• A taxa de desemprego em maio* foi de 12,9%, representando um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. O Resultado veio marginalmente abaixo da mediana das expectativas (13% – Broadcast).
  • A população ocupada caiu 8,3% em relação ao trimestre anterior e 7,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Já o número de pessoas na força de trabalho caiu 7% e 6,9% na mesma base de comparação.
  • Em maio, a taxa de participação recuou novamente alcançando nova mínima histórica de 56,8%. As medidas de isolamento social fazem com que muitas pessoas não procurem emprego, o que implica em menor taxa de participação e menor taxa de desemprego.
  • O emprego no setor privado com carteira assinada (ex-domésticos) ficou em 31,1 milhões no trimestre março-maio de 2020, significando uma redução de 2,1 milhões de empregos formais em relação ao mesmo período do ano passado.

*A taxa de desemprego divulgada pelo IBGE é calculada sobre o trimestre móvel encerrado no mês de referência. A comparação interanual se dá sobre o mesmo trimestre móvel do ano anterior.

Evolução Recente

Apesar de um aumento na taxa de desemprego de 0,3 ponto percentual entre abril e maio (de 12,6% para 12,9%), o impacto do surto de Covid-19 no mercado de trabalho é enorme. Houve uma queda de 7,8 milhões na população ocupada de fevereiro a maio.

Contudo, as medidas de isolamento social fazem com que muitas pessoas não procurem emprego, o que implica em menor taxa de participação e menor taxa de desemprego. Hipoteticamente, supondo que a força de trabalho tivesse se mantida a mesma desde fevereiro, a taxa de desemprego de maio seria de 19%.

Da queda de 7,8 milhões de pessoas ocupadas (de fevereiro a maio), 5,8 milhões eram informais. Como a ocupação informal é composta por empregos de menor rendimento, houve um aumento no rendimento médio habitual devido ao efeito composição. Ou seja, a taxa de informalidade caiu, pois, a destruição de empregos informais foi maior do que a de empregos formais, resultando em uma remuneração média maior. Como se tratou apenas de um efeito de composição, mesmo com o aumento no rendimento médio, houve uma queda de 2,8% na massa de rendimentos. Houve também um pequeno ganho na remuneração média devido à queda da inflação, porém esse ganho foi residual comparado a magnitude da destruição do emprego informal.

Como a taxa de desemprego é calculada com base no trimestre móvel encerrado no mês de referência, devemos ter maior desemprego na divulgação de junho quando o mês de março sair da amostra (março teve apenas duas semanas de medidas de isolamento social).

Com a redução gradual das medidas de isolamento social, a partir de junho teremos uma retomada mais rápida da força de trabalho implicando em aumento substancial na taxa de desemprego entre junho e outubro. Projetamos taxa de desemprego que encerra o ano em16,4%. Contudo, as medidas adotadas pelo governo federal têm potencial de atenuar os efeitos nocivos do surto de Covid-19 no emprego. Além disso, a incerteza permanece acima do usual sobre o desempenho econômico ao longo do segundo semestre.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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