos que podem ser eleitos. Desde o pragmatismo do MDB ao campo de esquerda do PT, passando pela proposta de social democracia tucana e pelo populismo representado por Romário.  É justamente nessa variação que reside o desafio de estabelecer objetivos comuns entre os governos estaduais e a presidência da República, independentemente do viés ideológico de cada protagonista. Oxalá que a maturidade prevaleça e, a partir de janeiro de 2019, tenha início a elaboração de uma agenda de interesses comuns. Essa é a solução de que o País necessita.

* Este artigo reflete as opiniões de seu autor, não necessariamente as da Genial Investimentos.

Gabriel Azevedo

Gabriel Azevedo

Gabriel Azevedo é formado em Jornalismo, em Publicidade e em Direito, área na qual obteve seu mestrado. Atua como professor de Direito Constitucional e é diretor da JusBrasil. Entre 2011 e 2014, foi Subsecretário de Estado de Juventude do Governo de Minas e em 2017 assumiu seu primeiro mandato como vereador de Belo Horizonte. No MyNews participa do programa “Segunda Chamada”, apresentado por Antonio Tabet, todas as segundas-feiras, às 20h30.

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