• A taxa de desemprego foi de 12,2% em março*, representando uma queda de 0,5 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado (12,7%). O Resultado indica uma recuperação do emprego em ritmo inferior ao que foi observado até o mês passado (recuo interanual de -0,8 p.p.).
  • A taxa de desemprego dessazonalizada apresentou leve aumento de de 11,44%, em fevereiro, para 11,53% em março.
  • A população ocupada cresceu 0,4% em relação a março de 2019 (crescimento de em fevereiro foi de 2%). Já o número de pessoas na força de trabalho variou -0,2% na mesma base de comparação. A queda na força de trabalho ocorreu, provavelmente, devido às medidas de isolamento social.
  • O emprego no setor privado com carteira assinada (ex-domésticos) ficou em 33,1 milhões no trimestre janeiro-março, significando um aumento de 178 mil empregos nos últimos 12 meses (até fevereiro, o aumento tinha sido de 645 mil empregos).

*A taxa de desemprego é calculada sobre o trimestre móvel encerrado em março (janeiro a março de 2020). A comparação interanual se dá sobre o mesmo trimestre móvel do ano anterior.

Taxa de desemprego, %
Diferencial anual do desemprego
Taxa de Desemprego, % PNAD
Taxa de participação, %
Rendimento Real e Nominal YoY
Massa de Rendimentos Real, YoY

Nota

Antes de qualquer comentário, é preciso considerar que devido ao surto de Covid-19, o IBGE interrompeu a coleta presencial e realizou uma parte da pesquisa por telefone (a partir de 17 de março). Com isso, a taxa de resposta da PnadC em março de 2020 foi de 61,3%, frente a 88,4% em janeiro e 87,9% em fevereiro. O IBGE realizou análises estatísticas sobre a taxa de desocupação e rendimento médio habitual, e, segundo a instituição, não se observou variações significativas nas medidas de precisão estatística. O que segundo o IBGE, tornou viável a divulgação dos dados do primeiro trimestre de 2020.

Evolução Recente

Apesar do aumento da taxa de desemprego entre fevereiro e março, de 11,6% para 12,2%, um aumento já era esperado devido ao efeito sazonal da série, o primeiro trimestre de um ano não costuma sustentar as contratações feitas no último trimestre do ano anterior.

Há indícios de que a divulgação de março já apresenta sinais do efeito perverso do surto de Covid-19 na economia. O gráfico abaixo apresenta a variação do crescimento interanual da pulação ocupada, o que exclui o efeito sazonal da série. Vemos que há uma forte queda na taxa de crescimento da população ocupada. A taxa de crescimento recuou de 2% em fevereiro para 0,4% em março. Foi o maior recuo da série histórica (desde 2012).

Essa piora se reflete na geração de emprego acumulada nos últimos 12 meses. O gráfico abaixo apresenta a variação interanual da ocupação em mil pessoas. Observamos um aumento de 360 mil empregos nos últimos 12 meses, porém, até fevereiro o aumento tinha sido de 1,8 milhão de empregos.

O mesmo efeito foi observado na variação da população ocupada com carteira e no emprego informal, porém o efeito foi maior no trabalho informal com recuo de 1% no emprego sem carteira assinada do setor privado. Houve recuo na recuperação do emprego de todas as atividades na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Houve uma queda expressiva na taxa de participação de 0,7 p.p. (percentual da população na força de trabalho), a maior queda da série histórica. Provavelmente devido ao isolamento social, em que as pessoas deixam de procurar emprego. Esse efeito deve ser ainda maior em abril.

Variação Interanual da Ocupação (em mil)

Uma implicação direta da queda na taxa de participação é que a taxa de desemprego acaba subindo menos do que em um cenário onde a taxa de participação permanece estável, pois diminui o número de pessoas na força de trabalho. A divulgação do mês de março mostra isso, mesmo com o recuo no crescimento da população ocupada (de 2% yoy em fevereiro para 0,4% yoy em março) a taxa de desemprego recuou 0,5 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior pois a força de trabalho recuou 0,2% yoy.

Portanto, os dados mostram uma deterioração na geração de emprego em março, porém, ela é atenuada pela diminuição de pessoas procurando emprego devido ao isolamento social. Esse efeito deve ser maior em abril.

Em março, a taxa de desemprego dessazonalizada ficou em 11,5%. Mantemos nossa projeção de recuo do PIB de 3,2% em 2020 com taxa de desemprego dessazonalizada encerrando o ano em 14,3%.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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