O Banco Central decidiu manter os juros em 6,5% ao ano na reunião do Copom desta semana. A novidade, já que a manutenção era esperada, ficou com o comunicado sobre a decisão de, mais uma vez, não trazer sinalização sobre os próximos movimentos do Comitê. Agora, imagine uma coisa: se o BC tem incertezas sobre o que pode acontecer no País nos próximos 40 dias, imagine nós, os pobres mortais?

O Brasil mergulhou de vez no mar das incertezas. Não foi um acidente. Estava programado que, quanto mais perto fôssemos chegando ao dia D das eleições, mais dúvidas teríamos. Até agora, mesmo com a definição de candidatos e coligações, não há um santo que arrisque um palpite sobre o resultado do pleito, nem mesmo quem chegará ao segundo turno. Algumas pistas estão aparecendo neste mapa de labirinto, mas nada que leve a uma elucidação do mistério.

O que tem ganhado mais força, dada a fragmentação das preferências dos eleitores e das propostas dos candidatos, é o voto útil. Talvez esta seja a solução a ser adotada pelos milhões de brasileiros que ainda estão indecisos sobre seu voto – mais de 40% dos eleitores, segundo última pesquisa publicada na revista Veja. Mesmo se houver consenso sobre o voto útil, há uma subdivisão ainda: voto útil contra a esquerda ou voto útil contra a direita?

Diante desse cenário, se a economia fosse um paciente, estaria bem difícil sentir o pulso do enfermo. Mesmo vendo que ele respira sem ajuda de aparelhos, reage à medicação, até conversa de vez em quando, a pulsação segue fraquinha, imperceptível, ou seja, em compasso de espera! O setor produtivo e os consumidores mantêm os negócios e suas contas numa lida de dia a dia, sem tomar decisões relevantes sobre investimentos ou consumo.

Este ritmo, mesmo diante de tanta incerteza, não deve estancar a recuperação da atividade econômica, mas, certamente, não vai acelerá-la. Como o mercado financeiro antecipa os fatos, dependendo de quem despontar na liderança das eleições, pode influenciar na formação dos preços dos ativos, para o bem e para o mal. Como todos já sabem, o “preferido” dos investidores é o candidato que tenha a maior convicção reformista. Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL) dividem o posto.

Olhando para tudo isso de longe, nesta quinta-feira (2 de agosto) o Bank of America Merrill Lynch mexeu na recomendação para nossa bolsa de valores – segundo informação do colunista do Estadão, Fábio Alves – de underweight para neutral weight, ou seja, uma liberação moderada para compra de ações brasileiras. Este mesmo banco, há poucas semanas, chegou a prever o dólar a R$ 5,50 se “o pior dos cenários” se concretizar aqui.

O que fica muito claro neste ambiente é que, assim como não dá para cravar um resultado provável para as eleições, é muito difícil prever o custo que as incertezas vão gerar ao País. A conta vai chegar, só não sabemos se virá com débito ou crédito.

Apresentadora do canal de YouTube MyNews, Thais já foi assessora do Banco Central e repórter da GloboNews. Com pós-graduação em finanças pela FIA, é especialista na cobertura de economia e política. Apresenta o programa “É Pessoal” todas as sextas-feiras no MyNews, às 20h30.

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