• A taxa de desemprego foi de 13,3% no trimestre encerrado em junho, representando uma queda de 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado (a/a).
  • A população ocupada recuou 10,7% a/a. Já o número de pessoas na força de trabalho recuou 9,4% na mesma base de comparação. Com esta forte que na força de trabalho, a taxa de participação recuou ao menor nível da série histórica.
  • Todas as atividades sofreram queda no número de ocupados. O destaque negativo foi o comércio, que apresentou queda de 2,1 milhões na ocupação. Houve perda considerável também na construção e serviços domésticos.
  • O emprego no setor privado com carteira assinada (ex-domésticos) ficou em 30,1 milhões, o que significa uma queda de 3 milhões de empregos em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo, o mercado de trabalho informal tem sido mais atingido.
  • Houve uma destruição de 8,9 milhões de empregos em relação ao primeiro trimestre do ano. Desses, 6 milhões foram no mercado informal (sem carteira ou sem CNPJ). Informalidade respondeu por 68% da queda na ocupação.
Taxa de Desemprego, %

O desemprego seguiu aumentando em junho e alcançou 13% na série dessazonalizada, igualando o maior valor da série histórica (março de 2017). Isso significa que nos últimos 3 meses perdeu-se todo o ganho de queda de desemprego dos últimos 3 anos.

Taxa de desemprego, % PNAD vs PNAD Dessazonalizada
Diferencial anual do desemprego
Variação Interanual da Ocupação

Devido às medidas de isolamento social, as pessoas deixam de procurar emprego e isso tem impactado fortemente a taxa de participação. Em junho, apenas 55,3% das pessoas em idade de trabalhar estavam procurando emprego ou empregadas. É o menor nível de participação da população na força de trabalho da série histórica.

Taxa de participação, %

Nos últimos dois meses houve um aumento significativo do rendimento médio do trabalho, tanto nominal quanto em termos reais. Porém, esse ganho é apenas um efeito composição: o desemprego atingiu os trabalhadores que ganham menos, o que fez a média subir.

A destruição de 8,9 milhões de empregos ocorreu no mercado de trabalho informal e no setor privado formal, enquanto o serviço público (inclusive militares) apresentou aumento de 700 mil empregos em relação ao primeiro trimestre. Como o serviço público possui rendimento médio bem acima dos trabalhadores do setor privado, a média de rendimentos subiu.

Rendimento Real e Nominal YoY

Com a forte queda na população ocupada, houve um recuo substancial de 4,4% a/a na massa de rendimentos do trabalho no trimestre abril-junho. Isso significou uma queda de cerca de R$ 10 bilhões na massa de rendimentos, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, e queda de R$ 12 bilhões na comparação com o primeiro trimestre deste ano.

Vale ressaltar que a divulgação da Pnad é uma média móvel trimestral. Como a massa de rendimentos está caindo na ponta, significa que a queda, somente no mês de junho, é maior do que o número divulgado para o trimestre abril-junho. Estimamos que somente em junho, houve uma queda de aproximadamente R$ 18 bilhões na massa de rendimentos em comparação com março deste ano.

Contudo, o Auxílio Emergencial já transferiu R$ 168 bilhões desde abril. Um volume de recursos bem acima da queda da massa de rendimentos no período. Portanto, os programas de transferência de renda no combate aos efeitos do Covid-19 têm sido uma injeção significativa na demanda agregada. Porém, há um grande grau de incerteza acerca do comportamento da renda disponível após o fim dos programas emergências de transferência de renda.

Massa de Rendimentos Real, YoY

Para os próximos meses, a população ocupada deve continuar em queda enquanto a força de trabalho deve crescer aos poucos a partir de julho (com a flexibilização das políticas de isolamento social, as pessoas devem voltar a procurar emprego). Portanto, esperamos aumento significativo na taxa de desemprego nos próximos meses e mantemos nossa projeção de taxa de desemprego encerrando o ano ao redor de 15%.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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